Da série “Que IPIB queremos construir?”
Há uma diferença entre conhecer a história de uma igreja e pertencer à sua história.
Muito antes de compreender a riqueza da tradição Reformada ou conhecer a história da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, aprendi a amá-la pelas pessoas. Cresci ouvindo histórias de fé da igrejinha dos milagres ao redor da mesa, e vi o Evangelho encarnado na vida de meus pais. Antes de conhecer nossa Constituição, conheci o compromisso; antes de estudar nossa história, experimentei seu testemunho.
Hoje, Deus me concede o privilégio de servir como pastor de uma igreja local e colaborar com a denominação em outras áreas. Em todos esses lugares, percebo uma mesma verdade: a Igreja não pertence apenas a um lugar ou a uma geração. Ela pertence a Cristo Jesus e participa da missão que Ele confiou ao seu povo.
Celebrar os 123 anos da IPIB é reconhecer a fidelidade de Deus ao longo da caminhada e perguntar com humildade e esperança: que IPIB queremos construir?
Convicção espiritual
Para responder a essa pergunta, eu os convido a olhar para nossa história com gratidão.
Nossa igreja nasceu de uma profunda convicção espiritual. A “independência” foi, antes de tudo, um compromisso de servir a Cristo com fidelidade, responsabilidade e maturidade. Os primeiros homens e mulheres da IPIB compreenderam que uma igreja brasileira deveria servir diretamente na missão, na formação e em testemunho. A autonomia era um meio; e a proclamação do Evangelho, o fim.
Como toda igreja viva, nossa identidade precisou amadurecer. Nos primeiros anos, foi necessário consolidar estruturas, fortalecer a liderança nacional, desenvolver o seminário, plantar igrejas e afirmar nossa vocação reformada. Era o tempo de responder à pergunta: quem somos?
Para que existimos?
Com o passar do tempo, outra pergunta emergiu: para que existimos?
Foi então que nossa compreensão missionária se expandiu. Aos poucos, a IPIB percebeu que sua identidade é fortalecida na missão. Descobrimos que “independência” não significa autossuficiência, e que fidelidade doutrinária se expressa também no compromisso com a unidade da Igreja de Cristo.
A cooperação com igrejas Reformadas da América Latina, África e outros continentes nasceu da convicção de que a missão pertence a Deus. O envio de missionários, as parcerias entre igrejas e o fortalecimento das relações intereclesiásticas revelam que a igreja passou a olhar para o mundo como campo do agir de Deus.

O sinal do Reino
Nas últimas décadas, consolidou-se entre nós a compreensão de missão como vocação permanente da Igreja. Não apenas “campos missionários”, mas situações missionárias; não apenas envio de pessoas, mas formação de comunidades capazes de testemunhar Cristo em qualquer cultura e diante de qualquer desafio.
Essa percepção continua atual. Vivemos em um tempo marcado por intensas transformações culturais, pela mobilidade humana, pela comunicação instantânea e por uma convivência inédita entre povos e culturas. Nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão fragmentados. Nesse contexto, Deus continua chamando sua Igreja para ser sinal do Reino a todos os povos.
Somos herdeiros
Creio que a IPIB possui uma contribuição singular a oferecer. Somos herdeiros de uma tradição que valoriza profundamente as Escrituras, a centralidade de Cristo, a solidez teológica, e a responsabilidade missionária. Esses valores permanecem indispensáveis. E o desafio de nossa geração não é apenas preservá-los, mas traduzi-los para o mundo em que vivemos.
A igreja a que servimos é chamada a ser bíblica; compassiva diante das dores humanas; profética em seu testemunho; humilde para continuar aprendendo; comprometida com a justiça e o cuidado da criação; e conduzida pelas mãos de Deus.
Sonho com uma IPIB…
Sonho com uma IPIB que continue formando discípulos que fazem discípulos de Jesus. Sonho com uma igreja que compreenda que a missão nunca é solitária. Afinal, somos membros uns dos outros e pertencemos ao mesmo Senhor.
Talvez seja esse o próximo capítulo de nossa história. Em nosso segundo século de vida, somos chamados a formar uma geração de discípulos capazes de viver o Evangelho em um mundo global, digital, urbano, multicultural e profundamente sedento de esperança. Discípulos que conheçam as Escrituras, amem a Deus e a Igreja, e sirvam a cidade servindo ao Senhor.
Afinal, a Igreja nunca existiu para contar sua própria história, mas para anunciar a história daquele que morreu e ressuscitou por todas as nações.
A Igreja nunca existiu para contar sua própria história, mas para anunciar a história daquele que morreu e ressuscitou por todas as nações.
Quando penso no futuro, imagino uma igreja em movimento. Uma igreja que continua ouvindo o chamado do Senhor, como Abraão, os apóstolos e como tantas gerações de presbiterianos/as independentes antes de nós.
Recebi de meu pai e de minha mãe uma igreja que ama a Cristo. Minha oração é que possamos entregar aos nossos filhos e filhas uma igreja que ama a Cristo.
Porque, no fim das contas, a pergunta não é apenas: que IPIB queremos construir? A pergunta maior sempre será: que tipo de Igreja Cristo deseja encontrar quando olhar para nós?
Imagem do topo: magnific.com
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COM QUE IPIB VOCÊ SONHA?
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Uma resposta
Pertenço a IPIB desde meus dois anos de idade. Minha mãe era da IPB mas quando nos mudamos para o Tatuapé (em SP) a igreja mais perto era a IPI de 5a Parada, hoje 1a IPI do Tatuapé. Hoje, com 78 anos, sou grata a Deus por ter me plantado nessa igreja que eu amo! Sonho em ver a igreja cada dia mais vivificada! Em nome de Jesus!