Mesmo exilado na Ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus, João teve o privilégio de ser chamado pelo Senhor para subir aos céus e contemplar tudo aquilo que iria acontecer na história humana. E ao elevar-se, ele avistou um trono. O ser que estava assentado nele era indescritível; sua aparência era comparada ao brilho de pedras preciosas. Ao redor do trono, entes angelicais: seres viventes, anciãos e anjos adoravam aquele que estava assentado no trono ininterruptamente!
Quem é digno de abrir o livro?
Em meio ao louvor celestial, João percebeu que havia um livro em forma de rolo, escrito por dentro e por fora, de todo selado, na mão direita daquele que estava no trono. Ele não apenas viu, mas ouviu um anjo perguntando: “Quem é digno de abrir o livro?”. Ante a esta pergunta, houve uma vasta procura e apressada suposição: ninguém foi achado digno; nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra.
João começou a chorar, mas o seu choro foi interrompido pela voz de um dos anciãos: “Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos”. Ao levantar os seus olhos, João viu a Jesus como um Cordeiro, que parecia estar morto, mas estava de pé, no centro do trono, cercado pelos seres celestiais. Ele se aproximou do trono, recebeu o livro da mão direita do Pai e, ao recebê-lo, todos o louvaram e o adoraram.
Diante desta cena, não houve confusão, nem susto, mas culto. Os quatro seres viventes e os 24 anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Cada um deles tinha harpa e taças de ouro cheias de incenso. Neste caso, harpas representam o louvor, e o incenso as orações dos santos a fim de serem entregues a Deus. Por causa do Cordeiro, o louvor do homem e suas orações foram recebidas pelo Pai. O homem que estava banido da presença do Pai foi restaurado por Cristo. Nosso louvor foi aceito. Nossas orações foram acatadas. Fomos recebidos pelo Senhor!
Diante desta cena, não houve confusão, nem susto, mas culto. Os quatro seres viventes e os 24 anciãos prostraram-se diante do Cordeiro.
E aqui está o centro deste texto. Cristo não veio simplesmente para morrer pelo homem – como, costumeiramente, gostamos de pensar. Cristo, o Cordeiro, que esteve morto, mas que agora está vivo e em pé, veio para devolver o culto ao Pai.
Não somos o centro
O homem não é o centro. O homem não é a razão principal da vinda do Messias. Por mais que gostemos de cantar e de afirmar que “ele morreu por mim”, que “ele me amou”, que “ele morreu na cruz para me salvar”, que “ele pensou em mim”, nós não somos o centro. Antes de pensar em mim e em você, ele estava pensando no Pai. O Pai é o centro. Ele veio aqui para cumprir a vontade do Pai. Ele veio aqui para que o Pai fosse adorado, para devolver o Culto ao Pai. Cristo morreu e ressuscitou para que o Pai fosse plenamente adorado. Cristo morreu e ressuscitou para que o Pai fosse glorificado nos céus e na terra.
Cristo morreu e ressuscitou para que o Pai fosse plenamente adorado. Cristo morreu e ressuscitou para que o Pai fosse glorificado nos céus e na terra.
O Universo – criado para ser um Templo de Adoração e que tinha se desviado do seu propósito original por causa da queda e do pecado – agora, por causa do Cordeiro, voltou para o seu objetivo principal: adorar a Deus. Basta reparar o texto. Num primeiro momento, João viu os seres viventes e os anciãos, que estavam mais próximos ao trono e ao Cordeiro, se prostrarem em adoração, declarando que o Cordeiro era digno porque, através do seu sacrifício, redimiu o ser humano, trouxe a humanidade de volta:
“Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. Tu os constituíste reino e sacerdotes para o nosso Deus, e eles reinarão sobre a terra” (Ap. 5.9-10).
Num segundo momento, João ouviu a voz de muitos anjos. E quando ele olhou ao seu redor, ele viu que eram milhares de milhares e milhões de milhões de anjos. Eram inumeráveis e rodeavam o trono, os seres viventes e os anciãos. Todos os anjos cantavam em alta voz, o adoravam declarando que Ele era digno porque, através do seu sacrifício, tornou-se Senhor, passando a ter autoridade absoluta, o comando em suas mãos: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, glória e louvor” (5.12).
Então, num terceiro momento, a humanidade se juntou ao culto. Por causa do Cordeiro, o homem passou a participar do culto. O culto deixou a esfera celestial para vir em nossa direção. Todas as criaturas existentes no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles há, passaram a declarar: “Aquele que está assentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a honra, a glória e o poder para todo o sempre” (5.13).
É aí que nós entramos. Por causa de Cristo, nós que estávamos banidos, excluídos da presença de Deus, fomos restaurados, aceitos.
Por causa de Cristo, tornamo-nos participantes do culto, da adoração.
Por causa do Cordeiro, eu e você entramos no culto.
Por causa do Cordeiro, eu e você fomos chamados para glorificar o Senhor, glorificar o Pai.
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Série “O Mosaico da Páscoa”
Este artigo faz parte da série “O Mosaico da Páscoa” do portal O Estandarte. A série reúne artigos de diversos líderes da IPI do Brasil, trazendo luz a diferentes aspectos da Páscoa para a Igreja hoje. Queremos criar uma jornada ampla de compreensão e aplicação do Evangelho para que, então, possamos celebrar, não apenas um ou dois aspectos da mensagem pascal, mas toda a revelação de Cristo para o povo de Deus nos tempos atuais.







