Entrevistado: Rev. André Marcos de Souza Lima.
Secretaria: Nacional da Juventude.
O jovem cristão se encontra diante de desafios imensos e imprevisíveis. Na era da comunicação em massa, da cultura do entretenimento e da epidemia da solidão, nasce a pergunta: como podemos ajudá-lo a não caminhar sozinho? Esse é o papel da recém-criada Secretaria Nacional da Juventude, sob a liderança do Rev. André Marcos de Souza Lima. A entrevista a seguir revela os planos da Secretaria, lança um olhar atento ao “Jesus jovem” e orienta como os líderes podem discipular a juventude de suas igrejas… para além de eventos e do entretenimento. Afinal, como disse o Rev. André, “a juventude não é apenas uma fase de espera para a vida adulta; é tempo real de formação, serviço e graça diante do Senhor”.
Confira!
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SOBRE A SECRETARIA
Por favor, explique ao leitor(a) qual os objetivos da sua secretaria nacional?
O objetivo da Secretaria Nacional de Juventude é incentivar, orientar e fortalecer o ministério com jovens e adolescentes em todas as regiões do país, sendo fiel às Escrituras, comprometida com a tradição reformada e sensível aos desafios da nova geração.
Nosso desejo também é fomentar o crescimento espiritual, teológico e missionário da juventude da IPIB, estimulando nas igrejas locais uma cultura de discipulado intencional, destacando a importância da vida comunitária, do serviço cristão e o testemunho público do evangelho.
Destaco que o nosso desejo é ser bênção na vida dos sínodos, presbitérios e igrejas locais, apoiando-os na estruturação de ministérios de juventude com diretrizes, materiais e capacitação de lideranças.
Outro objetivo que está intimamente ligado com a história do movimento jovem da IPI do Brasil é a promoção de encontros que fortaleçam a comunhão entre os jovens da denominação. Isto porque todas as vezes que os jovens se reúnem, eles saem mais estimulados, aquecidos e dispostos a cumprir o IDE de Jesus.
Quais os maiores desafios para o alcance desses objetivos?
Estamos lidando com aqueles que nasceram a partir de 1997, portanto, a chamada Geração Z. Um diagnóstico sobre esta faixa etária alvo aponta que eles são:
Hiperconectados e Solitários – eles são informados com uma avalanche de dados, mas com dificuldade de aprofundamento. Acabam ficando distante da vida na Igreja por ficarem presos às telas.
Informados, porém com dificuldade de aprofundar-se – Muita informação não é necessariamente boa formação. Eles fazem de tudo, mas têm dificuldade de permanecer em algo mais profundo. Eles têm acesso a tudo, mas verticalizar é outra história.
Sede de Autenticidade – Essa geração é extremamente sensível à autenticidade. Não estou dizendo que ela seja uma geração perfeita ou moralmente superior… não é isso. Estou dizendo que ela cresceu em um ambiente onde discursos são testados o tempo todo pela prática. Eles não se impressionam com cargos, títulos, tradições. Querem apenas ver coerência entre aquilo que proclamamos, publicamos em redes sociais e a vida real do indivíduo.
Da Agenda ao Discipulado – Eventos são importantes, mas não sustentam sozinhos a formação espiritual de uma geração. Quando o ministério de juventude se limita à programação, os jovens ficam à mercê de vozes que os acompanham todos os dias. Precisamos lembrar que a Geração Z não rejeita necessariamente a verdade de Cristo. Eles carecem de pessoas que caminhem com eles de forma propositiva, assim como Cristo formou seus discípulos na caminhada, convivência, escuta, correção e no ensino.
Sede de Propósito, Identidade e Esperança – Esta geração carrega pressões muito profundas. Muitos jovens vivem esmagados pela cobrança por desempenho, pela comparação constante, pela ansiedade em relação ao futuro e pelo medo de não corresponder às expectativas da família, da sociedade e de si mesmos. Por isso, estamos falando de uma geração que precisa de alívio, identidade e sentido. E a resposta da igreja não pode ser uma autoajuda religiosa, mas a verdade de Cristo. Nosso alívio está em Cristo (cf. Mt 11.30), nossa identidade é conformada à imagem de Cristo (cf. Rm 8.29) e nossa esperança aponta para aquele grande Dia, quando estaremos para sempre com o Senhor (cf. 1 Ts 4.17).
