Uma igreja livre de telas: uma visão contracultural

East reconhece que essa ideia pode parecer radical ou até impraticável num mundo cada vez mais digital. No entanto, ele sustenta que a influência pervasiva...

Em artigo instigante para a revista Christianity Today, Brad East argumenta que a tecnologia digital representa a maior ameaça à igreja contemporânea. Ele defende a criação de uma “igreja livre de telas”, um conceito que busca minimizar ou eliminar o uso de dispositivos digitais e telas na vida da igreja, especialmente durante o culto público.

East reconhece que essa ideia pode parecer radical ou até impraticável num mundo cada vez mais digital. No entanto, ele sustenta que a influência pervasiva das telas tem efeitos prejudiciais em nossa vida espiritual, incluindo:

  • Aceleração do ritmo de vida e redução da capacidade de atenção.
  • Diminuição da alfabetização e aumento da distração de deveres e relacionamentos importantes.
  • Criação de uma “coceira” digital que precisa ser constantemente coçada.
  • Substituição da interação face a face e da natureza pela artificialidade das telas.
  • Aumento da solidão, isolamento, ansiedade e depressão.
  • Priorização da segurança e aversão ao risco em detrimento da coragem, aventura e ousadia.

 

O autor usa uma linguagem forte para enfatizar seu ponto de vista. Ele compara a aceitação passiva da tecnologia digital a “prisões sem muros” e cita Marshall McLuhan, que chamou aqueles que não questionam o impacto da tecnologia de “idiotas tecnológicos”.

East esclarece que não se trata de rejeitar toda a tecnologia. A igreja depende de várias formas de tecnologia para funcionar. A questão central é o discernimento no uso da tecnologia, especialmente das telas, que podem prejudicar nossa capacidade de foco e atenção, essenciais para a oração e o culto.

Em seguida, o autor apresenta exemplos concretos de como uma igreja livre de telas poderia funcionar na prática, começando com a eliminação de smartphones durante o culto. Ele sugere que os pastores deem o exemplo, deixando seus telefones de lado e incentivando a congregação a fazer o mesmo.

Um hinário é distribuído para todos os assentos do santuário em uma igreja batista em San Antonio. The Return of the Hymnal — Christianity Today

Outras medidas propostas incluem:

  • Incentivar o uso de Bíblias físicas: Para promover a alfabetização bíblica e a conexão tangível com a Palavra de Deus.
  • Limitar a transmissão ao vivo dos cultos: Para evitar a criação de uma “cultura de sofá” e enfatizar a importância da presença física na comunidade.
  • Minimizar o uso de vídeos: Para evitar distrações e superficialidade, concentrando a atenção na mensagem do Evangelho.
  • Considerar a remoção de telas do santuário: Para direcionar o foco para os elementos centrais do culto e evitar a tentação constante de olhar para as telas.

 

East reconhece que a transição para uma igreja livre de telas exige uma mudança cultural significativa. No entanto, ele argumenta que essa mudança é necessária e urgente para proteger a igreja dos efeitos nocivos da tecnologia digital.

O autor conclui com um chamado à ação, exortando os líderes da igreja a agirem com coragem e determinação para implementar essa visão. Ele argumenta que o futuro da igreja depende da nossa capacidade de resistir à invasão digital e redescobrir a beleza e o poder da presença, da atenção e da conexão autêntica.

Texto extraído do site: www.lecionario.com

 

Brad East é professor associado de teologia na Abilene Christian University. Ele é autor de quatro livros, incluindo The Church: A Guide to the People of God and Letters to a Future Saint

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