Entrevistada: Reva. Tabta Rosa de Oliveira
Secretaria Nacional das Crianças
SOBRE A SECRETARIA NACIONAL DAS CRIANÇAS
Por favor, explique ao leitor(a) qual os objetivos da sua secretaria nacional?
Nossa intenção é servir às igrejas locais no cuidado, na formação e na integração das crianças à vida comunitária.
Entendemos que um dos primeiros objetivos é tornar o tema das crianças na igreja uma pauta relevante, abrindo espaço para a escuta das infâncias em nossas comunidades. Desejamos contribuir para uma mudança de cultura, em que a criança seja vista, ouvida e considerada parte ativa do corpo de Cristo.
De forma prática, a primeira fase do nosso trabalho consiste na elaboração de conteúdos institucionais que expressem nossa compreensão sobre a criança e a igreja, bem como diretrizes sobre a segurança da criança no ambiente eclesiástico, promovendo alinhamento entre as nossas comunidades.
Na sequência, esses conteúdos serão desdobrados em cursos e formações, tanto on-line quanto presenciais, com o objetivo de ampliar o alcance e fortalecer essa visão nas igrejas locais.
Quais os maiores desafios para o alcance desses objetivos?
Acredito que alguns fatores podem representar desafios para o alcance desses objetivos. Entre eles, destaco a diversidade de perfis das nossas igrejas, a grande extensão territorial do país e a presença do “adultocentrismo” como uma cultura que ainda influencia a forma como nos relacionamos com as crianças.
Além disso, também lidamos com resquícios de práticas pedagógicas que pouco valorizam a escuta das crianças, o que pode dificultar a construção de uma cultura mais atenta às infâncias em nossas comunidades.
Como você pretende alcançar esses objetivos?
Pretendo ampliar o alcance dos conteúdos produzidos pela secretaria por meio de cursos e formações, tanto presenciais quanto on-line.
Além disso, já estamos desenvolvendo parcerias com as Secretarias de Revitalização e Evangelização, contribuindo com mentorias e aulas nos cursos oferecidos pelo CTM (Centro de Treinamento Missionário), fortalecendo assim a integração e a capilaridade desse tema em nossas igrejas.
Também há a intenção de firmar novas parcerias com as demais secretarias de nossa igreja.
O que há de planejado para 2026?
Para 2026, está previsto o desenvolvimento de conteúdos institucionais que expressem nossa visão sobre a criança e a igreja, incluindo também diretrizes relacionadas à segurança da criança no ambiente eclesiástico.
Esses conteúdos serão complementados por materiais mais práticos, voltados ao planejamento e à condução do ministério com crianças nas igrejas locais.
Todo esse material fará parte de um planejamento mais amplo, que será desdobrado em cursos presenciais e conteúdos on-line, com o objetivo de formar, capacitar e apoiar as comunidades nesse processo.
Está previsto o desenvolvimento de conteúdos institucionais que expressem nossa visão sobre a criança e a igreja, incluindo também diretrizes relacionadas à segurança da criança no ambiente eclesiástico.
A IPIB é uma denominação nacional. Considerando as dimensões continentais do nosso país, como envolver e engajar mais igrejas locais no trabalho de sua secretaria?
O ambiente on-line é uma ferramenta importante para ampliar o alcance da nossa atuação, especialmente considerando as dimensões do nosso país.
Entendemos que os pastores são um público-chave nesse processo. Sem que eles tenham contato com o tema e reconheçam a importância das crianças na vida da igreja, torna-se muito difícil estabelecer uma cultura que valorize as infâncias em nossas comunidades.
Por isso, também acreditamos no envolvimento dos presbitérios como um caminho estratégico para alcançar as igrejas locais, promovendo esse diálogo de forma mais próxima, contextualizada e contínua.
SOBRE A VISÃO CRISTÃ DA CRIANÇA
Como Jesus via a criança no reino de Deus?
Jesus não apenas acolhia as crianças; Ele as colocava no centro como referência do Reino. Em textos como Marcos 10.13-16, vemos Jesus interrompendo uma lógica “adultocêntrica” para afirmar que o Reino de Deus pertence aos que são como elas.
A criança, para Jesus, não é um “vir a ser”, mas alguém que já participa da realidade do Reino. Ela nos ensina sobre dependência, confiança, humildade e abertura. Por isso, olhar para a criança a partir de Jesus é reconhecer sua dignidade, sua espiritualidade e sua capacidade real de se relacionar com Deus.
A criança, para Jesus, não é um “vir a ser”, mas alguém que já participa da realidade do Reino.
O quanto a igreja atual tem uma visão parecida com Jesus a respeito da criança?
