Missão Canaçari: dias que ficarão para sempre em meu coração

Deus nos proporcionou dias intensos. A equipe estava profundamente emocionada. Para muitos, era a primeira experiência em uma missão assim.
Parte da equipe enviada ao Lago de Canaçari, em SIlves, região do médio/baixo Amazonas. Momento de visita a um dos moradores.

 

Confira a seguir o breve relato do missionário Marcos Oliveira, líder de campo da Missão Canaçari 2026 – uma viagem missionária realizada de 21 a 26 de julho para o Lago de Canaçari, em Silves, na região do médio/baixo Amazonas. A iniciativa foi da Secretaria Nacional de Evangelização e Discipulado da IPI do Brasil, em parceria com o Presbitério do Amazonas.

 

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Hoje consegui parar um pouco para escrever sobre os dias que passei em Canaçari, no Amazonas. Cheguei a Manaus na madrugada de domingo (19/07), já na expectativa do que viveríamos nos dias seguintes (21 a 26/07).

Na segunda-feira (20) compramos os doces que seriam entregues às crianças da comunidade e também encontramos alguns irmãos que estavam chegando para a missão.

Ao todo, tivemos 36 voluntários, vindos de oito igrejas e de duas denominações diferentes: a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPI do Brasil) e a Igreja Luterana Reformada. Os voluntários vieram de várias regiões do Brasil.

 

 

 

Ponto de partida

Na terça-feira (21), nos encontramos no ponto de partida, pegamos o ônibus e seguimos viagem. Foram seis horas de estrada até o porto, onde nosso barco-dormitório já nos aguardava. Depois, enfrentamos mais duas horas de barco até chegarmos a Canaçari, por volta das 21 horas.

Fomos recebidos pelas missionárias que cuidam da congregação local. Em seguida, dividimos quem dormiria no salão da igreja e quem permaneceria no barco. Passei toda a semana dormindo no barco, em uma rede. A primeira noite é sempre desafiadora, mas, com o cansaço dos dias seguintes, o corpo acaba se adaptando.

Todos os dias acordávamos às 6h30. O café da manhã era servido e, em seguida, realizávamos nossa devocional.

Depois, as equipes eram divididas para as visitas às casas. Visitamos cerca de 50 famílias (e todos os deslocamentos eram feitos de barco). Isso tornava o trabalho mais lento e aumentava os custos com combustível. Ainda assim, posso afirmar que as visitas foram um dos pontos mais marcantes da missão. Tivemos vidas entregues a Jesus e casamentos restaurados!

Visitando e orando…

Quem permanecia na base missionária participava dos atendimentos de saúde. Havia equipes responsáveis pelos cadastros dos pacientes e pela organização da entrega das cestas básicas.

O ministério infantil trabalhou intensamente. As crianças não queriam que alguns “tios” voltassem para casa, tamanho foi o vínculo de amor criado ao longo daqueles dias.

 

Verdadeiros milagres

Também presenciei verdadeiros milagres nos atendimentos odontológicos. A cadeira do dentista era improvisada com dois bancos da igreja, devidamente higienizados. A equipe da saúde não parava um minuto sequer.

Algo que chamou muito a atenção de toda a equipe foi a quantidade de pessoas que buscaram atendimento psicológico. Posso afirmar que foi a primeira vez que vi isso acontecer em uma viagem missionária.

Encontramos pessoas deprimidas, ansiosas, com histórico de tentativas de suicídio e pensamentos suicidas. Ao final de cada dia, nossas psicólogas estavam emocionalmente exaustas, mas Deus as sustentou, capacitou e renovou suas forças.

Ao todo, realizamos cerca de 150 atendimentos na área da saúde, um número bastante expressivo considerando a realidade local, onde as casas ficam muito distantes umas das outras e o transporte é feito exclusivamente por barco.

 

[leia aqui o testemunho do dentista Lucas Bandiera]

 

 

Não é fácil liderar

Mas preciso compartilhar algo com os irmãos: não é fácil liderar uma missão como essa.

É preciso se preocupar com cada detalhe: se a equipe está bem, se todos se alimentaram, se estão se hidratando adequadamente. Toda vez que uma equipe saía de barco e demorava a retornar, meu coração ficava inquieto.

Nosso maior patrimônio são os voluntários, pessoas que Jesus confiou aos nossos cuidados. Como tínhamos, ao mesmo tempo, jovens, adultos e pessoas mais experientes era necessário permanecer atento o tempo todo.

No sábado (25), realizamos mais um culto. Em seguida, entregamos as cestas básicas e as sacolinhas para as crianças. Foi uma verdadeira festa!

A equipe estava profundamente emocionada. Para muitos, era a primeira experiência em uma missão como essa.

 

Equipe de voluntários

 

Dias intensos, transformadores e inesquecíveis

Deus nos proporcionou dias intensos, transformadores e inesquecíveis.

Por ser de difícil acesso, a comunidade de Canaçari raramente recebe equipes para um trabalho como este. As famílias se sentiram honradas com a nossa presença. Fomos presenteados com frutas, verduras, peixes e açaí.

Comi tanto peixe que acabei tendo uma crise de “gota” no sábado. Felizmente, agora estou muito bem, embora precise me cuidar mais.

 

Trabalho com crianças

 

Aspecto emocional

Outro desafio foi a parte emocional. Como coordenador da ação, precisei estar atento a cada detalhe, a cada necessidade que surgia, sempre procurando oferecer respostas rápidas para a equipe. Apesar das intercorrências — muitas das quais a equipe sequer chegou a perceber —, Deus conduziu tudo de maneira extraordinária.

 

Coração grato

Volto para casa com o coração profundamente grato a Deus pelo Seu cuidado, pelas conexões que foram construídas, pelo Evangelho anunciado e pelo privilégio de servir à minha denominação.

Agradeço a cada pessoa que orou por nós e que me apoiou para viver este momento.

Que venham outras viagens como esta, se Deus permitir.

 

“Porque dele, por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Romanos 11:36)

 

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LEIA MAIS

Que tal fazer uma viagem missionária ao coração do Amazonas?

 

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E você, gostaria de participar de uma experiência missionária como essa? Deixe sua resposta nos comentários!

Foto de Marcos Oliveira

Marcos Oliveira

Assessor da Secretaria de Evangelização e Discipulado da IPIB. Missionário da IPIB no Instituto Sonhe, atua como mobilizador missionário do Adote Índia. Cantor e compositor. Autor do livro “Crônicas e Pensamentos”. É membro da IPI Vila Carrão, em São Paulo, SP.

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