Antes que sua igreja morra…

Sem oração, a igreja se perde na autossuficiência do mundo e principia sua própria morte. Conheça o MNO - Movimento Nacional de Oração - da IPI do Brasil

 

A igreja contemporânea abandonou a oração como fundamento de sua sobrevivência – é o que denuncia o Rev. Juliano Lopes, coordenador do Movimento Nacional da Oração da IPI do Brasil. A antiga “igrejinha dos milagres” só assim era porque orava.

Na entrevista a seguir, ele:

  • Compartilha os planos do MNO para 2026;
  • Compara a visão de Jesus sobre oração com a prática da igreja local;
  • E adverte: “O ponto de partida da morte da igreja é o abandono da oração como uma ferramenta espiritual para gerar vida e dependência de Deus”.

 

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Entrevistado: Rev. Juliano Sanchez Lopes

Iniciativa: Movimento Nacional de Oração (MNO)

 

 

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SOBRE O MOVIMENTO NACIONAL DE ORAÇÃO (MNO)

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Por favor, explique ao leitor(a) qual os objetivos do MNO e como ele se encaixa no organograma da IPIB?

Olha que pergunta desafiadora! Nossa missão é despertar um Movimento de Oração na IPI do Brasil que edifique o intercessor e abençoe as igrejas locais e esteja alinhado à direção do Espírito Santo. Temos vários objetivos como Movimento Nacional de Oração (MNO). No momento de sua aprovação junto a AG de 2019, foram pautados os seguintes objetivos:

  • Unir a IPIB pela busca de uma maior intimidade com Deus;
  • Fortalecer as estruturas de oração nas igrejas da rede IPIB;
  • Capacitar os membros das igrejas na disciplina da oração;
  • Ampliar o atendimento das orações;
  • Ter os grupos de oração externos como alternativa de evangelização;
  • O sucesso dos programas de revitalização e crescimento.

Estes objetivos estão sempre em nosso olhar. Após a implementação do MNO, estabelecemos diversas ações para alcançar estes propósitos.

Hoje, o MNO está ligado ao Gestor Ministerial, Rev. Jean Carlos Selleti, junto com as outras secretarias da IPI do Brasil, tais como Secretaria de Adultos, Juventude, Crianças, Revitalização etc.

 

Quais os maiores desafios para o alcance desses objetivos?

Temos muitos desafios para transpor. Um deles é um “vácuo geracional” que foi estabelecido na transição das gerações passadas. Nossa Igreja já foi conhecida como “Igrejinha dos Milagres”, e eu creio que isto se devia à vida de oração. Uma Igreja que valorizava e vivia o fervor na vida de devocional. Os cristãos viveram com intensidade a busca pela presença do Espírito Santo em suas vidas.

 

Nossa Igreja já foi conhecida como “Igrejinha dos Milagres”, e eu creio que isto se devia à vida de oração.

 

Estes são os relatos do nascimento e estabelecimento de nossa IPI do Brasil. Homens e mulheres que se dedicavam a oração constante e fervorosa. Com o passar dos anos, e algumas dificuldades internas, tais como, divisões por causa de posicionamento teológicos e, em especial, por causa da doutrina do Espírito Santo, creio eu, que estes problemas internos demandaram tempo, esforço e muita energia, e acabaram ofuscando a prioridade da oração no coração da IPI do Brasil.

As gerações seguintes foram impactadas por uma forte onda de uma busca teológica e prática pela identidade da Igreja. O tema da oração foi relegado ao segundo plano. A reunião de oração do meio de semana se tornou mais um momento de se ouvir um sermão teológico, e hinos a serem entoados, e uma ou outra oração por um dos líderes da Igreja local. E assim chegamos a nós e nosso tempo.

Hoje esbarramos em algumas dificuldades: falta da prática da oração sincera, pessoal e devocional; indiferença para com as Disciplinas Espirituais; medo de novas divisões e talvez o mais difícil a ser ultrapassado: a oração como uma prioridade para a liderança local, desde pastores e pastoras, conselhos e líderes de ministérios e o próprio povo de Deus, trabalhando muito para estabelecer uma igreja sem oração. Não estou acusando “este ou aquele” líder ou liderança; estamos vendo a nossa Igreja dia a dia perder o seu vigor a até algumas delas sendo fechadas e ou se tornarem congregações novamente. Igrejas estão morrendo. E cremos que o ponto de partida é o abandono da oração como uma ferramenta espiritual para gerar vida e dependência de Deus na Igreja.

