Aquarela do século XVIII (ou XIX) da Baía de Guanabara (Crédito G. Haevel – Acervo particular)
“Estou pronto para descer!”
Foram exatamente estas as palavras que um jovem escreveu em seu diário, há 167 anos. Eram 9h30 do dia 12 de agosto de 1859.
Aquele jovem estava a bordo de um navio procedente dos Estados Unidos que acabara de ancorar no Rio de Janeiro. Era um pastor presbiteriano enviado como missionário ao nosso país. Seu nome era Ashbel Green Simonton. Estava com 26 anos. Tinha concluído o curso de teologia recentemente, no Seminário de Princeton. Ao invés de se acomodar como pastor de uma igreja na sua terra, tinha preferido ser missionário em terra estranha.
“Estou pronto para descer!”
Pareciam palavras atrevidas de um jovem idealista! Como é que ele se achava pronto para descer em nosso país?

Viajara sozinho. Não sabia falar português. No Rio de Janeiro, muitas pessoas estavam morrendo, não de Covid-19, mas de febre amarela.
O que poderia ele fazer como missionário num país continental como o Brasil? Como é que ele tinha a ousadia de se considerar pronto para descer em nosso território?
Sendo jovem, talvez imaginasse que teria muitos anos de vida. Assim, teria todas as condições para implantar o presbiterianismo em nosso país.
Contudo, ele estava totalmente enganado! Tinha poucos anos pela frente. Seu ministério como pastor-missionário iria se estender por pouco mais de 8 anos. Sua breve existência foi de somente 34 anos.
“Estou pronto para descer!”
Em 8 anos, ele se casaria, teria uma filha, ficaria viúvo, faleceria vítima da febre amarela e seria sepultado no Cemitério dos Protestantes, em São Paulo.
Mas, nesses curtos 8 anos, organizou a 1ª Igreja Presbiteriana do Brasil, atraiu outros missionários ao nosso país, criou o primeiro jornal evangélico, organizou o primeiro presbitério e ordenou o primeiro pastor presbiteriano brasileiro, um ex-padre chamado José Manoel da Conceição.
Simonton estava certo! Ele realmente estava pronto! Deus o preparara!
Com reverência, cultivemos sua memória no Dia do Presbiterianismo! Supliquemos que Deus nos conceda a graça de estarmos prontos para semear o evangelho no Brasil!
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Nota do editor:
Texto publicado em O Estandarte em agosto de 2021.







