Estamos em contagem regressiva para outubro. O que será de nosso país após o pleito eleitoral, quando vamos escolher dirigentes em todos os graus? Temos a esperança de dias melhores nos esperam, mas, ao mesmo tempo, vivemos um clima de desconfianças e frustrações.
Nossa responsabilidade
É grande a nossa responsabilidade cívica – e, principalmente cristã – pois todas as promessas eleitorais que já estão sendo feitas, sempre foram englobadas pelos ensinos e recomendações de Jesus. Vamos mostrar o nosso título de eleitor, no exercício da cidadania, sabendo muito bem que, antes de tudo, somos cidadãos do Reino.
É nossa responsabilidade, portanto, mostrar com testemunho de fé “o que é agradável ao Senhor” (Ef 5.10). Paulo frisa que não é difícil hierarquizar os valores, seguindo o impulso da graça para caminhar na lei do Senhor. O apóstolo está acenando com um crepúsculo do tempo: a luz do mundo, fonte que nunca se esgota (Cristo), a felicidade (bem-aventurança num manancial) e o coração Redentor (sempre aberto para nos acolher).
É nossa responsabilidade mostrar com testemunho de fé “o que é agradável ao Senhor” (Ef 5.10).
O que fazer?
É a hora de pensar bem. Passamos por dias que sufocam a esperança de muitos (mas não a nossa), assistindo a episódios de descalabros, golpes financeiros, graves cenas de falta de justiça e ética, endêmicas violações morais e penais. É o cenário com que nos defrontamos. Surgiu uma nova diferença: os corruptos se uniram de forma extraordinariamente ecumênica, juntando direita, esquerda e o centrão num só balaio, dificultando um raciocínio que pretenda ter raízes, neutralizando quem pretendia arremessar pedras. Os telhados de vidro poderiam estilhaçar.
O que fazer? Pergunta difícil. A resposta precisa ser bem dada, como Daniel decifrou o misterioso sonho de Baltazar (Dn 5.27): ser pesado na balança da vida e considerado em débito seria algo desastroso. Primeiro, precisamos pensar no sofrimento da sociedade com seus mandantes poderosos, vários deles traindo a confiança que os contemplaram nas urnas. Evocando as Escrituras, podemos nos comparar aos filhos de Israel, cobrindo-nos de cinzas. E nos lamentar como Jeremias, que recebeu a graça de ouvir diretamente a palavra do Senhor: “que vês tu?” (Jr 1.11). Se fôssemos nós os privilegiados em ouvir essa pergunta, respondê-la exigiria de nossa parte olhar o que está acontecendo ao nosso redor.
O profeta respondeu que estava vendo uma amendoeira. O Senhor gostou, dizendo que ele havia visto bem. Trata-se de uma árvore frutífera, a primeira a florescer na primavera. Produz a amêndoa, citada também em Números, Gênesis e Êxodo. Simboliza vigilância e fidelidade. Vigiai, orai… a fidelidade produz frutos. O fruto é ótimo para a saúde e a figurada amêndoa nos mostra que a saúde moral, debilitada, pode – por nosso intermédio – ser tratada como caminho para a recuperação.
Riquíssima é a Palavra! Escolheremos quem irá governar sobre Israel num tempo de castigos, análogo aos tempos em que vivemos. Violadas as advertências proféticas das Escrituras, nas naves dos tempos modernos sentaram-se saduceus e fariseus.
Vigiai, orai… a fidelidade produz frutos.
O que estamos vendo?
O que estamos vendo, assistindo, contemplando, indignados, decepcionados com os avanços tentaculares exibindo muita força? É quando emerge o poder espiritual para não sermos flagelados. As amendoeiras florescem enquanto desabam novas pragas do Egito, com gafanhotos e tudo. Turíbulos são erguidos diante dos altares de falsos deuses como Baal, Belial, Dagom e Mamon. Exclamam palavras ocas, disfarçadas em tom democrático, como se pudessem ser uma esperança. Cultuam ídolos de ferro e barro. E para onde vão os nossos votos? Falta respeito: desprezando o povo, escolhem os membros do supremo conselho de sacerdotes, como se ungidos por Samuel, Davi e Salomão.
“Imagem e semelhança”, somos seres viventes que possuem a diferencial inteligência, esperando-se de nós um pensamento não tóxico, capaz de discernir, despido de partidarizações e ideologias repletas de promessas, as quais nunca sobrepujaram o Evangelho; ele que sempre nos apresenta a infalível divina promessa.
É o momento de não nos deixarmos enganar por quem pecaminosamente pretende substituir a Jesus, o Salvador, por totens políticos. A redenção só procede do Senhor. Somos cristãos e não militantes políticos, que nos empurram para uma polarização, que nada têm a ver com a nossa preocupante realidade.
Nossa militância é cristã. Nosso guia é o Senhor. Garantia mais do que suficiente.







