Rev. Messias Anacleto Rosa

Autor do livro Do Jeito de Deus, tema que inspirou a comunicação da IPI do Brasil em janeiro, ele compartilha reflexões sobre uma vida alinhada...

Aos 90 anos, o Rev. Messias Anacleto Rosa continua sendo um exemplo de dedicação ao ministério pastoral e à pregação do evangelho. 

Autor do livro Do Jeito de Deus, tema que inspirou a comunicação da IPI do Brasil em janeiro, ele compartilha reflexões sobre uma vida alinhada à vontade divina, os desafios do ministério e a esperança em Cristo. Confira os principais trechos da entrevista.

O que o inspirou a escrever Do Jeito de Deus e como foi o processo de criação deste livro?
O que me inspirou, eu posso dizer assim: há dentro do coração da gente um desejo muito grande. Qual? Andar de acordo com os propósitos de Deus. Eu faço uma brincadeira, mas digo assim: quando o trem sai dos trilhos, há um descarrilamento. É complicado! Então, o que me inspirou foi, acima de tudo, andar com Deus, andar nos trilhos.

Isso nos leva a andar do jeito de Deus. Como diz o velho hino: “Não a minha vontade, mas a tua vontade”. E, quando a gente está andando no foco de Deus, ah, que maravilha! A vida fica mais leve, a vida tem mais sentido. A gente vive aquilo que Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida e vida em abundância”.

Então, foi isso que me inspirou: uma vida focada em Deus.

O título sugere viver alinhado com a vontade divina. Em sua experiência, quais os maiores desafios que as pessoas enfrentam para viver “do jeito de Deus”?
A vida é feita de desafios, e eu creio que o maior desafio é a submissão e a entrega. Eu me colocar nas mãos de Deus e dizer: “Deus, não a minha vontade”.

Lembro-me muito do Rev. Jonas Dias Martins, de saudosa memória. Ele dizia: “Meu irmão, o mais difícil é a entrega. A gente entregar não só a direção, mas o acelerador também”. 

Quer dizer: “Senhor, tudo a ti entrego”. 

Eu creio que a nossa vontade é muito forte e que, por natureza, a gente é teimoso. Mas Deus, na sua infinita graça, tem paciência conosco. O melhor mesmo é a gente não sair da rota.

Como foi a transição para o ambiente digital e como o senhor percebe o impacto disso em seu ministério?
Neste ano, estou completando 71 anos pregando na televisão e no rádio. Tive o privilégio de gravar para a Transmundial, o que foi uma experiência muito boa. Só para refrescar a memória, a primeira vez que preguei no rádio foi em uma emissora de ondas médias e curtas, e preguei sobre João 10: Jesus, o Bom Pastor.

Eu creio que não tive dificuldades, porque Deus me permitiu a graça de trabalhar tanto com televisão quanto com rádio. 

Eu entendo que Deus é comunicação. Acho que a maior comunicação é o Salmo 19: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.

Creio que o surgimento desses recursos é um presente que Deus nos deu. E a igreja tem que estar presente, ocupando o seu espaço, porque a fé vem pelo ouvir, e ouvir a Palavra de Deus. 

Quer seja a internet, o rádio, a televisão ou a imprensa escrita, todos são veículos poderosos nas mãos de Deus para a disseminação do evangelho.

Qual mensagem o senhor considera mais urgente para compartilhar com a geração atual?
Permita-me citar Billy Graham. Quando ele, ainda jovem, visitou o primeiro-ministro Winston Churchill e ouviu a pergunta: “Jovem pregador, há uma esperança para o mundo?”, ele respondeu: “Ah, sim. Jesus!”.

Há uma esperança, e não é uma utopia: é uma esperança viva e que realmente funciona. A mensagem foi, é e sempre será: Jesus é a nossa esperança. Por quê? Porque Ele tem a resposta para toda e qualquer pergunta. Cristo é a resposta.