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Nosso alívio está em Cristo, nossa identidade é conformada à imagem de Cristo e nossa esperança aponta para aquele grande Dia, quando estaremos para sempre com o Senhor.
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Como você pretende alcançar esses objetivos?
Estamos em um processo de construção. A Secretaria Nacional de Juventude é recém-criada, mas ela não nasce do zero. O trabalho jovem em âmbito nacional na IPI do Brasil tem uma história de mais de 90 anos. A UMPI nasceu em 1934 como uma resposta presbiteriana independente ao chamado de formar discípulos em sua própria geração.
Por isso, neste momento, nosso primeiro desafio é mostrar à igreja que estamos mudando a forma para preservar a essência. A juventude da IPI do Brasil sempre foi mais do que uma estrutura organizacional. Ela é um movimento de formação cristã, comunhão, serviço e testemunho. A estrutura deve servir à missão, e não o contrário. Quando a estrutura vira fim em si mesma, ela envelhece; quando serve à missão, ela continua frutificando.
O primeiro passo concreto será ouvir a igreja. Estamos preparando uma pesquisa nacional, enviada aos presbitérios, para levantar informações sobre a realidade atual do trabalho com adolescentes e jovens em nossa denominação. Queremos compreender quantas federações e sociedades locais estão organizadas, quais igrejas trabalham com juventude em formatos tradicionais, quais desenvolvem células, grupos de discipulado ou outras iniciativas pastorais e quais regiões precisam de maior apoio.
A partir desse diagnóstico, vamos atuar por meio de um quadro nacional de assessores, formado por ministros e leigos de diferentes regiões do país. A ideia é que a Secretaria não funcione de maneira centralizadora, mas como uma rede de apoio, escuta e capacitação.
Queremos oferecer materiais de discipulado, treinamentos online, mentoria para lideranças e acompanhamento pastoral para fortalecer o trabalho local e regional.
Também entendemos que a comunicação precisa respeitar a nossa organização denominacional. Por isso, nossa atuação será sempre em diálogo com os presbitérios, valorizando as igrejas locais, as federações e as lideranças regionais. O objetivo não é substituir o que já existe, mas fortalecer, conectar e servir.
Em resumo: queremos ouvir primeiro, diagnosticar com responsabilidade, formar líderes, produzir recursos e caminhar junto com a igreja na missão de discipular a nova geração.
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Queremos ouvir primeiro, diagnosticar com responsabilidade, formar líderes, produzir recursos e caminhar junto com a igreja na missão de discipular a nova geração.
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O que há de planejado para 2026?
Para 2026, temos dois projetos prioritários em desenvolvimento: o Projeto Massá e o Missão nas Férias. Ambos nascem de uma convicção muito clara: a juventude da igreja não pode ser apenas reunida em eventos; ela precisa ser acompanhada, formada, enviada e despertada para a missão.
O Projeto Massá é fruto de uma inquietação antiga, percebida ainda pela nossa diretoria nacional da UMPI, entre os anos de 2011 e 2014, mas que naquele momento não pôde avançar por falta de tempo. Existe todos os anos uma espécie de “êxodo” acontecendo diante dos nossos olhos, e talvez nós ainda não estejamos prestando a devida atenção à oportunidade que isso representa. Refiro-me ao deslocamento de jovens presbiterianos independentes que são aprovados em faculdades e universidades fora de suas cidades e, inevitavelmente, precisam sair de casa para escrever um novo e importante capítulo de sua história.
A ideia é estabelecer uma estrutura bíblica, pastoral e técnica para que todo deslocamento de jovens presbiterianos independentes possa ser acompanhado com suporte de mentores e conexões locais, especialmente onde existe uma IPI. O desafio maior está justamente nos contextos em que não há presença da nossa denominação. É exatamente aqui que o nosso banco de dados nacional poderá nos ajudar, conectando esses jovens com outros jovens que já chegaram àquela cidade ou região e que também possuem ligação com a nossa igreja.
Queremos fomentar, nesses contextos, a criação de pequenos grupos, vínculos de cuidado, espaços de discipulado e, ao mesmo tempo, despertar esses jovens para a missão. Afinal, uma mudança de cidade não precisa significar apenas adaptação acadêmica ou profissional; pode ser também uma oportunidade de testemunho, serviço e amadurecimento espiritual.
