Museu da IPI do Brasil ganha novo nome, nova sede e amplia acesso à memória do protestantismo nacional

Instalado no edifício da FATIPI, em São Paulo, espaço reúne acervo de mais de 120 anos e abre as portas à comunidade
Foto: parte do acervo do museu, que reúne milhares de itens.

 

A Igreja Presbiteriana Independente do Brasil inaugurou, no dia 15/10/2026, às 19h, a nova sede do Museu Presbiteriano Brasileiro “Rev. Prof. Vicente Themudo Lessa”. Instalado no edifício da Faculdade de Teologia de São Paulo da IPI do Brasil, o espaço dá continuidade a um trabalho iniciado há mais de duas décadas e amplia o acesso do público a um patrimônio que atravessa gerações. Uma catalogação ainda está em curso, mas é possível afirmar que o museu reúne milhares de itens no seu acervo, entre documentos, fotografias e objetos tridimensionais.

A celebração reuniu pastoras e pastores, professoras e professores, estudantes, lideranças da igreja e representantes de famílias históricas do presbiterianismo brasileiro. A data escolhida não foi casual: coincidiu com o Dia do Professor, o que deu ao culto de ação de graças um duplo motivo de gratidão: o ensino e a memória.

“Temos dois motivos de gratidão a Deus neste culto de ação de graças. O primeiro é que hoje é o Dia do Professor. O segundo motivo é a inauguração da nova sede do museu da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil”, anunciou o Rev. Marcos Nunes, diretor da FATIPI.

 

Público presente na reinauguração do museu.

 

Uma história que começa muito antes das vitrines

O museu preserva a memória da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil e contribui para a preservação da história do protestantismo brasileiro. Seu patrono, o Rev. Prof. Vicente Themudo Lessa, foi um dos organizadores da IPI do Brasil, em 1903, e um dos pioneiros da historiografia protestante nacional.

A trajetória institucional, porém, é mais recente. O antigo Museu e Arquivo Histórico “Rev. Vicente Themudo Lessa” foi inaugurado em 2005 e, posteriormente, instalado no edifício-sede da IPI do Brasil, onde permaneceu até agosto de 2026. A nova sede dá continuidade ao compromisso de preservar, organizar e compartilhar o acervo.

Rev. Éber Lima: curador do museu.

Durante a cerimônia, o curador do museu, Rev. Éber Ferreira Silveira Lima, reconstituiu essa caminhada:

“O museu é a concretização de um sonho de muitas décadas, de mais de 120 anos de história. Começou com os fundadores da nossa igreja: pastores e presbíteros que lideraram a IPI do Brasil desde 1903 e que, desde aquele início de muita luta e sacrifício, foram colecionando documentos para que tivéssemos uma memória presbiteriana independente.”

Ele lembrou que o pontapé inicial se deu no centenário da Igreja, em 2003, quando a Comissão de História e Museu foi encarregada de montar uma exposição histórica. Dois anos depois, em 24 de abril de 2005, o museu foi oficialmente instituído. “É a nossa data de nascimento”, disse.

O curador também destacou a função de um museu, resumida em quatro verbos: “captar acervo, catalogar o material que capta, conservar e comunicar“.

 

Entre o púlpito e a sala de aula

A ligação entre memória e ensino percorreu toda a celebração. Na meditação baseada em Marcos 6.30-44, o moderador da Assembleia Geral da IPI do Brasil, Rev. Sergio Gini, propôs que as duas celebrações da noite, a formação de novos pastores e a preservação da história, não são opostas.

“O professor recebe uma herança, trabalha com ela e a transmite. O museu preserva uma herança e a torna acessível a quem precisa conhecê-la. Ambos nos ajudam a compreender que não começamos do nada e que aquilo que recebemos não deve terminar em nós”, afirmou.

Rev. Sergio Gini: “o museu é IPIB!”.

Sob o tema “O olhar do Mestre: ensinar porque a graça abre possibilidades”, o Rev. Gini refletiu sobre o cuidado de Jesus com a multidão e com os próprios discípulos cansados. “Quem cuida também precisa ser cuidado”, advertiu, dirigindo-se às lideranças da igreja: “Agradecer aos docentes é importante, mas a gratidão também deve alcançar as condições para que eles exerçam sua vocação.”

O moderador relembrou ainda os fundadores da IPI do Brasil. “Dos sete pastores que participaram de sua fundação, em 1903, apenas um, Rev.  Caetano, não era professor. Os outros seis eram professores. O ensino marcou a igreja e também a educação brasileira.”