 

Como você pretende alcançar esses objetivos?

Desde o seu nascimento, o MNO tem buscado envolver a IPI do Brasil com:

  • Lives: vigílias de oração transmitidas das Igrejas locais para toda IPIB;
  • Implantação das Torres de Oração: Nacional (todos os sete dias da semana), Presbiterial (todos os 62 Presbitérios), Local (todas as IPIs e Congregações – ainda em implementação) e temáticas (Diretoria, FATIPI, Pastoras; Jubilados e outras);
  • Estabelecimento das lideranças dos Coordenadores Presbiteriais do MNO;
  • Estabelecimento de uma Agenda de Oração na IPI do Brasil acolhida no Calendário oficial da denominação: Dia Mundial de Oração, Pentecostes, Reforma etc.;
  • Escola de Oração, ação que visa treinamento e qualificação dos Intercessores e Intercessoras da IPI do Brasil;
  • E o estabelecimento das lideranças regionais do MNO que apoiarão e fomentarão os trabalhos dos Coordenadores dos Presbitérios.

 

O que há de planejado para 2026?

Nossas ações se dividem em três frentes de trabalho:

1) Escola de Oração, que é um treinamento de segunda-feira a sexta feira, em três horários: 10h, 16h e 22h, gratuitos pela plataforma de vídeo conferência, com pastores e pastoras, líderes de oração das Igrejas locais, com temas diversos voltados para a prática da oração, Disciplinas Espirituais, do Espírito Santo, da Oração na Bíblia e do funcionamento do MNO. E as Escolas de Orações Presbiteriais, organizadas pelos próprios Presbitérios.

2) A questão estrutural focando no levantamento de liderança presbiterial e regional e por último as transmissões via internet de eventos tais como: Semana de Pentecostes, Semana de Oração da IPIB, Semana da Reforma, Vigílias Nacionais transmitidas a partir de uma Igreja Local,

3) E estamos orando e planejando um Encontro (presencial) de Intercessores.

 

A IPIB é uma denominação nacional. Considerando as dimensões continentais do nosso país, como envolver e engajar mais igrejas locais no trabalho do MNO?

Nossa estratégia é chegarmos até as 556 Igrejas locais por meio dos 62 Presbitérios. Em cada Presbitério é nomeado um representante do MNO para ser a força e a voz do MNO em sua região. Então nossa tarefa é fortalecer e envolver estes representantes para que o MNO sirva como uma boa ferramenta no despertamento dos intercessores e intercessoras das Igrejas locais e dos Presbitérios.

Para isso, utilizamos as Torres de Oração (Nacional, Presbiterial e Local). Elas são a porta de entrada para os intercessores no MNO. Participando das Torres, estes homens e mulheres são incentivados a serem capacitados por meio da Escola de Oração, do Presbitério e do MNO e a se engajarem em uma vida devocional ativa e abençoadora, para o intercessor e para igreja local e Presbitério.

Novos desafios serão trazidos ao arraial presbiteriano, tais como: Torre de Oração da Vizinhança, Programa de Amor ao Próximo (PAPs), material de crescimento espiritual no YouTube: Escola de Oração – MNO (este já em funcionamento. Acesse aqui) e outros que o Espírito Santo nos der a realizar.

 

Recentemente, o MNO teve uma transição de liderança: saiu o irmão Edgar Meneses e você entrou. Qual a importância do irmão Edgar para a história deste MNO? Ele ainda está envolvido?

Esta história é muito boa de contar. O irmão Edgard Meneses é um presente de Jesus para a IPI do Brasil, um homem qualificado, professor universitário e empresário, crente em Jesus e que ama a oração. Deus o usou para estabelecer os primeiros passos do MNO, contando com a ajuda de vários outros homens e mulheres que o Senhor foi usando para que, em dedicação e empenho, o MNO nascesse e se estruturasse como uma ferramenta útil na vida da IPI do Brasil, um verdadeiro movimento nas mãos de Deus.

Há mais de dois anos, o Edgard tem falado sobre a necessidade de termos uma mudança na coordenação. Este tempo chegou em janeiro de 2026. O Edgard está e estará conosco sempre. Agora ele é o responsável pela Escola de Oração/ MNO, que demanda muito tempo. Meu papel está direcionado no relacionamento com a diretoria da IPIB, com os presidentes de Presbitério, nas aulas da Escola de Oração, nas Semanas de Pentecostes, Reforma e outras, nas vigílias nacionais, no levantamento e orientação dos líderes regionais e algo muito importante: estar atento, junto com o nosso Conselho Diretivo (líderes das Torres de Oração Nacionais, Coordenador da Escola de Oração e líderes regionais), de ouvir e se deixar ser dirigido pelo Espírito Santo a novos caminhos. Tudo fazemos debaixo de oração e de consenso.

