A verdadeira diaconia vê o mundo com as lentes de Jesus

Secretaria Nacional de Ação Social e Diaconia (SASD) compartilha seus planos para 2026 e desafia a igreja a ser expressão concreta da presença de Deus no mundo

 

Por uma “diaconia espiritual”, a Reva. Ieda Rebouças, secretária nacional de ação social e diaconia da IPI do Brasil, fala sobre os projetos da SASD, os desafios da denominação e a visão de Jesus Cristo sobre a prática da diaconia.

“O Texto Sagrado não registra um Cristo apático diante da dor do ser humano”, afirma ela.

Confira a entrevista a seguir e sinta-se inspirado(a) a amar o próximo como a si mesmo.

 

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Entrevistada: Reva. Ieda Cristina Dias de Souza Rebouças.

Secretaria: Nacional de Ação Social e Diaconia (SASD).

 

 

SOBRE A SECRETARIA

 

 Por favor, explique ao leitor(a) qual os objetivos da sua secretaria nacional?

 A Madre Tereza de Calcutá expressava: “Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade”. (…) “Tudo que se perde é o que não se dá”.  Queremos tornar a SASD mais acessível à igreja local com projetos e assessoria em áreas específicas. O desafio é levar a SASD a cada igreja local como um braço, ajuda e uma voz para despertamento da diaconia em todas as suas vertentes.

Sabemos que os desafios diaconais são muito mais vastos e abrangentes. Fazer diaconia é servir ao nosso semelhante que sofre, em sua totalidade. Não podemos restringir sofrimento apenas à pobreza física. O chamado de Jesus é para servirmos a todos e todas que sofrem e em todas as áreas. O gemido e pedido de socorro ultrapassam a fome física. Portanto, o objetivo da SASD é ajudar a igreja local a identificar cada pedido de socorro e assim poder ajudar a ser uma resposta na vida desses que sofrem.

Quais os maiores desafios para o alcance desses objetivos?

Desde financeiros, recursos humanos, dificuldade de acesso à igreja local e conhecimento de trabalhos que já estão em ativa ou sendo desenvolvidos.

A falta de informação sobre as necessidades reais que cada igreja local enfrenta em começar ou manter um trabalho que atendam os que sofrem ao redor da comunidade e uma conexão mais efetiva entre a SASD e a igreja local são alguns dos desafios. Poderia citar tantos outros que serão vencidos ao longo prazo.

Como você pretende alcançar esses objetivos?

Sabemos que é um trabalho desafiador, lento e de “formiguinha”. Não vamos conseguir mudar tudo em alguns anos. É necessário um longo tempo e conversão de mentalidade. No momento, a SASD possui assessores em cada região. Com isso, estamos tentando fortalecer em cada região uma comunicação que possibilite cada assessor apresentar os projetos da SASD e ouvir cada igreja local com suas demandas, buscando formas de ajudar cada igreja local que desenvolve algum trabalho.

Com os assessores que fazem conexão entre a SASD e a igreja local, buscamos divulgar os trabalhos que as igrejas locais desenvolvem na página da SASD e outros meios de comunicação como grupos de WhatsApp.

O que há de planejado para 2026?

Estamos com alguns projetos em andamento:

  • Encontro Diaconal no segundo semestre em três regiões: Teremos palestrantes, com assuntos como: meio ambiente, refugiados e migrantes, a questão da vulnerabilidade e educação.
  • Preparação de uma cartilha sobre a diaconia
  • Criação de um banco de dados: teremos os dados das igrejas que desenvolvem trabalhos sociais e diaconais onde estão inseridas: qual o trabalho, a cidade que é desenvolvido, como podem ajudar e outros dados importantes.
  • Mesa do Cordeiro: estamos incentivando a igreja local a desenvolver o “Mesa do Cordeiro” em sua comunidade. A SASD disponibiliza um valor financeiro para igrejas que queiram iniciar um trabalho social, além de dar suporte a outras que já possuem alguma atividade de atendimento social às pessoas, desde escolas, creches, pessoas em trajetória de rua, visitas a hospitais, casa de idosos, casa de recuperação, entre outros.
  • Caminho da Hospitalidade: a SASD lançará um projeto com o propósito de ajudar a igreja local a iniciar um trabalho com refugiados e migrantes.

 

A IPIB é uma denominação nacional. Considerando as dimensões continentais do nosso país, como envolver e engajar mais igrejas locais no trabalho de sua secretaria?