O projeto recebe esse nome porque, em Números 33, encontramos o registro organizado dos deslocamentos do povo de Deus no deserto. O termo “massá” remete a essas jornadas, a essas etapas do caminho. A Bíblia não registra apenas os acampamentos; ela também valoriza cada deslocamento do povo de Deus. Esse é o espírito do projeto: nenhum deslocamento dos nossos jovens deve ser invisível para a igreja. Cada nova etapa da vida deles precisa ser acompanhada com cuidado, oração, discipulado e senso de missão.
Esse projeto deverá contar com o apoio de várias secretarias da nossa igreja, especialmente Cuidado Pastoral, Educação Cristã, Evangelização e Revitalização, porque entendemos que juventude não é uma pauta isolada. É uma dimensão estratégica da vida da igreja.
O segundo projeto é o Missão nas Férias. Inúmeros jovens passam por experiências pessoais com Cristo e se sentem impelidos pelo chamado de Deus. Queremos que esses jovens possam sentir de perto como é o dia a dia de um vocacionado, inserindo-os, durante o período de férias, em campos espalhados pelo Brasil, nas cinco macrorregiões.
A ideia é oferecer uma experiência missionária de férias para jovens da IPI do Brasil em campos de plantação ou revitalização, sempre com preparo prévio, supervisão pastoral, sustento colaborativo e compromisso com a igreja local. Não queremos promover uma experiência solta, desconectada da vida da igreja, mas uma vivência missionária responsável, acompanhada e profundamente vinculada à nossa identidade presbiteriana independente.
O desejo do nosso coração é lançar as bases desses projetos ainda este ano, para que em 2026 possamos estruturá-los com responsabilidade e caminhar, se Deus permitir, para uma consolidação das primeiras experiências em janeiro de 2027.
A IPIB é uma denominação nacional. Considerando as dimensões continentais do nosso país, como envolver e engajar mais igrejas locais no trabalho de sua secretaria?
Graças a Deus, as dimensões continentais do nosso país foram, em certo sentido, encurtadas pela internet. Hoje temos muitos instrumentos para reunir, compartilhar, capacitar e desenvolver ações em âmbito nacional.
Mas o nosso desafio ainda passa pela comunicação: não por falta de ferramentas, e sim pela necessidade de uma comunicação mais próxima, intencional e pastoral. As redes sociais alcançam muita gente, mas nem sempre constroem vínculos. Por isso, com nosso quadro de assessores, queremos construir pontes com os presbitérios, federações e igrejas locais, por meio de uma comunicação mais humanizada e sensível às realidades regionais. O objetivo é ouvir, apoiar, capacitar e caminhar junto.
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SOBRE A VISÃO CRISTÃ DA JUVENTUDE
Sim, Jesus também foi um adolescente e jovem. Como seria esse “Jesus jovem” e o que isso nos ensina como a visão de Cristo sobre a juventude?
Em Lucas 2.52, aprendemos que o nosso Senhor “crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. Esse versículo talvez seja o maior resumo bíblico sobre a juventude de Jesus.
Os evangelhos nos mostram que Jesus cresceu em uma família piedosa, humilde e comprometida com a vida de fé do povo de Deus. Ele não foi criado distante da fé de Israel, mas dentro da vida religiosa ordinária: casa, sinagoga, templo, Escrituras, peregrinação, obediência e comunhão.
Olhando para a sua vida adulta, podemos perceber, como reflexo no espelho, algo do jovem Jesus: ele não tinha dúvidas sobre a sua identidade. Jesus sabia quem era e tinha consciência da sua missão. Quando foi interrogado por seus pais, que o procuravam aflitos em Jerusalém e o encontraram no templo, respondeu: “Por que me procuravam? Não sabiam que eu tinha de estar na casa de meu Pai?” (Lucas 2.49).
Eu destacaria essas duas verdades sobre o Jesus jovem para mostrar o que elas ensinam ao jovem cristão hoje:
Primeiro: não importa se você ainda não está enxergando todo o seu progresso; Deus está trabalhando em você. Mesmo sem perceber, à medida que o jovem cresce diante de Deus, a graça vai moldando o seu coração. A juventude muitas vezes valoriza a experiência extraordinária, mas se esquece de que Deus também trabalha poderosamente no ordinário: no culto doméstico, na vida da igreja, no estudo das Sagradas Escrituras, na oração, na obediência aos pais e no aprendizado de um coração de servo. O crescimento de Jesus nos lembra que há graça no processo, há santidade na rotina e há formação espiritual nos caminhos simples da vida diante de Deus.
