A igreja é o espaço comunitário de desenvolvermos nossa espiritualidade cristã. Há quem a rechace como instituição ou rejeite tudo aquilo que esteja ligado a ela, mas há aqueles que frequentam e experimentam o processo de desenvolvimento da espiritualidade em comunhão com seus irmãos de fé.
É possível ter uma espiritualidade sadia fora da igreja?
É possível desenvolver uma espiritualidade cristã sadia sem pertencer ou participar de uma igreja? Alguns dizem que sim. No entanto, na leitura atenta do Novo Testamento, verificamos que a igreja – com seus defeitos e virtudes – é aquilo que o apóstolo Paulo chama de Corpo de Cristo. Nela se encontram aqueles que estão dispostos a seguir a Jesus dividindo fardos, suportando uns aos outros, compartilhando alegrias, conquistas, lutas e desafios com pessoas que estão ali com o mesmo propósito: seguir na vida a partir do chamado cristão.
Todas as vezes que pessoas se reúnem e passam a conviver, a manter relacionamentos, seja no ambiente da igreja ou em qualquer outro ambiente (profissional, escolar, familiar etc), haverá aproximações e afastamentos, comunhão e rompimentos, alegria e tristeza, conexões e incompreensões. Isso faz parte da nossa natureza humana. Há quem pense que a igreja é um espaço diferente, marcado apenas pelos aspectos positivos da convivência.
Assim, se olharmos pelas lentes do potencial da igreja de fomentar aspectos positivos da espiritualidade na vida das pessoas (comunhão, acolhimento, alegria, esperança, conexões saudáveis com pessoas e com Deus etc.), ela se constitui num espaço terapêutico. Por outro lado, se a julgarmos pelos depoimentos de muitos que se desenganaram com a igreja e estão afastados, desgostosos e ressentidos com a instituição, ela seria, na verdade, um espaço que prejudica e adoece espiritualmente as pessoas. Em qual igreja você acredita: naquela que promove saúde espiritual e emocional nas pessoas ou naquela que as adoece?
Quatro funções de uma igreja como comunidade terapêutica
A igreja é feita de pessoas. Você que lê este artigo é a igreja. Eu sou a igreja. Nós formamos a igreja. Às vezes, seguimos nossa vida na igreja sem reflexão, sem perceber que podemos ser veículos de restauração, saúde, harmonia, crescimento, alegria, comunhão e conexão, mas que também podemos ser pedra de tropeço, motivo de rompimentos, de mágoas e ressentimentos, afastamento e desilusão com a igreja.
Às vezes, seguimos nossa vida na igreja sem reflexão, sem perceber que podemos ser veículos de restauração, saúde, harmonia, crescimento, alegria, comunhão e conexão.
Alguns autores da Teologia apontam quatro funções da igreja que precisam estar vivas para que ela se torne uma comunidade de cura, de crescimento, de comunhão, uma verdadeira comunidade terapêutica: a capacidade de curar, de sustentar, de guiar e de reconciliar. Estas propriedades da igreja são extraídas das características da Igreja Primitiva que temos exposta no Novo Testamento. Vamos discutir cada uma delas:
- Curar
Este termo pode ser entendido como a capacidade de tornar inteiro, íntegro, e, quando aplicado à igreja, se traduz pelo potencial da igreja de corrigir desarmonias e deteriorações nas relações interpessoais, recuperar a integralidade e levar as pessoas a se desenvolver na direção da saúde física, emocional e espiritual.
- Sustentar
Trata-se da ajuda que a igreja oferece à pessoa em sofrimento ou em crise, fazendo-a perseverar e a transcender as circunstâncias que a têm prejudicado, causado dor, aflição e levando-a a situações angustiantes. A comunhão dos crentes tem o poder de sustentar, de manter firme aquele que está débil e fraco.
- Guiar
É a assistência pastoral de toda a igreja diante da iminência de decisões frente aos conflitos da vida. A vida comunitária torna a caminhada mais agradável e segura. As indecisões e bifurcações da existência humana, que muitas vezes levam as pessoas a situações de conflito e insegurança, podem ser superadas pela instrução na Palavra de Deus e no sustento da comunidade de fé.
- Reconciliar
Vivemos em um mundo marcado pelo rompimento. A igreja é a instituição que tem o potencial de facilitar o restabelecimento de relacionamentos rompidos entre o indivíduo e Deus, entre as pessoas feridas por conflitos e divisões, entre as pessoas e a natureza que Deus nos dá, entre grupos e na sociedade.
Precisamos nos livrar do modelo que coloca sobre o ombro apenas dos pastores tais responsabilidades da igreja. Como afirmado acima, você é a igreja. Eu sou a igreja. Nós formamos a Igreja de Cristo. Cabe a cada um de nós vivermos em comunhão, pedindo a direção do Senhor da Igreja para que possamos ser instrumentos de cura, sustento, guia e reconciliação.
Você está disposto a contribuir para que a sua igreja seja uma comunidade terapêutica?
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Nota do Autor
Eu escrevi um artigo intitulado “A RELIGIÃO E O SEU PODER DE CURAR E ADOECER”, que foi publicado na revista Teologia e Sociedade, da FATIPI – Faculdade de Teologia de São Paulo da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Lá eu discorri sobre outros muitos aspectos da capacidade de curar e adoecer da igreja. Se quiser ler, baixe a revista AQUI.







