Liderança Transformadora reúne mais de 450 líderes em São Paulo

Encontro na Catedral Evangélica evidencia fragilidades e desafios dos líderes para a implantação da cultura do discipulado na região
Participantes do Encontro Liderança Transformadora na Catedral Evangélica de São Paulo

 

A Catedral Evangélica de São Paulo recebeu, em 28/3/2026, mais de 450 participantes no Encontro Regional Liderança Transformadora, iniciativa da IPI do Brasil voltada à liderança servidora e ao discipulado. O evento integra uma série de 13 encontros regionais programados para 2026, que somaram até o presente momento, mais de 1.200 inscrições.

Estiveram presentes representantes de 13 presbitérios: ABC, Bandeirante, Carapicuíba, Freguesia do Ó, Ipiranga, Leste Paulistano, Litoral Paulista, Novo Leste Paulistano, Novo Osasco, Osasco, Piratininga, São Paulo e Rio de Janeiro.

Josué Campanhã

Ao longo de um sábado de palestras, dinâmicas, coleta e análise de dados, o encontro revelou um diagnóstico duro e desafiador, relatos pessoais de preocupação com muitas igrejas decrescentes e muitas orientações práticas para a volta ao desafio de Jesus de obedecermos ao grande chamado. O foco foi o discipulado, tanto na necessidade formação de novos líderes quanto em relação à vida cotidiana das igrejas.

“Gente, o desafio está lá, o alvo está lá. Nós estamos aqui. Então temos uma caminhada, tem um processo a ser desenvolvido se quisermos alcançar novos discípulos para Jesus”, afirmou o pastor Josué Campanhã, palestrante dos encontros regionais, ao apresentar resultados das pesquisas feitas com os participantes.

 

Pesquisas revelam um quadro preocupante

Aplicadas junto aos participantes, durante o encontro, as pesquisas funcionam como termômetro da realidade percebida pelos presentes.

No indicador de engajamento (modelo NPS, escala de 0 a 10), o grupo registrou nota líquida de -11. Na prática, havia mais líderes céticos ou neutros em relação à vivência nas igrejas do tema proposto do que entusiasmados com a realidade atual das igrejas.

Algumas percepções de uma grande maioria que responderam às perguntas deste diagnóstico:

  • Visão de futuro: um pouco mais de 40% não têm essa clareza;
  • Equipe: 52% afirmaram não ter equipe para executar a visão;
  • Discipulado do líder: 46% dos presentes afirmaram nunca ter passado por um processo consistente de discipulado pessoal;
  • Percepção sobre a compreensão do discipulado nas igrejas participantes: cerca de 70% disseram que as pessoas sob sua liderança não entendem claramente o que é discipulado.

Ao avaliar, numa escala de 0 a 10, o quanto suas igrejas são “discipuladoras”, a média foi considerada baixa pelos próprios líderes, em linha com o desconhecimento do conceito entre os membros.

 

Momento de oração

 

O pastor Marcelo Fraga, um dos mentores da Envisionar, que conduziu as dinâmicas práticas ao lado do pastor Josué Campanhã, ofereceu a perspectiva que transforma o problema em missão: “Nos próximos dez anos, você tem que discipular pelo menos o pessoal da sua liderança. E aí, depois, eles vão poder discipular outros para Jesus e assim por diante”. E completou: “Se 70% das pessoas das igrejas ainda não foram discipuladas, você pode olhar e dizer que o campo está pronto”.

A pesquisa não foi apresentada como sentença, obviamente, mas como mapa. O diagnóstico – ainda que apresentando uma realidade muito difícil – foi acompanhado de um desafio, não para encontrar alguém culpado, mas para gerar clareza e impulsionamento rumo à ação.

 

O Encontro também teve momentos de louvor e adoração a Deus

 

Canal aberto: 50 perguntas em tempo real

Durante o encontro, Campanhã abriu um link para que os participantes enviassem perguntas pelo celular. Cerca de 50 questões foram registradas. O palestrante respondeu algumas ali mesmo e as demais, por questão de tempo, serão disponibilizadas no site do projeto https://liderancatransformadora.ipib.org/

Entre os temas mais frequentes estavam:

  • Como alinhar igreja local, presbitério e denominação em torno do discipulado;
  • Como lidar com a resistência de lideranças em processos de mudanças;
  • Como trabalhar a revitalização em igrejas pequenas;
  • O que fazer quando o pastor (e seus presbíteros) nunca foram discipulados;
  • Como reorganizar agendas e prioridades, sem romper a comunidade.
Atividade em grupo

Nem todas as perguntas puderam ser respondidas no encontro, porém serviram de gatilho para relatos que expuseram o pano de fundo de muitas igrejas: conflitos internos, dificuldade de retenção de membros e percepção de que, em vários casos, mudanças só se tornaram visíveis décadas depois.