O livro do senhor inspirou o tema de janeiro para toda a comunicação da IPI. Como o senhor enxerga a relação entre as reflexões de seu livro e a celebração contínua do que Deus fez, faz e promete fazer?
Primeiramente, quero abrir um espaço para agradecer à IPI do Brasil e aos irmãos que escolheram esse tema. Aliás, quero dizer: esse tema não é meu. Nada é nosso. Ele veio de Deus.
Eu vejo que estamos no caminho. E qual é o caminho? O caminho é o jeito de Deus. Tenho dito que o pecado nos afastou da rota. Eu viajei muito, tive o privilégio de conhecer muitas partes do mundo, e achei interessante que, na aviação, há momentos em que a tripulação e o comandante precisam refazer a rota. Assim também, queridos, precisamos ficar no foco de Deus. Não podemos sair da rota. Se houver um desvio, vamos voltar. O caminho é sempre Jesus.

No Tempo Comum, celebramos a salvação pela graça de Deus em Cristo. Como o senhor tem experimentado essa verdade em sua vida e ministério?
Essa é a resposta mais fascinante para mim. Respondo com o meu texto predileto, 1 Coríntios 15.10: “Eu sou o que sou pela graça de Deus”.
Quando perdi minha esposa, com quem fui casado por 62 anos, Deus falou ao meu coração: Prossiga. Você não está debaixo da lei, mas debaixo da graça.
Não é uma graça barata. É a graça maravilhosa de Jesus, que nos capacita, sustenta e nos faz avançar. É pela graça, porque a graça é melhor do que a vida.

Que conselho o senhor daria para os jovens que desejam permanecer fiéis e atuantes no ministério ao longo da vida?
Meu conselho está em 1 Timóteo 3: Quem almeja o episcopado deseja uma excelente obra.
Queridos, eu não creio muito em profissão; eu creio em vocação. Cada um de nós pode servir a Deus no campo onde Ele nos colocou: o engenheiro, o professor, o gestor, o médico… Todas essas profissões são sacerdócio.
Mas aquele que foi chamado para o ministério da Palavra tem um privilégio, porque não foi ele quem escolheu — foi Deus quem o escolheu.
Eu não me julgo conselheiro, mas darei uma sugestão: comece bem, prossiga melhor e termine com excelência. Não basta começar. É preciso olhar para o alvo, avançar e alcançar o pódio. 

Não é fácil. 75% não terminam bem. Mas fique no percentual dos que terminam. Diga: Comecei, prossigo, não desisto. Quero terminar bem e receber o bem-vindo de Jesus: “Bem está, servo bom e fiel. Foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei.”

O que significa para o senhor continuar contribuindo ativamente para o reino de Deus nesta etapa da vida?
Tenho bons amigos na igreja, e um deles é o Rev. Matias Quintela de Souza. Um dia, em uma reunião, ele disse: Cansado, mas não enfadado.
Posso dizer que a velhice é uma fase muito bonita, porque, se chegamos à velhice, foi porque Deus nos permitiu. Creio que essa é uma das fases mais lindas da vida.
Nessa etapa, você não tem tanta responsabilidade, mas tem muitos privilégios. O pastor jubilado não é jubilado da alegria. Ele é pastor com júbilo.
Como diz o versículo que tenho em minha mesa de trabalho: “Floresça onde você está plantado”.
Não importa a idade; onde Deus nos coloca, ali devemos brilhar. Somos como uma vela, e vamos queimar até o fim.

Como o senhor visualiza o papel da IPI do Brasil no fortalecimento da fé e da comunhão entre seus membros no futuro?
Nossa igreja, nascida em 1903, é um ramo ligado ao tronco. Não somos uma igreja numericamente grande. Somos uma igreja de Deus popular. Como dizia o teólogo Antônio de Godoy Sobrinho: “Não temos uma crise eclesial; temos uma crise eclesiástica”.
A igreja está bem, porque é o corpo vivo de Cristo, triunfante e vitoriosa. As portas do inferno não prevalecem contra ela.
Eu creio que a IPI do Brasil tem uma contribuição muito rica em seu arcabouço doutrinário, teológico e histórico. Somos filhos da Reforma, cristãos, bíblicos. Somos um corpo vivo, não apenas uma organização. Louvado seja Deus!

 

Ouça a Entrevista na íntegra

 

 

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