Segundo: saiba quem você é à luz da Palavra de Deus, e não à luz do que o mundo diz a seu respeito. Uma identidade construída em Cristo mostra que você é muito mais do que um sobrenome, um bom jogador de Roblox ou Counter-Strike 2, um bom aluno, alguém popular ou alguém pertencente à escola mais descolada da cidade. Saber que você é filho de Deus, comprado pelo sangue de Cristo e herdeiro do Reino é muito melhor. Isso porque a sua identidade não está mais nas suas conquistas, nos likes, na aparência, no desempenho ou na popularidade, mas em quem Cristo é e no que Ele fez por você. E isso muda profundamente a forma como o jovem enxerga a si mesmo, o mundo e o seu futuro.
Portanto, quando olhamos para o “Jesus jovem”, não vemos uma juventude vazia, perdida ou descartável. Vemos crescimento, identidade, obediência, comunhão com Deus e consciência de missão. E isso nos ensina que a juventude não é apenas uma fase de espera para a vida adulta; é tempo real de formação, serviço e graça diante do Senhor.
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Quando olhamos para o “Jesus jovem”, não vemos uma juventude vazia, perdida ou descartável. Vemos crescimento, identidade, obediência, comunhão com Deus e consciência de missão.
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O quanto as igrejas atuais têm uma visão parecida com Jesus a respeito da juventude?
Penso que muitas igrejas oram nesse momento pedindo ao Senhor que envie jovens para a sua igreja ou também oram para ver seus jovens firmes em Cristo. Não posso ser leviano e dizer que a nossa igreja não se importa com juventude, até porque a história prova isso: a primeira instituição formada dentro da IPI do Brasil foi a UMPI, em 1934. Ao longo da história, muitos jovens foram acolhidos, discipulados, vocacionados e enviados para servir ao Senhor. Nós temos uma linda história e precisamos honrá-la.
Mas também precisamos reconhecer, com humildade, que nem sempre a nossa visão sobre juventude tem sido tão parecida com a de Jesus. Às vezes, a igreja olha para o jovem apenas como alguém que precisa ocupar uma sala da igreja, tocar em alguma programação, animar um culto ou simplesmente tomar cuidado para “não se desviar” com “as coisas do mundo”.
A questão é que Jesus não olhava para as pessoas dessa maneira. Ele via as pessoas em processo de santificação, de formação, com dores de verdade, problemas reais, perguntas, potencial e a necessidade real de cada uma delas.
Quem nunca ouviu que os jovens são o futuro da igreja? Acredito que já é consenso que eles fazem parte do presente da igreja, ou seja, precisam ser ouvidos, acompanhados, corrigidos e discipulados. Jesus não tratava alguém em formação com desprezo ou como um número. Ele acolhia, ensinava e confrontava, como certa vez fez com um jovem rico.
Penso que um dos nossos desafios hoje é deixar de ver a juventude como um “departamento” e passar a olhá-la como um campo de discipulado. Os jovens já têm na mão inúmeras opções de entretenimento. Eles precisam de textura, contato com a Palavra e com irmãos em Cristo. Eles precisam de identidade e essa identidade certamente vai ser trabalhada no serviço, na missão, nos louvores e em todos os espaços que a igreja o inserir.
Precisamos de mais intencionalidade. Não precisamos ser permissivos (passar a mão na cabeça) e nem de uma visão dura, que apenas cobra e critica. Precisamos apenas de uma visão cristocêntrica: cheia de graça e verdade.
Quando falamos sobre “juventude”, muito se diz que ela está em crise de fé. O quanto isso é verdade e o quanto é mentira?
Eu diria que existem várias crises envolvendo a juventude, mas talvez a crise de fé, no sentido mais direto da palavra, não seja a maior delas. Pelo menos não é a única, nem sempre é a mais evidente. Muitos jovens ainda creem em Deus, respeitam a fé cristã, têm alguma memória afetiva da igreja e não rejeitam necessariamente a verdade de Cristo. O que eles têm, muitas vezes, são perguntas que não foram suficientemente tratadas em um ambiente de discipulado.