Ele citou nomes como o Rev. Eduardo Carlos Pereira, pastor e gramático; Otoniel Mota, filólogo e professor; o Rev. Ernesto de Oliveira, chamado no Paraná de “o sábio do Paraná”; o Rev. Bento Ferraz; o Rev. Alfredo Borges Teixeira, catedrático por mais de cinquenta anos; e o próprio Rev. Vicente Themudo Lessa, primeiro historiador do presbiterianismo nacional.

 

Memórias que podem ser vistas

O acervo reúne objetos, documentos, fotografias, livros, periódicos e registros que testemunham a trajetória da fé, da educação, da cultura e da atuação da igreja. Entre as peças de destaque estão púlpitos, cálices e objetos litúrgicos, vestes pastorais, documentos, fotografias e retratos de personagens importantes do presbiterianismo brasileiro.

Há preciosidades como Bíblias impressas no século XIX, exemplares históricos de “O Estandarte”, documentos dos primeiros concílios da IPI do Brasil e a chamada “Foto nº 1”, registrada em 1º de agosto de 1903, que reúne pastores e presbíteros fundadores da igreja. O museu conserva ainda milhares de fotografias das igrejas presbiterianas independentes de todo o Brasil.

O diretor executivo da Fundação Eduardo Carlos Pereira, Presb. Ítalo Francisco Curcio, explicou que o museu ocupa o prédio inteiro. “Aqui é o coração do museu, este 3º andar. Porém, o Museu Presbiteriano Brasileiro está no prédio inteiro, desde o 2º subsolo, onde temos a reserva técnica instalada”. No térreo, uma linha do tempo abre a visitação; no 1º andar, a capela guarda mesa da comunhão e púlpito históricos; no 2º andar, há acervo artístico doado pela artista Glauci, esposa do Rev. Julio Zabatiero, e uma doação em vida do Rev. João Wilson Faustini, com partituras originais, diplomas e móveis.

“Este museu hoje se abre para a comunidade. É um museu da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil para todo o povo brasileiro”, afirmou o Presb. Ítalo.

 

MOMENTO DE ORAÇÃO. Da esquerda para a direita: Rev. Éber Lima (curador do museu), Rev. Sergio Gini (presidente da AG da IPIB), Prof. Rev. Marcos Nunes (diretor da FATIPI), Presb. Eng. Heitor Pires Barbosa Júnior, presidente da Fundação Eduardo Carlos Pereira e Presb. Ítalo Curcio, diretor executivo da Fundação Eduardo Carlos Pereira.

 

Bisneto do Rev. Eduardo Carlos Pereira destaca avanço do novo espaço

A celebração contou ainda com a presença de representantes da família do Rev. Eduardo Carlos Pereira, um dos fundadores da IPI do Brasil. Em nome dos descendentes do patriarca, o Dr. Carlos Pereira de Magalhães dirigiu-se aos presentes com emoção, agradecendo a acolhida e reafirmando o compromisso da família com a continuidade da obra iniciada pelo bisavô. “A família está sempre orgulhosa de ter essa tradição, mas precisamos continuar trabalhando, divulgando o evangelho, para continuarmos com o trabalho que meu bisavô começou”, afirmou, destacando que a nova sede do museu representa um avanço significativo, “Agora estamos com uma instalação bem melhor, que ainda propicia não só ver, mas também estudar, pesquisar e desenvolver trabalhos para o engrandecimento do reino de Deus.”

 

Rostos que ganham nome

Entre as novidades apresentadas, o curador destacou uma exposição inédita. “Aqui na outra sala temos a primeira e única coleção que apresenta os 15 presbíteros fundadores. É a primeira vez que se expõem, em 123 anos de história, os rostos, as faces dos 15 presbíteros fundadores.”

O público também poderá ouvir uma voz do passado. Em um púlpito encostado à parede, um QR Code leva ao único registro de áudio conhecido de um dos sete fundadores da IPI do Brasil: uma saudação do Rev. Alfredo Borges Teixeira ao Congresso de Senhoras, em 1967.

A tecnologia, segundo o presidente da Fundação Eduardo Carlos Pereira, Presb. Heitor Pires Barbosa Júnior, deve ser ampliada. “A gente espera multiplicar isso bastante, para que as pessoas interessadas possam aprender um pouco mais e ver a história da nossa igreja.”

 

O cuidado com a memória

A cerimônia foi marcada por relatos que ilustram a fragilidade  e a resistência dos acervos históricos. O Rev. Éber agradeceu a irmãos que, antes da existência de um espaço próprio, guardaram material precioso em suas próprias casas por décadas. “Se não fosse guardado, teria ido para o lixo, para o esquecimento”, disse, citando nomes como o Rev. Eduardo Carlos Pereira, o Rev. Vicente Themudo Lessa, o presb. Remígio da Cerqueira Leite, o Rev. Azor Etz Rodrigues, o Presb. Benjamin Themudo Lessa, o Presb. José Faustini e o Rev. Roberto Vicente Cruz Themudo Lessa.

