Faz tempo que me incomodam os falsos “especialistas” em religião – haja “ogos” (entre outros, sociólogos, antropólogos, arqueólogos e agora até teólogos – em diversas camadas acadêmicas). Não me refiro aos realmente conhecedores em suas respectivas áreas, mas especificamente aos que se autointitulam experts em religião.
“Lideranças” evangélicas?
Eles falam sobre “lideranças” evangélicas, que direcionariam artefatos contra pensamentos políticos e ideológicos, com poderes de influência para conduzir camadas preciosas de votos, numa permanente vigília. Aliás, é um tipo de irracionalidade humana que alavanca uma militância ideológica, crente num admirável novo mundo perfeito. É o cristianismo que abrange todas as possibilidades. Os mistérios da alma são repletos de lógica e fé. É Jesus que nos proporciona harmonia pelo sopro da vida. Agora, em tempos de eleições, isso fica cada vez mais evidente. Mas tais “lideranças” se resumem a alguns indivíduos, que segundo seus artífices, teriam poder mágico de presidir mesas eleitorais. Não possuem poder para tanto.
Pior: conduzem tal pensamento para politização polarizada, onde os religiosos ficariam em alas ou individualmente. Não é verdade, porém. Não se conhece pesquisa alguma, no nosso rebanho por exemplo, sobre preferências ou tendências. Aqui está o vácuo. Primeiro, o termo “evangélico”. Por óbvio, trata-se de quem segue as doutrinas do Evangelho e, por consequência, os preciosos ensinamentos de Jesus. Segundo, a liderança evangélica é do próprio Cristo, Mestre e Salvador, indiscutivelmente cabeça de Igreja (Ef 5.23).
Tais “lideranças” se resumem a alguns indivíduos, que segundo seus artífices, teriam poder mágico de presidir mesas eleitorais. Não possuem poder para tanto.
Teologia apofática
Esse ponto é totalmente ignorado pelos autointitulados experts. Falamos de cristianismo, representado por alas e posturas diferentes, mas tendo em Cristo o único Senhor. Poderia ser, em termos divergentes, uma teologia apofática, isto é, que reconhecesse limites na capacidade humana para definição do Altíssimo, portanto predicável – pregar e proclamar. Todos esses ensinamentos são desprezados pelos que falam em “lideranças”, como se rebanhos inteiros pudessem ser conduzidos por guias seletos. O condutor é outro, pois Caminho, Verdade e Vida.
Os pseudos donos da expetise não conhecem uma igreja por dentro, abraçam pensamentos externos e são incapazes de formular respostas realistas para políticas públicas adequadas. Preferem usar os jargões “conservador”, “esquerda” e “direita”, ficam roucos de tanto gritar e não tomam conhecimento da Palavra pregada nos púlpitos. Se fossem minimamente racionais, perceberiam que em outubro próximo, dentre 81 senadores, nada menos do que 54 poderão ter mandatos renovados e que para o Executivo possuir poder político vai precisar de 41 cadeiras para formar maioria absoluta. Nada disso vai ficar na dependência de votos teleguiados por “lideranças evangélicas”. Tais “especialistas” não sabem como se faz para ir ao mercado para comprar gêneros alimentícios. Esse fator, sempre dominado pelas mulheres, nossas economistas, fica distante de componentes morais significativos.
Os pseudos donos da expetise não conhecem uma igreja por dentro, abraçam pensamentos externos e são incapazes de formular respostas realistas para políticas públicas adequadas. Preferem usar os jargões “conservador”, “esquerda” e “direita”.
O filósofo Agostinho de Hipona raciocinava que nosso coração pode ser perfurado por inquietações que ele preferia chamar de herança do pecado original, em forma de grande orgulho, uma demonstração de insuficiência quando o nosso repouso não está em Deus.
Supremo Legislador
Aos pretensiosos entendidos, é necessário que se diga que Deus está sempre em primeiro lugar. O voto, isoladamente, pode aprovar leis iníquas, consequência dos desvios daqueles que são eleitos. A legislação predominante deveria ser a do Alto, queiram ou não pessoas, candidatos e instituições. Contrariar a vontade divina é rebelar-se contra o Supremo Legislador. O povo é instável, pode ser massa de manobra que se amolda aos manipuladores que mais tarde irão ofender a fé, trocando o bem comum, os compromissos sociais, para se locupletar e trair o mandato recebido.
Vários exemplos estão nas Escrituras: Saul, mesmo protegido por Samuel, perdeu o reino. Fala-se muito em ética na política. Mas poderia haver política sem ética? Ela não se refere apenas ao que os outros não devem fazer. Não é apenas acusar quem quer que seja. Os erros do próximo. Vamos nos esforçar para descobri-los em nós mesmos. O povo merece respeito. Consciência cívica, precisa-se. O juízo dos seres humanos é uma coisa. O julgamento de Deus por nossas ações, outra. Ele abomina a decadência moral, que acontece quando se tem a impressão de que cada um teria o seu preço.
Fala-se muito em ética na política. Mas poderia haver política sem ética?
Não somos marionetes de ninguém. Tendências demagógicas e populistas não podem se sobrepor de modo algum ao espiritual. É isso que os “especialistas” precisam entender: erro é erro, pecado é pecado.