Acredito que nossas igrejas não ignoram a importância da criança no Reino, contudo ainda operam a partir de uma lógica adulta, onde a criança é vista como alguém em preparação, e não como parte ativa da comunidade de fé no presente.
Aproximar-se da visão de Jesus implica não apenas cuidar das crianças, mas escutá-las, incluí-las e reconhecê-las como participantes da vida comunitária e da missão da igreja.
Se você pudesse dar alguns conselhos práticos para as igrejas locais a respeito do pastoreio das crianças, quais seriam?
Destacaria alguns pontos fundamentais:
- Escutem as crianças com intencionalidade: criar espaços onde elas possam se expressar, fazer perguntas e participar ativamente.
- Invistam na formação de líderes: avalie sua comunidade, divida a responsabilidade com as famílias e os demais ministérios das igrejas. Partilhe este desafio com a diaconia e com os jovens da comunidade por exemplo.
- Integração na vida da igreja: as crianças não pertencem apenas a um “ministério”, mas à comunidade como um todo.
- Cuidem da segurança integral: ambientes seguros físico, emocional e espiritualmente são essenciais.
- Valorizem a rotina como espaço de discipulado: tanto na igreja quanto nas famílias, os momentos simples são profundamente formativos.
- Mais do que programas, estamos falando de cultura: uma igreja que reconhece a criança como parte do corpo.
Como os irmãos e irmãs da IPI podem fazer contato com a Secretaria das Crianças e como eles podem se envolver as atividades da secretaria?
O contato com a Secretaria pode ser feito por meio dos canais oficiais da IPI do Brasil, especialmente pelas redes sociais e pelo e-mail: criancas@ipib.org
Por favor, traga um pouco da sua experiência ministerial até aqui. Sua formação, seu chamado, sua família etc.

Minha trajetória no ministério com crianças não seguiu um caminho linear. Muitas pessoas que não me conhecem imaginam que sempre fui professora e que minha primeira formação foi em pedagogia. E foi sim e não.
Recebi o chamado para trabalhar com crianças ainda muito jovem. Aos 11 anos, eu já servia no berçário da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de Sorocaba, cuidando das crianças durante os cultos. No entanto, naquele momento, ser professora não era um sonho do meu coração.
Segui outro caminho acadêmico e profissional. Me formei e me pós-graduei em Design, atuei como estilista em empresas reconhecidas, ocupei um cargo que me proporcionava experiências muito ricas, como viagens e contato com diferentes culturas. Era uma carreira promissora, que parecia algo que eu nunca deixaria.
Mesmo assim, o ministério com crianças nunca saiu da minha vida. Em paralelo à minha carreira, segui servindo e, em determinado momento, aceitei o convite para participar de uma plantação de igreja, hoje nosso Hub Sorocaba. Eu me dedicava intensamente às duas frentes, e, por um tempo, parecia que tudo estava equilibrado.
Mas o Senhor começou a redirecionar a minha caminhada. Primeiro, Ele me confrontou em relação ao ritmo de vida e à minha família. Com o nascimento da minha primeira filha, ficou claro para mim que a forma como eu vivia não era compatível com a maternidade que eu desejava exercer.
Foi então que iniciei uma transição de carreira. No início, pensei que seria apenas um ajuste dentro de um caminho comum a muitas mães, o empreendedorismo materno. No entanto, aos poucos, Deus foi conduzindo esse processo de forma mais profunda.
Senti um forte direcionamento para estudar as infâncias. Criei um negócio social voltado para encontros de brincar na cidade e, quanto mais me envolvia, mais crescia em mim o desejo de aprender. Esse movimento me levou ao mestrado em Educação.
Com mais tempo em casa e vivendo de perto a infância da minha filha, Deus foi ministrando ao meu coração de forma muito pessoal. Até que, em um encontro de liderança no Hub Sorocaba, experimentei um chamado claro para o pastoreio.
Naquele momento, eu trilhei o Mestrado e, em paralelo, a faculdade de teologia; e no fim deste caminho, tive a minha segunda filha. Foi um tempo intenso de mudanças para nossa família. Agradeço ao meu marido pelo apoio neste processo de transição.
Hoje, olhando para trás, consigo perceber como o Senhor usou cada etapa dessa jornada para me formar. Atualmente, sirvo como pastora de crianças na minha comunidade e como Secretária Nacional das Crianças.
Sigo em constante processo de aprendizado e me coloco à disposição das igrejas e, principalmente, das crianças para ouvi-las e, juntos, buscarmos caminhos possíveis para a vida das nossas comunidades, sempre atentos à voz do Senhor.
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Nota do editor:
Essa é a primeira das muitas entrevistas que “O Estandarte” fará com os secretários nacionais da IPI do Brasil. Então nos acompanhe por aqui ou no canal de WhatsApp da IPI do Brasil.
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