Amor não é dorama: é discipulado do coração

Num tempo em que muitos jovens confundem vontade com direção (suas próprias vozes com a voz de Deus), o amor cristão faz perguntas importantes

 

No Dia dos Namorados, que tal refletir sobre o que é amar? Que tal ouvir a voz de Deus antes de escolher um parceiro ou parceira para agora ou para sempre?

 

Quantos Dias dos Namorados na sua vida já não foram regados ao combo completo: flores, fotos, chocolate e declarações no Instagram? Hoje é o dia oficial da galera tirar inspiração de onde não tem para dizer que encontrou “a pessoa certa”. E tudo bem. Isso é bonito e merece ser celebrado. A juventude precisa de poesia, inspiração, afeto, riso e encanto. Afinal, Deus não nos criou com coração de pedra. Ainda bem.

Mas preciso dizer aos nossos jovens e adolescentes: nem tudo que parece amor é, de fato, amor.

Vivemos numa geração hiperconectada, mas que nem sempre se conecta com profundidade. As conexões são velozes: uma curtida inicia uma conversa; uma conversa simples acelera o coração; um encontro ou duas chamadas no WhatsApp já parecem criar uma intimidade de anos. Preste atenção: amor não é apenas notificação, marcação ou chamada de vídeo. Amor não é só química, carência, intensidade e sensação nova.

 

Caminho para o amor

A Bíblia nos mostra um caminho mais sólido. O amor verdadeiro não trata o outro como objeto de consumo, troféu, distração ou curativo para um coração ferido. O amor que nasce em Deus aprende – desde cedo – a respeitar, esperar, ouvir, proteger, honrar e cuidar. João nos lembra: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19). Ou seja, o amor cristão começa em Deus, não na nossa ansiedade afetiva.

O apóstolo Paulo diz que o amor é paciente e bondoso (1 Co 13.4). Isso é revolucionário. Num tempo imediatista, o amor cristão vai na contramão e dá um basta nas relações instantâneas. Num tempo em que pessoas são descartadas com um toque de unfollow na tela, o amor cristão nos ensina a tratar gente como gente: com dignidade, verdade e temor do Senhor.

 

O amor cristão faz perguntas

Num tempo em que muitos jovens confundem vontade com direção (suas próprias vozes com a voz de Deus), o amor cristão faz perguntas importantes: essa pessoa com quem quero me relacionar me aproxima mais de Cristo ou me afasta dele? Esse relacionamento fortalece minha fé ou me empurra para esconder coisas? Ele me ajuda a honrar minha família, minha igreja e meus princípios, ou me faz negociar tudo isso em nome de uma paixão bonita, mas desgovernada?

Grave essas perguntas. Se você preferir evitá-las, provavelmente já sabe que a resposta incomoda. Um relacionamento que não agrada a Deus não nos conforma à imagem de Jesus Cristo. E a nossa caminhada de santidade é “cristomórfica”: em tudo, inclusive nos afetos, Deus está nos moldando à imagem de seu Filho (Rm 8.29). Por isso, um jovem cristão precisa perguntar se aquela relação o ajudará a amar mais a Deus e a se tornar alguém mais maduro, santo, responsável e verdadeiro. Cristo também governa as emoções. Inclusive aquelas que chegam com trilha sonora de dorama, taquicardia e aquele frio na barriga.

 

Namoro não é casamento, mas também não é brincadeira

É caminho de discernimento. Precisa ser vivido com propósito, pureza e honestidade diante de Deus. Paulo aconselha Timóteo a fugir das paixões da mocidade e seguir a justiça, a fé, o amor e a paz com os que invocam o Senhor de coração puro (2 Tm 2.22). Isso continua atualíssimo. A Bíblia não envelhece; nós é que às vezes tentamos maquiá-la para realizar nos nossos impulsos.

Quero também falar aos jovens que, neste 12 de junho, não estão namorando: você não está atrasado. Você não está incompleto. Você não é menos amado porque não tem uma foto para postar hoje. Sua identidade não depende de um relacionamento. Antes de ser namorado ou namorada de alguém, você é alguém amado por Cristo e chamado a viver uma vida plena nele.

Parece conversa de “tiozão”, mas não é. Existe na cabeça de muitos jovens uma inquietação séria: uma insaciedade, uma insatisfação, um sentimento de incompletude. Mas, quando o coração está firmado em Cristo, passamos a enxergar isso com mais sabedoria, confiando na soberania de Deus e guardando o coração, porque dele procedem as fontes da vida (Pv 4.23).

 

Nunca estamos sozinhos

Existe um ditado popular que diz: “Antes só do que mal acompanhado”. A sabedoria popular acerta no alerta, mas não dá conta do evangelho. Em Cristo, nunca estamos sós. Jesus prometeu estar conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28.20), e ainda nos deu o Espírito Santo. Creia: a pressão de ter “alguém” pode ser vencida por quem já pertence a Cristo, que não abandona, não manipula e não usa você. Quem caminha com Cristo aprende a não aceitar migalhas emocionais com skin de romance.

Como juventude cristã, precisamos recuperar uma visão mais bíblica do amor. Um amor que sabe rir, conversar e até trocar emojis, mas que também sabe caminhar junto, respeitar limites, pedir perdão, fugir do mal e buscar a vontade de Deus.

Minha oração por vocês, queridos jovens e adolescentes, é que não tenham pressa de viver qualquer amor. É preciso coragem para esperar, orientação divina para escolher e sabedoria do alto para cuidar.

Que o seu relacionamento não seja apenas bonito nas fotos, mas saudável diante de Deus.

 

Imagem do topo: magnific.com
Foto de Rev. André Lima

Rev. André Lima

Secretário de Juventude da IPI do Brasil

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