“Tem coisas que você vai plantar que vão acontecer vinte anos depois”, disse Campanhã, ao relatar o reencontro com membros de uma igreja em que atuou duas décadas antes. “Deus sabe qual o tempo. Uma parte vai reagir agora e uma parte vai reagir depois”.

 

Frutos tardios e reconciliações

Ao responder às perguntas, o pastor contou situações em que ex-opositores, 20 anos depois, revisitaram sua postura.

Em outro caso, um pai relatou, emocionado, o impacto percebido no filho adolescente ao participar de um discipulado responsável: “Meu filho… o Espírito Santo está trabalhando com o meu filho”, ao notar mudanças na vida de quem crescera em estruturas antigas e só mais tarde recebeu um discipulado consistente.

Os exemplos reforçaram a ideia de que o discipulado raramente produz resultados imediatos em toda a comunidade. Parte dos frutos aparece no curto prazo; outra só se torna visível décadas depois.

 

Compromisso, polarização e gestão do tempo

Nem todas as falas foram otimistas. Ao comentar dúvidas sobre desânimo e baixa adesão, Campanhã lembrou que a dificuldade de compromisso acompanha a igreja há muito tempo.

“Parece que hoje isso está pior, mas sempre tivemos isso. A gente lançava a rede… tinha gente que aceitava um preço, um compromisso; outros não”, afirmou.

Ele também abordou aspectos práticos da organização. Em determinado momento do seu ministério, ao listar tudo o que fazia, chegou a mais de 30 atividades. A partir daí, criou uma ferramenta para comparar duas a duas, perguntando sempre: o que é mais estratégico? O que é mais duradouro? O que é mais multiplicador?

 

O que é mais estratégico? O que é mais duradouro? O que é mais multiplicador?

 

“Ou delegar ou parar”, resumiu, ao relatar o processo de busca pelo foco. Segundo ele, sem essa triagem, sobra pouco espaço na agenda para discipular pessoas com profundidade.

 

Um modelo formativo em três etapas

Ao explicar como estrutura processos de formação, Josué Campanhã sintetizou em três movimentos a lógica que defende:

  1. Pregar (apresentar o conteúdo);
  2. Simular (praticar em ambientes controlados ou acompanhados);
  3. Ensinar e treinar (acompanhar pessoas até que se tornem autônomas).

A sequência foi apresentada como alternativa ao modelo centrado apenas na pregação de púlpito acompanhada de um pastorado multitarefa sobrecarregado de ações secundárias e cujo modelo não tem gerado discípulos que discipulem outros.

 

Depoimentos: entusiasmo com autocrítica

Declarações colhidas ao final do encontro apontam uma recepção majoritariamente positiva, apesar do diagnóstico duro:

“Eu estou muito feliz com esse encontro, que realmente está sendo o que precisamos: discipular mesmo. Hoje nós recebemos informações ricas para discipular as vidas perto da gente”, diz Suelen, da IPI Engenheiro Goulart, zona leste de São Paulo.

“Esse encontro é muito importante para que a liderança seja engajada e, através do discipulado, os seus liderados, os discípulos sejam alcançados e motivados, para que assim o corpo multiplique”, afirma Alexandro, do Presbitério Piratininga.

Da IPI do Rio Pequeno, Elaine Ramires destaca o alinhamento interno: “O Encontro de Liderança Transformadora em São Paulo tem sido muito importante para alinhar o coração da liderança com o coração de Deus, para que a gente possa servir ainda melhor no reino de Deus com amor”.

“Este treinamento é fundamental para o alinhamento da nossa denominação na revitalização das nossas igrejas. Foi um tempo maravilhoso, que irá capacitar os presbitérios de todo o Brasil para, juntos, alcançarmos mais vidas para Jesus”, afirma Fabrício Miguel, da 1ª IPI de São Caetano do Sul.

Para o Presb. Moacir Húngaro, membro da 1ª IPI de São Paulo, três conceitos centrais ficaram nítidos: 1) o grande desafio do discipulado é desenvolver líderes; 2) o inimigo da execução de uma visão não é a falta de recursos, mas a falta de líderes; 3) a estrutura existe para servir à missão, e não o contrário.