No campo da fé, grande parte dessas inquietações poderia ser acolhida e respondida com presença pastoral, ensino bíblico e acompanhamento mais próximo. Eles perguntam sobre santidade, sexualidade, identidade, pecado, vocação, sofrimento, ansiedade, salvação, perseverança e tantos outros temas que fazem parte da vida real. O problema é que, quando essas perguntas não encontram espaço seguro dentro da igreja, elas acabam sendo respondidas por outras vozes: redes sociais, influenciadores, colegas, algoritmos e movimentos culturais. A crise, então, não é apenas de fé; é também de discipulado. Se a igreja não discipular, o mundo discipula e discipula “muito bem”!
Mas acredito que as crises mais sensíveis caminham em outras direções. Uma delas é a crise de convivência, ou seja, a falta de relacionamento profundo. Muitos jovens não estão simplesmente procurando uma igreja que tenha uma programação bonita. Eles procuram pertencimento, vínculos, mesa, escuta, amizade e acompanhamento. Hoje, muitas vezes, eles se veem diante de duas opções: de um lado, comunidades mais tradicionais, doutrinariamente sólidas, mas que, aos olhos deles, envelheceram sem se renovar; de outro, comunidades menos tracionais, com linguagem mais leve, muitos eventos e grande capacidade de engajamento emocional. O risco é: se as igrejas tradicionais não criarem espaços reais de relacionamento, discipulado e convivência semanal, perderão aderência com essa geração.
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Muitos jovens não estão simplesmente procurando uma igreja que tenha uma programação bonita. Eles procuram pertencimento, vínculos, mesa, escuta, amizade e acompanhamento.
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Aqui é importante deixar claro: não se trata de abandonar a tradição, nem de transformar a igreja em um palco de entretenimento. A igreja não precisa imitar modelos menos tracionais para alcançar os jovens. Mas precisa recuperar algo profundamente bíblico e antigo: a vida comunitária. No Novo Testamento, a fé cristã era vivida na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações. Havia ensino e havia vida compartilhada. Talvez o que muitos jovens estejam procurando não seja uma igreja mais moderna, mas uma igreja mais presente.
Outra crise muito forte é a crise de tempo. Ainda no Ensino Médio, já percebemos a dificuldade de encontrar espaço na agenda dos adolescentes. Eles estão envolvidos com escola, cursos, preparação para vestibular, vida digital, cobrança familiar e ansiedade em relação ao futuro.
Quando ingressam na faculdade, isso se intensifica. Cada espaço livre na agenda passa a ser ocupado por estágio, trabalho, grupo de estudo, projetos acadêmicos e investimentos na carreira. A igreja, se não for intencional, acaba ficando apenas com as sobras da semana.
Por isso, eu diria que a juventude não está simplesmente em crise de fé. Ela está em crise de discipulado, convivência, pertencimento e tempo. A fé permanece ali, muitas vezes como uma chama acesa, mas malcuidada. O desafio da igreja é se aproximar com verdade, paciência e presença. Não basta dizer ao jovem: “venha para a igreja”. Precisamos também perguntar: “como podemos caminhar com você?”.
Quando há discipulado, relacionamento verdadeiro e vida comunitária consistente, muitas crises que pareciam ser de fé começam a ser tratadas no lugar certo: aos pés de Cristo, dentro da comunhão da igreja.
Se você pudesse dar alguns conselhos práticos para os líderes locais a respeito de como lidar com os jovens, quais seriam?
O primeiro conselho seria: sejam amigos. O próprio Cristo chamou os seus discípulos de amigos. Isso é premissa básica de um discipulado cristão, uma vez que o próprio Mestre tratou os seus discípulos dessa forma. Não podemos reduzir discipulado a uma aula de Escola Bíblica, por mais importante que a Escola Bíblica seja. Discipulado envolve ensino, mas também presença, convivência, mesa, escuta, correção, oração e caminhada.
Líderes de jovens precisam abrir a porta de suas casas e estar na casa dos seus liderados. Precisam conhecer suas famílias, suas dores, suas dúvidas, seus sonhos e suas lutas. Precisam celebrar junto as conquistas e permanecer por perto nos momentos difíceis. A juventude percebe rapidamente quando um líder está apenas cumprindo agenda e quando, de fato, ama as pessoas que lidera.
Também diria aos líderes: não tentem competir com o mundo no campo do entretenimento. Indo nesta linha, vocês irão perder porque a igreja nunca vencerá a indústria da distração tentando ser apenas mais divertida. O nosso chamado é outro: oferecer presença verdadeira, Palavra de Deus, comunhão, identidade em Cristo e uma vida cristã coerente. O jovem não precisa apenas de uma programação interessante; ele precisa de adultos cristãos que caminhem com ele.