Os assessores são a ponte e a maneira de interagir e conectar a SASD com a igreja local.  Já o secretário diaconal de cada Presbitério é uma conexão da SASD com a igreja local.

 

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SOBRE A VISÃO CRISTÃ DA DIACONIA

 

Jesus é o nosso maior exemplo de teoria e prática. Como ele via a diaconia e como ele a praticou?

 O texto de Mateus 9.36 (“Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor”) nos mostra o Cristo vendo as necessidades do ser humano. Jesus viu, se compadeceu e se colocou para resolver os problemas que afligiam a todos e todas que estavam em seu caminho. O Texto Sagrado não registra um Cristo apático diante da dor do ser humano.

 

Jesus viu, se compadeceu e se colocou para resolver os problemas que afligiam a todos e todas que estavam em seu caminho.

 

O Novo Testamento não tem registro de que Jesus, o Nazareno, passou a largo da dor do maltrapilho, do excluído, da prostituta, da mãe enlutada, do marginalizado sem voz e identidade. Vemos um Jesus que se coloca no caminho para resolver e buscar ajuda.

Em João 10.10, Jesus fala “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” e em Mateus 14.16 deixa uma missão “Jesus, porém, lhes disse: ‘Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer’”. Paulo aconselha em Efésios 5.1: “sede, pois imitadores de Deus, como filhos amados, e andai em Amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”.

O teólogo René Padilha tem uma frase que resume bem a visão de Jesus e como Ele viveu:

“Seguir a Jesus é, entre outras coisas, colocar-se à disposição Dele para participar, com Ele e com outros discípulos Seus, da Missão do Reino de Deus: Proclamação, em palavra e ação, das boas novas de justiça. Paz e integralidade da criação por meio de Jesus Cristo”.

O quanto as igrejas atuais têm uma visão parecida com Jesus a respeito da diaconia (teoria e prática)?

Poderíamos dizer que muitas igrejas têm visão de Jesus, mas poderíamos ter muito mais. A certeza que muitas igrejas estão servindo ao próximo. Servindo de muitas formas e maneiras. Servindo com muito pouco. Servindo sem holofotes, mídia, páginas nas redes sociais, aplausos. Igrejas que estão servindo sem ninguém saber e vê. Temos igrejas que renunciam ao “conforto” ou melhores instalações para serem resposta de oração aos pequeninos de Jesus. Igrejas que entenderam que servir é a identidade da Igreja!

Você acha que a “diaconia” é um aspecto da vida cristã que está em crise nas igrejas locais? Se sim, por quê?

Na verdade, nos falta informações corretas sobre diaconia. Ao longo dos séculos, ela foi sendo dissociada da realidade das igrejas. Diaconia se tornou serviço social, voluntariado, ONG e trabalhos do Terceiro Setor. Tudo isso é muito bom, e completa o serviço diaconal, fortalece os trabalhos, expandindo e alcançando mais pessoas. Mas, no final, a visão aceita é de que Igreja e Diaconia não caminham mais juntas. A diaconia foi deixada como algo secundário, e todas as outras atividades da igreja se tornaram mais importantes e relevantes.

Quando entendermos que a “a Igreja é a principal expressão da presença de Deus no mundo (…) povo formado por gente que deseja se parecer com Jesus” (Aliança Cristã Evangélica Brasileira), a diaconia será retomada com toda a força, recursos e mãos que desejam se entregar a serviço do Reino de Deus.

 

“A Igreja é a principal expressão da presença de Deus no mundo (…) povo formado por gente que deseja se parecer com Jesus”.

 

Quando entendermos que “a Igreja é uma comunidade de serviço formada por pessoas felizes que encontraram um profundo abraço de amor de Deus e desejam abraçar o mundo” (Luiz Sayão), a diaconia voltará a se tornar mais que um departamento para pessoas escolhidas e eleitas para exercerem um cargo. Ela vai se tornar a realidade de cada irmão e irmã; ela vai mudar a vida e a perspectiva da igreja local, e trazendo uma nova dimensão de enxergar o mundo, o próximo e os que sofrem.

Se você pudesse dar alguns conselhos práticos para os líderes locais a respeito de como desenvolver a diaconia e as ações sociais nas suas igrejas locais, quais seriam?

  •  Ore, ore e busque o Espírito Santo para trazer convencimento, entendimento e qual a realidade que a igreja local está inserida.
  • Olhe ao seu redor. Levante os olhos acima dos muros e escute e perceba a realidade ao redor. Anote e veja o que é realidade, e não o que estão pensando ser o melhor.
  • Escuta ativa com a comunidade e arredores.
  • Ore por trabalhadores e pessoas apaixonadas por Jesus.