A pastora Sheila, da 1ª IPI de Nilópolis (RJ), conclui: “Que benção, meus irmãos! Muito boa. Algo que nós aprendemos muito. Te convido: no próximo, esteja presente”.

 

Desafios regionais

Presidentes de presbitérios apontaram desafios que vão da inércia à compreensão da própria natureza do ministério.

“Conscientizar os irmãos de que é necessário sair da inércia para cumprirmos, com responsabilidade e disposição, a nossa missão”, diz o Rev. Rogério de Santana, do Presbitério do Rio de Janeiro. Para ele, a participação em encontros como este é “essencial” para a construção de “um futuro melhor para a IPI”, respeitando as diferenças regionais.

O Rev. Gilberto Rodrigues Santos, presidente do Presbitério Piratininga, enxerga um problema de base: “O meu maior desafio na minha região é convencer as pessoas de que nós estamos aqui para realizar uma obra e, para realizá-la, nós temos que nos dedicar de corpo e alma, assim como o Senhor Jesus fez. Muitos não entendem isso, que nós não pertencemos mais a nós mesmos. Fomos comprados por bom preço”.

Já o Rev. Rodrigues dos Santos, presidente do Presbitério Novo Leste Paulistano, identifica três eixos recorrentes nas conversas: relacionamentos, discipulado e missão. Na avaliação dele, encontros como o de São Paulo “permitem que a gente tenha clareza sobre como levar a igreja a fazer discípulos”, em referência a Mateus 28.18-20.

 

 

Decisão individual, impacto coletivo

Ao final do encontro, Campanhã retomou a imagem de um vídeo exibido no início: a história de uma protagonista que, diante da mesma oportunidade, vive dois futuros distintos a partir de duas decisões de postura possíveis:  humildade para aprender ou autossuficiência.

“A bola agora está com você”, disse às lideranças presentes. A frase resumiu a mensagem central do dia: parte dos obstáculos é estrutural e histórica; outra parte depende das escolhas que líderes em suas próprias realidades, em igrejas específicas, farão ou não em seus ministérios.

Para os mais de 450 presentes, o desafio foi direto: não basta participar de um grande encontro ou responder a uma pesquisa. O teste começa agora, no retorno às comunidades, na disposição de reorganizar agendas, formar pequenas equipes, iniciar ou retomar discipulados, e sustentar continuamente processos de discipulado, cujos frutos aparecerão somente ao longo de uma caminhada consistente e focada.

Ninguém saiu apenas com impressões gerais: cada participante foi chamado a iniciar um processo de mudança. As orientações práticas incluíram criar um grupo de conversa da liderança, estudar em conjunto o livro Igreja Simples, desenhar um processo de discipulado para a igreja e iniciar um grupo-piloto com a própria liderança, com prazos e metas definidos. A partir disso, os pastores foram convidados a elaborar um “plano de 90 dias”, partindo da ideia de que os próximos três meses importam mais do que o próximo ano: não tentar mudar tudo de uma vez, mas escolher poucas decisões claras e começar a colocá-las em prática imediatamente.

 

Cada participante foi chamado a iniciar um processo de mudança.

 

Enquanto isso, as mentorias com pessoas escolhidas pelas Comissões Executivas de cada presbitério prosseguem tendo acesso a novos conteúdos online, acompanhamento em 3 encontros com esse grupo menor de mentoria para pensar planos para cada um dos presbitérios. Novos encontros regionais estão programados para o restante do ano em diversas partes do Brasil. O campo, como lembrou um dos pastores citando o Novo Testamento, “está pronto”. A questão agora é saber quantos dos presentes em cada um desses encontros regionais transformarão diagnóstico em ação.

 

 

Leia mais

Encontros Regionais superam marca de 1.000 inscritos

Três lições essenciais sobre liderança

Por que você lidera?

O discipulado e o desafio da distância

Começam os encontros “Liderança Transformadora”!

Lançada a plataforma dos Encontros Regionais

 

Foto de Sheila Amorim

Sheila Amorim

Jornalista e gestora da agência Vida&Caminho. Membro da IPI de Cidade Patriarca, São Paulo, SP

Compartilhe este conteúdo. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conteúdo Geral

Notícias Relacionadas

Categorias

Seções

Artigos por Edições

Artigos mais populares

Não Existem mais Posts para Exibir
plugins premium WordPress
Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência possível para o usuário. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajuda a nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.