Resumindo: foi uma transição pacífica abençoada por Deus, em consenso e apoiada pela diretoria da IPI do Brasil. Agora o que eu mais necessito são orações dos intercessores e intercessoras da IPI do Brasil. A tarefa é grande e eu não quero atrapalhar o movimento do Espírito Santo!

 

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SOBRE A VISÃO CRISTÃ DA ORAÇÃO

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Jesus orava regularmente – mas principalmente nos momentos mais cruciais. O que Cristo nos ensina sobre essa prática tão importante para a vida cristã?

A vida e o ministério de Jesus são marcados por oração. Tempo de profunda intimidade, submissão à vontade do Pai e sendo exemplo para os seus discípulos e para a multidão que o cercava. Assim era a vida de oração de Jesus.

Podemos trazer apenas um exemplo disto.

Em Mateus 6.5-13, Jesus está no monte proferindo seus ensinamentos e fala abertamente sobre oração, sobre a necessidade de orar, sobre a profundidade da oração, sobre a abrangência da oração. Este é o início do seu ministério. Em João 17, após a última Ceia e a caminho da crucificação, ele interrompe tudo para orar por si e pelos seus discípulos. E depois vai para outro momento de oração pessoal, solitária e intransferível no Getsêmani. O início e o fim do ministério de Jesus são marcados pela presença da oração, da dedicação de tempo e de um grande esforço pessoal e espiritual para que esta prática fique registrada não apenas no texto da Palavra, mas também nas vidas dos seus discípulos.

 

O início e o fim do ministério de Jesus são marcados pela presença da oração

 

 

O quanto as igrejas atuais têm uma visão parecida com Jesus a respeito da oração?

O que vemos na prática segue mais ou menos a seguinte ordem:

  • Fazemos planos;
  • Envidamos esforços;
  • Liberamos orçamentos;
  • E depois vamos orar para pedir que Deus abençoe o que vamos realizar.

 

O que vemos com Jesus é:

  • Antes de escolher os discípulos, ele vai orar;
  • Antes de iniciar o seu ministério, ele vai para o deserto, levado pelo Espírito Santo para jejuar e orar;
  • Antes de caminhar para cruz, ele está com os seus discípulos, em oração, e até pede para Deus “livrá-lo deste cálice”, mas se inclina à Vontade do Pai.

 

Jesus sempre foi orar primeiro. Nós nos casamos, compramos e vendemos, vamos à Igreja, exercemos ministérios, enfim, fazemos tudo antes e depois vamos pedir a Jesus que nos abençoe. Será que tem algo errado?

Eu creio que temos uma visão acertada de Jesus, que é poderoso e faz maravilhas e sinais na nossa vida e na vida da Igreja, mas não temos a dependência de Deus que Jesus teve:

“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. (Mt 6.33).

Veja como esta realidade espiritual é vivenciada na prática: João 4.34. Disse Jesus: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e concluir a sua obra.”

O Pai preparou de antemão “para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Ef 2.10).

Em nossa ânsia por fazer, realizar, primeiro planejamos e só depois oramos. A IPI do Brasil quer inverter isso? Só para citarmos mais uma Palavra de Jesus: “Vocês estão enganados porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus! (Mt 22.29).

Entre os diversos pedidos de oração das Torres Nacionais, um sempre se faz presente: Conhecer mais de Jesus e de sua Palavra.

 

Em nossa ânsia por fazer, realizar, primeiro planejamos e só depois oramos.

 

 

Você acha que a prática da oração está em crise nas igrejas locais? Se sim, por quê?

Eu creio que nossa geração recebeu a crise da ausência da prática da oração. Precisamos de uma nova “evangelização” sobre oração, pois esta geração sabe pouco – ou quase nada – sobre o assunto. Ouvimos frequentemente em nossos cursos testemunhos de pessoas que estão na Igreja há “tantos anos” e nunca ouviram falar sobre Disciplinas Espirituais, tais como: jejum, meditação e contemplação. Elas nunca foram desafiadas à oração como estilo de vida, e não como um momento no culto dominical. São crentes que não sabem realizar um tempo de devocional para ler, ouvir Deus falar por meio das Escrituras e, depois, orar pelo que recebeu do Senhor.