O ex-presidente da Assembleia Geral, Rev. Assir Pereira, recuperou uma história que ilustra bem o descuido com que, muitas vezes, tratamos a memória da igreja.  Um quadro do Rev. Eduardo Carlos Pereira encontrado em um almoxarifado, coberto por objetos e com um rasgo “foi recuperado, restaurado e levado para o Museu Nacional. Um homem de Deus que cresceu em Betel, lar da igreja, tornou-se um dos maiores restauradores do Brasil. Vocês vão olhar e não vão conseguir ver onde está esse rasgo no quadro”. O episódio serviu de advertência: “É isso que o irmão acabou de dizer: o cuidado ou desprezo que às vezes temos pela memória. Isso é importante”, completou.
Para o secretário executivo da IPI do Brasil, Rev. Wellington Camargo, a noite deixou mais do que uma celebração, deixou um chamado. “Eu posso dizer que o que mais me chamou atenção nessa noite foi ver a alegria de muitas pessoas celebrando uma história tão bonita de contribuição para o evangelho no Brasil. E essa história nos inspira a sermos muito mais cuidadosos, dedicados, e pensarmos em como nós podemos, a nossa geração também, contribuir para a igreja brasileira. Que Deus nos abençoe nos passos que nós devemos dar agora à frente”, afirmou.

O Rev. Sergio Gini também fez questão de sublinhar a unidade institucional. “O museu é IPI, a Fundação é IPI, a FATIPI é IPI. Nós não somos departamentos estanques e separados; tudo isso é a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.”

 

Doações e novos projetos

A noite reservou ainda anúncios. O Rev. Gini informou que o museu lançará a Revista do Museu, publicação científica, voltada à divulgação do acervo. Ele mesmo assina um artigo sobre o patrono do museu.

Também foi anunciada a proposta de implantação do mestrado profissional em Teologia, a ser encaminhada à Comissão Executiva da IPI. “Isso é valorizar a FATIPI, a educação teológica, este museu e este ambiente de pesquisa, que servirá também para projetos, pesquisas, teses e monografias”, afirmou.

Entre as doações recebidas, o próprio Rev. Gini relatou a recuperação de parte de uma toalha de Santa Ceia bordada com os nomes dos membros da IPI de Paranavaí, PR, em 1969, ano de seu batismo. “A toalha foi rasgada. Uma peça de mais de 50 anos foi rasgada, mas alguém guardou uma parte dela dentro do bumbo da bateria, para abafar o som.” O fragmento resgatado traz o nome de sua família e agora integra o acervo.

 

 

Dedicação e serviço ao público

O ponto alto da celebração foi a dedicação das novas instalações. “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, dedicamos este espaço para a honra e glória do Senhor Jesus Cristo e para servir à sua igreja”, proclamou o Presb. Ítalo.

Ao final, o Rev. Éber fez um apelo: “Peço aos irmãos encarecidamente que orem pelo Museu Presbiteriano Brasileiro, para que ele possa cumprir uma missão de fé, uma missão de inspiração.” E deixou um convite:

“Este museu não fala só do passado: fala a respeito de nós, do nosso presente e do nosso futuro. Nós não poderemos jamais ser uma igreja consciente se este passado não nos inspirar.”

 

Madrigal da Catedral Evangélica de São Paulo: apresentação musical na reinauguração.

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Serviço

Museu Presbiteriano Brasileiro “Rev. Prof. Vicente Themudo Lessa”

Endereço: Rua Genebra, 180 — Bela Vista, São Paulo (SP) — CEP 01316-010

Visitação:

  • Segunda a sexta-feira: das 10h às 16h (acesso livre)
  • Sábados: das 9h às 12h (com prévio agendamento e visita monitorada)

Agendamento de visitas monitoradas e pesquisas:

  • Telefone: (11) 5028-7311
  • E-mail: contato@museupresbiteriano.org.br
  • Site: www.museupresbiteriano.org.br

 

 

 

 

 

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ASSISTA, NA ÍNTEGRA, À CERIMÔNIA DE REINAUGURAÇÃO DO MUSEU:

 

Foto de Sheila Amorim

Sheila Amorim

Jornalista e gestora da agência Vida&Caminho. Membro da IPI de Cidade Patriarca, São Paulo, SP

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