IPI Coari (AM): uma nova igreja, uma nova história e o mesmo propósito

Oficialmente organizada nesse sábado (31/10), ela está situada em um local estratégico para a expansão do Evangelho na região amazônica.

 

Se 31 de outubro é uma data especial para as igrejas reformadas de todo o mundo, tornou-se ainda mais significativa para um grupo de irmãos em Cristo no município de Coari, na margem esquerda do rio Solimões, no Amazonas. Exatamente nesse sábado (31/10) a congregação foi oficialmente organizada como igreja da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.

Fruto de um trabalho que começou há, pelo menos, 16 anos, a congregação é resultado do esforço persistente dos missionários Jorge e Helena, do Presbitério do Amazonas, da IPI de Coroado (igreja mãe) e da Secretaria Nacional de Evangelização e Discipulado.

“A Secretaria de Evangelização acreditou nesse trabalho junto com o Presbitério e, por intermédio dos missionários Jorge e Helena, eles iniciaram essa obra de plantação, começando do zero, em Coari, há cerca de 16 anos. Agora, com a igreja organizada, se concretiza o sonho dos irmãos como resultado do trabalho deles”, celebra o Rev. Sergio Gini, presidente da IPIB, que esteve no culto em Coari.

 

Lugar estratégico

Além do valor espiritual da igreja em Coari, ela também tem uma importância estratégica para a expansão do Evangelho na região, como explica o Presb. Alcemir Brito Martins, presidente do Presbitério do Amazonas. Segundo ele, Coari servirá como base missionária para a IPIB no alcance de outras cidades importantes, como Codajás, Anuri, Tefé, Maraã e Itapauá. O acesso entre esses municípios é complexo e ocorre principalmente por via fluvial, tanto para passageiros quanto para mercadorias. Algumas localidades possuem pequenos aeroportos, mas não todas. A viagem entre Manaus (onde fica o presbitério) e Coari em barco veloz (denominado localmente “à jato”), dura aproximadamente dez horas.

A organização da igreja em Coari cria a possibilidade de elaborar um planejamento de expansão naquela região. E o perfil missionário das pessoas que congregam e estão à frente do trabalho é um fator que pode facilitar o uso de Coari como igreja-base.

“Isso nos dá ânimo e coragem, nos lança um desafio que, apesar de ser grande, é possível. Também nos enche de alegria porque Deus está nos concedendo essas ferramentas para que nós tenhamos cada vez mais o privilégio de servi-lo aqui na nossa região, que ainda permanece muito carente do Evangelho, principalmente em várias comunidades ribeirinhas. A partir de Coari, nós vamos poder fazer essa expansão”, afirma o Presb. Alcemir.

 

Vitalidade da IPIB

Só neste ano, a IPIB já registrou seis novas igrejas organizadas no país, duas delas só no Presbitério do Amazonas: IPI de Serra (ES), em 30 de maio, IPI em Balneário Camboriú (SC), em 20 de junho, 6ª IPI de Machado (MG), em 27 de junho, IPI do Lago do Canaçari (AM), em 15 de agosto, IPI em Lagarto (SE), em 29 de agosto, e agora a IPI de Coari (AM).

“Isso é bastante significativo para a IPIB, porque evidencia o desenvolvimento e crescimento de seu rol de igrejas e de membros, o que demonstra a vitalidade da igreja”, afirma Gini.

 

Culto de organização da IPI de Coari

Rev. Sergio Gini.

O culto de organização da IPI de Coari foi marcado por gratidão a Deus, comunhão e celebração por mais essa bênção para a Igreja de Cristo. Com a presença do Presidente da IPIB, Rev. Sergio Gini, e do Rev. Wellington Camargo, Secretário Executivo da IPIB, além de lideranças do Presbitério do Amazonas e da Igreja IPI de Colorado, o momento contou com uma liturgia simples, mas repleta de significados. Reafirmou a identidade da igreja como chamada por Deus, perdoada de seus pecados, inspirada pela Palavra e vocacionada para servir.

O responsável pela mensagem da noite foi o Rev. Gini, que inspirado em Atos 28, ressaltou que “ninguém pode parar a Igreja do Senhor!”.

 

Ordenação de oficiais

Além dos momentos de louvor, adoração e escuta da Palavra, o culto ainda contou com a ordenação e investidura dos seguintes oficiais eleitos:

  • Para o presbiterado: Amós Correa de Souza, Francilene Rodrigues Gonçalves, Wanderley Gama Chaves e Ricardo Oliveira de Souza;
  • Para o diaconato: Alexandre Sousa de Souza, Miriam Correa de Souza, Nazaré Moura Santos e Oleia da Silva Tueste.

 

Rev. Welligton Camargo conduz a oração pelos oficiais eleitos.

 

A liturgia incluiu ainda a oração de ordenação e investidura do casal Jorge Souza Santos e Helena White Messias Santos, como missionários da IPI de Coari. Jorge e Helena já atuam em Coari desde 2009, realizando um trabalho fiel e íntegro ao Senhor.

