“Quer pagar quanto?”. Você se lembra dessa campanha, lançada pelas Casas Bahia entre 2002 e 2006? Ela criou um sério problema: pessoas iam até a loja e queriam comprar uma geladeira por 100 reais ou um sofá por 50,00 a ponto de a loja retirar do “ar” o comercial. Fato é que nem sempre estamos dispostos a pagar o preço certo e justo, mas sim aquilo que traga “conforto” ao nosso coração e ao nosso bolso.
Isso nos faz refletir sobre a Páscoa. Jesus pagou o preço!
Richard J. Foster, em seu livro “Celebração da Disciplina” (p. 203), diz:
“O conceito disseminado sobre o que Jesus realizou na cruz corre mais ou menos assim: as pessoas eram tão más que deixaram Deus extremamente indignado com elas, a ponto de não poder perdoá-las, a menos que alguém importante fosse condenado em seu lugar. Nada poderia estar mais distante da verdade. Foi o amor, e não a raiva, que levou Cristo à cruz”.
O Evangelho de João, cap.10, verso 11 afirma: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”. A Páscoa e o Bom Pastor convergem na vitória amorosa de Cristo: Jesus, o Cordeiro pascal, que morreu e ressuscitou, é o Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. Ele nos conhece, guia e protege, transformando a cruz em vitória sobre o pecado e a morte, oferecendo vida eterna e abundante.
Ele nos conhece, guia e protege, transformando a cruz em vitória sobre o pecado e a morte, oferecendo vida eterna e abundante.
Dessa forma, precisamos compreender “O Pastor que se fez Cordeiro”. A identidade de Jesus como Bom Pastor é inseparável de sua morte e ressurreição. Ele não é apenas um guia, mas o Cordeiro que sacrifica a si mesmo voluntariamente pelas ovelhas. A ressurreição valida seu pastoreio com autoridade divina.
Essa realidade nos leva a um relacionamento com Deus! Em João 10.14 lemos: “Eu conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem”! Jesus conhece medos, fraquezas e necessidades individualmente. Ele nos acompanha com mansidão e ternura, não como um mercenário que foge no perigo.
Pastoreiro que refrigera a alma
O Salmo 23 nos lembra desse pastor: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu Nome” (Salmos 23.1-3).
Que sensação agradável produzida pelo frescor! O que é fresco, por sua vez, significa estar bem arejado, que não está quente e, figuradamente, estar ou ser leve. Assim é uma tentativa de traduzir e interpretar a frase “refrigera-me a alma”!
O Salmo 23, na perspectiva de quem escreve, é o da ovelha que experimenta o pastoreio! É um movimento, um andar pelo Caminho do Pastor.
O Salmo 23, na perspectiva de quem escreve, é o da ovelha que experimenta o pastoreio! É um movimento, um andar pelo Caminho do Pastor.
Refrigério tem muitas implicações em hebraico. Uma das palavras usadas tem o significado em sua raiz de “dar de beber”, “irrigar”. Estas duas significações se aplicam ao Salmo do Caminho do Pastor.
Um pastoreio no caminho
Deus, todos os dias, nos conduz por Seus caminhos; Ele os escolhe porque Ele mesmo os fez. O objetivo do pastoreio diário é alimentar o rebanho, mas também fazê-lo movimentar-se e, desde que a ovelha é retirada do aprisco, o caminho é cheio de desafios para as ovelhas.
O caminho não é como nos filmes, um caminho mágico, com Deus a todo momento estalando seus dedos para acabar com uma ameaça. O caminho é real, é a nossa vida! Até chegar às águas de descanso, houve muita poeira, pedra, sobe e desce, suor, escorregões. De nada disso o pastor nos livrou, mas Ele sempre esteve com seu rebanho, conduzindo e levando para o lugar de refrigério da alma.
O caminho é real, é a nossa vida!
A Páscoa e a figura de Jesus como o Bom Pastor estão intrinsecamente conectadas na teologia cristã, representando juntas o sacrifício supremo, o cuidado amoroso e a vitória sobre a morte. Enquanto a Páscoa celebra a morte e a ressurreição, a imagem do Bom Pastor (João 10) explica por que e como Jesus realizou esse sacrifício: por amor e conhecimento pessoal de suas ovelhas.
A Páscoa: a passagem da morte para a vida
A Páscoa (Pessach) tem origem no Êxodo, marcando a libertação dos hebreus da escravidão no Egito. Na perspectiva cristã, isso representa a libertação definitiva da humanidade da escravidão do pecado e da morte.
Jesus é o “Cordeiro de Deus” (Jo 1,29) sacrificado na cruz para retirar o pecado do mundo. O sangue de Jesus, tal como o sangue do cordeiro nos umbrais das portas no Egito, protege e salva seus filhos e filhas. A Páscoa não é apenas a morte de Jesus, mas a sua vitória sobre ela. Ele vive para sempre, trazendo esperança e vida renovada.
Aplicação:
Me lembro do convite de Jesus: “Vinde a mim (…) e achareis descanso (refrigério) para a vossa alma” (Mateus 11.28-29). Celebrar a Páscoa sob a ótica do Bom Pastor significa confiar na sua cura para as feridas do pecado e seguir sua voz em meio a tantas outras. Ele nos carrega sobre os ombros, resgatando-nos e guiando-nos para a vida eterna!
- Fale com a Secretária de Cuidado Pastoral: secpastoral@ipib.org
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Série “O Mosaico da Páscoa”
Este artigo faz parte da série “O Mosaico da Páscoa” do portal O Estandarte. A série reúne artigos de diversos líderes da IPI do Brasil, trazendo luz a diferentes aspectos da Páscoa para a Igreja hoje. Queremos criar uma jornada ampla de compreensão e aplicação do Evangelho para que, então, possamos celebrar, não apenas um ou dois aspectos da mensagem pascal, mas toda a revelação de Cristo para o povo de Deus nos tempos atuais.