 

Penso em uma diaconia espiritual que é marcada pelos joelhos que se dobram em oração e clamor ao Deus dos Impossíveis, por uma profunda compaixão de doação aos que sofrem e um coração apaixonado pela pregação do Evangelho Encarnado.

Lembremos que “Tudo que se perde é o que não se dá” (Madre Tereza). Por isso, coloque-se diante de Jesus, o Nazareno, pergunte e escute Sua voz, direcionando os próximos passos.

Desafie-se a olhar o outro com as lentes de Jesus. Desafie-se a enxergar o outro mais profunda e minuciosamente, e você verá as suas dores, lutas e gemido, e será tomado de grande compaixão, assim como Jesus.

 

Desafie-se a olhar o outro com as lentes de Jesus. Desafie-se a enxergar o outro mais profunda e minuciosamente, e você verá as suas dores, lutas e gemido, e será tomado de grande compaixão, assim como Jesus.

 

Lembremos que Diaconia é um serviço ao Reino de Deus. Na esperança pelo “Cristo, que dará um fim a toda a miséria, é preciso aliviar o sofrimento, onde for possível” (Confissão de Augsburgo). Somos chamados, como Igreja, comunidade fé, como servos e servas, como discípulos e discípulas, a “aliviar aqueles que estão no nosso caminho, no caminho da igreja, no caminho da escola, no caminho para eternidade”.

Gosto da fala do Pr. Carlinhos Queiroz:

“Viver em amor é viver em diaconia. Em serviço e missão, o que nos salva de nossa própria desumanidade”.

Diaconia é um serviço ao próximo, uma resposta às aflições que o outro enfrenta.  Precisa ser pensada cuidadosamente, analisada com muita responsabilidade no fazer.

Como os irmãos e irmãs da IPI podem fazer contato com a Secretaria da Diaconia e como eles podem se envolver as atividades da secretaria?

Temos o contato diretamente com o Assessor da região. O contato pelo e-mail é diaconia@ipib.org.  Assim que recebermos o e-mail, a SASD entrará em contato.

Você também pode entrar em contato conosco por meio do Secretário de Diaconia do seu Presbitério. Ele então entrará em contato com a SASD.

 

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Quem é a Reva. Ieda Rebouças?

Sou baiana, da cidade de Vitória da Conquista. Tenho três filhos e dois netos, vindos do coração que não escolhe a quem amar. Sou de uma família de seis irmãos. Um pai que nos ensinou a coragem de sonhar, a viver o hoje, a saber respeitar o Transcendente e a ter a coragem de viver o impossível. Minha mãe nos ensinou a superar as adversidades da vida.

Sou ordenada desde 2012, enviada pelo Presbitério Sul da Bahia. Formada em Teologia no Centro de Formação Teológica Batista Nacional (CFTBN), em Vitória da Conquista, com Bacharelado em Teologia pela Faculdade Batista Brasileira, em Salvador. Tenho Licenciatura em Filosofia e Pós-Graduação em Ciências da Religião também pela Faculdade Batista Brasileira e. Faculdade Batista Brasileira. Fiz ainda Licenciatura em Teologia pela FATIPI, em São Paulo, SP. Conclui a Pós-Graduação em Teologia Pastoral e Pós-Graduação em Teologia Prática pela Faculdade Unida, em Vitória, ES. Fiz os cursos de Plantação de Igreja e de Revitalização de Igreja, pelo CTMI On-Line.

Desde agosto de 2019, atuo junto com o Movimento Nacional de Oração (MNO) da IPI do Brasil e, desde 2023, na Secretaria de Ação Social e Diaconia da IPI do Brasil.

É com a certeza de que o “teu chamado é maior que minha própria vida” e que “a nossa missão é com o outro, pelo outro e para o outro’” que tenho sido desafiada a dizer “sim, eis-me aqui’” ao chamado do Senhor em minha vida, entendendo que “amar significa está a serviço, colocar-se à disposição, aguardar a ordem. Amar significa assumir responsabilidade. (..) O amor é uma rede lançada sobre a eternidade” (Zigmund Bauman).

 

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Imagem do topo: recorte de Landscape with the Good Samaritan (“Paisagem com o Bom Samaritano” (1638), de Rembrandt.

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