Por fim, eu aconselharia: tenham paciência pastoral. Jovens fazem perguntas, testam limites, oscilam, se empolgam, desanimam e amadurecem em ritmos diferentes. Isso faz parte! Lembre-se que o discipulado cristão é um trabalho de “formiguinha”. A liderança local também precisa aprender a corrigir sem esmagar, acolher sem relativizar a verdade, e ensinar com firmeza, mas também com ternura.
Encerro por aqui lembrando do versículo chave, da nossa amada UMPI. Aí vai um conselho bem prático do apóstolo Paulo a Timóteo: “Ninguém o despreze por você ser jovem; pelo contrário, seja um exemplo para os fiéis, na palavra, na conduta, no amor, na fé, na pureza” (1 Tm 4.12).
Como os irmãos e irmãs da IPI podem fazer contato com a Secretaria da Juventude e como eles podem se envolver as atividades da secretaria?
Estamos reativando o antigo canal da CNUMPI e adequando-o como canal oficial da Secretaria Nacional. Você poderá acessá-lo no Instagram @juventudeipib. Você também poderá falar conosco através do e-mail jovens@ipib.org.
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PERFIL DO SECRETÁRIO NACIONAL DA JUVENTUDE
Há 7 anos sirvo como pastor da 1ª Igreja Presbiteriana Independente do Natal, uma comunidade que aprendi a amar profundamente. Sou graduado em Teologia pela Faculdade de Teologia de São Paulo — FATIPI e em Publicidade e Propaganda pela Universidade Tiradentes, em Aracaju/SE, onde posteriormente concluí uma pós-graduação em Marketing Empresarial, Pessoal e Político.
Sou casado há 17 anos com Mariana, minha companheira de vida e ministério, e sou pai da Sara, de 10 anos. Sou natural de Aracaju, SE, mas Natal se tornou, pela graça de Deus, o nosso lar. Aqui temos vivido anos preciosos de caminhada pastoral, serviço à igreja e amadurecimento familiar.
Minha história na IPI do Brasil começou muito cedo. Nasci na IPI de Aracaju, onde fui pastoreado pelo saudoso Rev. Jonan Joaquim da Cruz, cuja vida e ministério marcaram profundamente a mim e minha família. Desde a juventude, fui sendo envolvido na vida da denominação, especialmente nas áreas de juventude e comunicação, duas frentes que sempre estiveram muito presentes na minha vocação.
Servi como assessor da Coordenadoria Nacional da UMPI entre 2007 e 2010. Depois, fui eleito Coordenador Nacional da UMPI para a gestão de 2011 a 2014, e voltei a colaborar como assessor na gestão seguinte. Também servi em frentes regionais, como Coordenador Regional do Presbitério Sergipe, Coordenador Regional do Presbitério Pernambuco e assessor para juventude no Presbitério ABC.
Durante o período em que estive à frente da Coordenadoria Nacional da UMPI, tive a alegria de caminhar com uma equipe muito comprometida. Juntos, desenvolvemos encontros nacionais como o Oxigênio e o Nitro, que marcaram uma geração de jovens em diferentes regiões do Brasil. Guardo esse período com muita gratidão, não como uma conquista pessoal, mas como uma expressão da bondade de Deus e do esforço coletivo de muita gente que amava a juventude da igreja.
Também servi à denominação na área de comunicação. A convite do então Presidente da IPI do Brasil, Rev. Áureo, me mudei para São Paulo, onde iniciei minha formação teológica na FATIPI e colaborei como Gestor de Comunicação da IPI do Brasil, ao lado do Rev. Roberto Mauro (à época Secretário Geral da IPI do Brasil). Nesse período, participei de processos de renovação visual e editorial de publicações da igreja nacional, como a transição da antiga revista Alvorada para a atual Vida & Caminho, além da modernização da marca e do caderno de O Estandarte e da criação do perfil da @ipidobrasil no Instagram.
Ao olhar para essa caminhada, vejo a mão de Deus conduzindo cada etapa. Minha vocação tem sido marcada pelo amor a Cristo, à igreja e à missão. Creio no poder transformador do evangelho vivido em comunidade e tenho defendido o discipulado não apenas como um programa da igreja, mas como um modo de vida.
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Nota do editor:
Essa é a sexta entrevista da série que “O Estandarte” está fazendo com os secretários nacionais da IPI do Brasil. Acompanhe aqui.
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