Aqui somos peregrinos. O vale é de lágrimas, mas seguimos firmes na busca. Queremos alcançar e sermos dignos de encontrar uma residência fixa, permanente, a Casa do Senhor. É o grande mérito da salvação. A vida eterna.
“Você vai estar comigo hoje mesmo no Paraíso” (Lc 23.43), assegurou Jesus, prestes a expirar, ao ladrão, ambos pregados na cruz. Este lugar, onde Paulo esteve e preferiu não descrever. Se Jesus garantiu isso, estaria na companhia do Pai Eterno. João (14.2) fornece uma pista: “na casa de meu Pai há muitas moradas”. Quem ouviu essas palavras foi Pedro, tão curioso que Jesus adicionou: “vou preparar-vos lugar”.
Jardim de Deus
No início, quando nada existia, Deus fez um jardim, no Éden, localizado na “banda do Oriente”. O jardim de Deus, como diria Ezequiel (28.13). Refletindo: a nossa história começa ali. Éden, no hebraico, corresponde a “delícia” ou “prazer” – região fértil e ampla. Foi onde ficaram os dois primeiros habitantes. Foram expulsos porque infringiram as ordens divinas, a gênese do pecado.
Na história da salvação, dois polos se encontram: no primeiro, o paraíso perdido. No segundo, Jesus nos resgata e dá de volta o Paraíso, maravilhoso lugar onde vivemos na esperança de ficar juntos do Senhor, face a face, segundo Paulo (1 Co13.12). Privilégio restrito aos eleitos, os salvos, na comunhão com o divino. É o nosso percurso, é a grande aventura da vida. Queremos, e haveremos de alcançar essa habitação. Sendo espaço de grande alegria, será “casa de oração”, como identificamos nossos templos. Casa do Senhor. Ficamos alegres quando vamos até ela (Sl 122). Nas nossas casas particulares, moradias por aqui, vivemos com nossas famílias. Já conhecemos a árvore da vida, aquela que nos dá muitos frutos, multiplicando-se com a conversões que conseguimos produzir.
Os escritos em hebraico precisaram ser traduzidos para o grego, pela Septuaginta, um trabalho feito por setenta anciões, empregando palavras da maior compreensão possível, para que todos pudessem claramente entender. Esse estilo foi nada mais do que a aplicação do método didático de Jesus, ensinando pelas parábolas e exemplos bem práticos de vida onde as pessoas estavam integradas.
O novo paraíso
No trajeto entre jardim divino e paraíso eterno, estamos voltando para casa. Primeiro, nossa espécie foi expulsa. Depois, trazida de volta por meio d’Aquele que pagou pelos nossos pecados, ou seja, os péssimos relacionamentos com Deus. Preço altíssimo, que nosso Salvador pagou sacrificando a própria vida.
Jesus deu a fórmula para ocupar aqueles lugares que Ele foi nos reservar. São os caminhos (aos quais Paulo sempre quis se referir) que conduzem à Verdade e a Vida. Eles são surpreendentes, como na pesca de Genesaré, próxima ao mar de Tiberíades, quando a pesca infrutífera dos discípulos foi por Ele milagrosamente transformada pelas redes na captura de 153 grandes peixes.
Vamos continuar a pensar, não mais com conhecimentos limitados, mas pela inteligência e sabedoria que nos foi concedida pelo próprio Senhor, ao nos honrar com Sua imagem e semelhança. Agora é a nossa vez: conhecer os caminhos da Verdade e aplicá-la ao nosso dia a dia. A prática nos desvia de atalhos, representados por tipos negativos. Deus habita em nossos corações, se a Ele dermos acesso. O lar eterno será nosso futuro endereço.
Enquanto isso
Aqui, por enquanto, é o nosso lugar. País, Pátria, Nação. Está chegando a hora de escolher quem vai governar a casa terrena. As vozes dos que procuram se habilitar nesse sentido são variadas. A disputa pelo Poder em nome de melhoras para a sociedade. Babel virou Coliseu. Adversário é tratado como se fosse inimigo. O bem comum parece horizonte distante. Não pretendemos chegar ao céu pela torre de Babel, pois sabemos que o Caminho é bem diferente. Nem queremos ficar com gladiadores no Coliseu e suas batalhas sangrentas. Nossas armas são empregadas no bom combate ao pecado. Que fazer? Ideologias e preferências políticas à parte, é preciso saber conscientemente o que fazer.
Oremos para que o Senhor nos ilumine na escolha.







