O livro me salvou.
Da pequenez, da obtusidade, do contexto social e econômico limitante, da minha mente reducionista, de uma vida religiosa isolacionista, da falta de conselhos sábios, da vida medíocre, da desorientação.
Acredite. De muita coisa, o livro me salvou.
Não porque ele tenha, intrinsecamente, um poder divino, mas porque Deus o usou para me ensinar a viver.
Foi assim com a Bíblia. É assim com inúmeros outros livros que tive a oportunidade de ler.
Lá em minha cidadezinha do interior do Pará tinha uma pequena biblioteca. Eu gostava de visitá-la – tanto pelos livros quanto pela goiabeira no quintal. Foi lá que descobri “Capitães de Areia”, de Jorge Amado. Um impacto tão real sobre a natureza humana ainda na infância.
Filho de professores, sempre fui incentivado a ler. Lá em casa, a leitura nunca foi um obstáculo ou coisa de “inteligentes de outro mundo”. Por isso, minha trajetória em relação às letras foi algo até certo ponto natural. Unindo incentivo dos pais + gosto pessoal + oportunidades, eu me tornei um leitor bem antes de me tornar um jornalista e escritor.
Me lembro claramente quando lá pelos 11 anos de idade, eu escrevi, fiz a capa e “publiquei” um livro de poemas. Tudo feito à mão. Ficou lindo! (Pelo menos para mim).
Leitura e fé
Eu não consigo desconectar minha fé do meu hábito de leitura. Ao contrário, não sei nem como seria o desenvolvimento da minha fé sem o hábito de abrir a Palavra de Deus e ouvir a Voz do Mestre. Da mesma forma, em busca de conselhos sábios, abri livros que me edificaram ou me confrontaram como ninguém conseguiria fazer. A começar por “Refúgio Secreto”, de Corrie ten Boom (“Não há poço tão profundo, que o amor de Deus, ainda mais profundo, não consiga alcançar”), passando pelos “Heróis da Fé”, de Charles Swindoll, “De Dentro para Fora”, de Larry Crabb, “Maravilhosa Graça”, de Philip Yancey, “À Sombra da Planta Imprevisível”, de Eugene Peterson, e muitos outros. Descobri também Fiódor Dostoiévski, ainda na faculdade, com um amigo que adorava uma frase do autor russo. Pela frase, cheguei aos livros. Foi também lendo autores cristãos que encontrei grandes nomes da literatura mundial, pois ao citá-los em seus livros, eles me estimulavam a procurar por estes autores e suas obras.
Olhando para trás é que entendo o quanto Deus moldou minha visão de mundo e minha identidade por meio dos livros (até a escolha do Jornalismo como profissão foi influenciada por isso). Se eu não encontrava na igreja local respostas para meus dilemas, eu não saia da igreja; eu procurava um livro. E assim fui crescendo na vida real.
Se eu não encontrava na igreja local respostas para meus dilemas, eu não saia da igreja; eu procurava um livro.
Neste Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais (UNESCO), sinto uma grande vontade de agradecer a Deus pela existência de um objeto que é muito maior que uma coleção de papéis agrupados em uma capa. O livro é um artefato cultural, um potencial de aprendizado e humanização, um símbolo de uma civilização, um museu de memórias, uma estrada de histórias, um arcabouço de ideias e um sinal de esperança para um mundo marcado pela desilusão.
Deus disse que sua Voz é como uma tempestade forte (Salmos 29) – e que incrível saber que Ele escolheu materializá-la em uma coleção de livros que é a Bíblia!
Por um tempo, nós, evangélicos, éramos conhecidos – até num tom jocoso – como o “povo do livro”. Que bom seria se voltássemos a ter a Palavra como base da vida cotidiana!
Enquanto houver livros, há esperança para o ser humano. Enquanto houver livros, a floresta do conhecimento não morrerá. Enquanto houver livros, o que nos torna únicos, continuará existindo.
O livro me salvou. E poderá salvar você. Desde que você o permita entrar em sua rotina diária.