 

Se você pudesse dar alguns conselhos práticos para os líderes locais a respeito do desenvolvimento da prática da oração em suas igrejas locais, quais seriam?

Olha que bênção esta questão prática! Gostaria de trazer algumas orientações:

1) Valorize o que já está acontecendo. Se a Igreja tem um grupo que ora – geralmente, algumas irmãs mais idosas – junte-se a ele e traga outras pessoas. Crie outros momentos de oração durante a semana (bem cedo ou no início da noite);

2) Transforme a Liturgia do Culto, trazendo para ela as orações que o Manual do Culto da IPIB nos orienta. Participações de vários membros orando, oração de confissão coletiva, oração de dedicação após a mensagem, oração pelo povo realizada no culto, intercessão antes do início do culto.

3) Traga propósito para a reunião de oração da igreja: orar mais e com mais objetividade. Ore por exemplo, por:

  • Vizinhos da igreja ou dos membros;
  • Familiares que não são convertidos;
  • Pessoas que estão afastadas da comunhão;
  • Gerações que estão longe da Igreja: jovens e adolescentes, jovens casais, crianças;
  • Novos convertidos;
  • Missões e plantação de Igrejas;

 

4) Tenha a prática de se reunirem para uma Vigília de Oração. Comece realizando uma vigília mensal, e que ela seja bem dinâmica, com a participação de todos os ministérios da Igreja. Será uma benção!

 

Como os irmãos e irmãs da IPI podem fazer contato com o MNO e como eles podem se envolver as atividades do Movimento?

Claro que podem!

Os interessados podem entrar em contato diretamente comigo:

 

Ou podem entrar em contato diretamente com Coordenador Presbiterial de sua região. Pergunte ao seu presbitério.

 

Qual o seu testemunho pessoal sobre o trabalho de coordenar o MNO?

Estar no MNO desde o seu início tem sido uma grande alegria. Ser o atual Coordenador Nacional do MNO é um grande desafio, mas também me coloca com um grupo maravilhoso da Igreja de Jesus: os intercessores e intercessoras. Eles e elas estão aí… nas igrejas. Parte do trabalho do MNO é reunir, mobilizar e treinar estes homens e mulheres do Senhor para que a IPI do Brasil ore sem cessar! Para que os ministérios da Igreja local sejam cobertos com as orações que são levantadas a Deus por sua Igreja. Lidar com este povo é maravilhoso, o que mais temos em nossos encontros são: testemunhos, palavras e desafios vindos da parte de Deus para a Igreja DEle. Eu só fico vendo o que Deus está fazendo e agradeço a cada instante.

 

Parte do trabalho do MNO é reunir, mobilizar e treinar estes homens e mulheres do Senhor para que a IPI do Brasil ore sem cessar!

 

 

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SOBRE O REV. JULIANO SANCHEZ LOPES

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Rev. Juliano Sanchez Lopes, coordenador do Movimento Nacional de Oração (MNO).

Sou casado com a Márcia, que é um presente de Deus para minha vida e uma grande incentivadora do meu ministério e intercessora em nossa Torre da IPI Central de Presidente Prudente, SP. Meus filhos são:

  • Joaquim (15 anos) é diácono em treinamento da Igreja e voluntário no ministério infantil
  • Juliana (11 anos), descobrindo que canta agora.

Servimos ao Senhor com todo o coração e alegria.

Também tenho um programa na internet de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 8h15 desde 24/06/2020 e agora com um novo desafio: sendo transmitido pela Rádio Vida e Caminho da IPIB: ipib.org.br/radio.

Formação

  • Formado pelo Seminário Teológico de Londrina em 10/12/1994;
  • Ordenado pelo Presbitério de Presidente Prudente em 17/12/1995;
  • Mestre em Teologia Prática pela Faculdade de Teológica Sul-Americana (FTSA), Londrina 12/12/2003;
  • Bacharelado em Teologia pela CESUMAR (Centro Universitário de Maringá), 14/08/2010;
  • Especialista em Docência no Ensino Superior pela CESUMAR, 05/08/2013;
  • Especialista em Missões: Bíblia: Pregação e Missão pela FATIPI, 05/05/2026;
  • Pastoreando a IPI Central de Presidente Prudente desde 01/01/2020.

 

 

Foto do topo: magnific.com

 

Foto de Lissânder Dias

Lissânder Dias

Jornalista, editor de livros, membro da 2a IPI de Maringá, PR, e editor-chefe do portal O Estandarte

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