Por fim, foi realizada a posse do pastor comissionado pelo Presbitério do Amazonas para o serviço na IPI de Coari, o Rev. Cláudio Fernando Reinaldet.

O culto de gratidão terminou com um gesto tradicional: toda a igreja com suas bíblias em punho, cantando o hino oficial da IPIB “Pendão Real”.

 

“Bem alto erguei…”

 

O processo

O processo formal de organização da IPI de Coari começou em 31 de janeiro deste ano, quando a IPI de Coroado (igreja mãe) solicitou que o Presbitério do Amazonas considerasse tal possibilidade. Como resposta, o Presbitério formou uma comissão avaliadora composta por cinco pessoas com o propósito de avaliar a realidade da então congregação. Cerca de nove meses depois (10/10), a comissão apresentou um relatório favorável sobre Coari, o qual foi aprovado por unanimidade pelo Presbitério. A solenidade de organização foi marcada então para o dia 31/10.

“Após criteriosa análise da documentação apresentada, das informações obtidas por meio de verificação in loco, a comissão avaliadora concluiu que a Congregação Presbiteriana Independente em Coari reúne, de forma inequívoca, todas as condições necessárias para sua organização em igreja local, por entender que foram plenamente satisfeitos todos os requisitos constitucionais, legais, administrativas, patrimoniais, financeiras, ministeriais e espirituais, em observância ao que determina o Art. 11 e seu Parágrafo Único, da Constituição da IPI do Brasil”, dizia o relatório da comissão.

Atualmente, a IPI de Coari reúne cerca de 60 pessoas, entre elas, 38 membros professos e 10 não professos. Deus tem levantado a igreja para dedicar-se à oração, sendo esta uma prática que move os irmãos. “Estou muito feliz onde Deus a colocou e que agradece muito a Ele pela oportunidade de servir e anunciar o evangelho lá”, diz a missionária Helena.

Missionários Jorge e Helena

 

Pessoas

A organização de uma igreja, no entanto, não envolve apenas aspectos burocráticos e institucionais, mas também disposição, engajamento e paixão de irmãos e irmãs que sonham e trabalham pela expansão do reino de Deus, entre eles, a alta liderança da IPIB: o presidente da IPIB, Rev. Sergio Gini, o secretário executivo da IPIB, Rev. Wellington Camargo e o secretário nacional de evangelização e discipulado, Rev. Caio Batista.

Também é importante registrar o envolvimento fundamental dos líderes locais, que estiveram no culto:

– Do Presbitério do Amazonas: Presb. Alcemir Brito Martins (presidente), Pr. José Lopes Marinho (1º Secretário e Pastor da IPI no Coroado), Pr. Francisco Carlos Sampaio Mendonça (2º Secretário), Presb. José Mário Bruno Batalha (Secretário Executivo), Presb. Messias Carvalho da Silva (Tesoureiro).

– Secretaria de Comunicação do Presbitério: Quésia Carvalho e Priscila Carvalho.

– Conselho da IPI no Coroado: Presbítera Márcia Simone de Souza Ribeiro;

– Ex-presidente do Presbitério e membro da IPI no Coroado: Antenildo Corrêa da Silva. Ele apoiou e cooperou com os trabalhos da Congregação desde o início.

– Pr. Cláudio Fernando Reinaldet, pastor comissionado pelo Presbitério para a IPI em Coari, e que cooperou juntamente com os missionários Evandro Bindá e Valdir Negrão Pinheiro nos trabalhos da Congregação.

 

DA ESQUERDA PARA A DIREITA: Rev. Francisco Carlos Sampaio Mendonça (2° Secretário do Presbitério do Amazonas), Presb. José Mário Bruno Batalha (Secretário Executivo), Rev. Sergio Gini (Presidente da IPIB), missionário Jorge, Presb. Antenildo (representante da IPI no Coroado), a filha dos missionários Jorge e Helena, a missionária Helena, Presb. Alcemir Brito Martins (Presidente do Presbitério), Pr. Cláudio Fernando Reinaldet (Pastor comissionado pelo Presbitério para a IPI em Coari), Pr. José Lopes Marinho (1° Secretário e Pastor da IPI no Coroado), Rev. Wellington Camargo (Secretário Executivo da IPIB), Presb. Márcia Ribeiro (representando o Conselho da IPI no Coroado) e Presb. Messias Carvalho da Silva (Tesoureiro do Presbitério).

 

A realidade de Coari

Rev. Cláudio Fernando Reinaldet

Coari está localizada na margem esquerda do rio Solimões, no estado do Amazonas. Fica na calha do Médio Solimões. A distância em linha reta entre Coari e Manaus é de aproximadamente 362 km a 373 km, mas o percurso fluvial é o mais comum e fica em torno de 433 km a 452 km, com tempo de viagem variando de 17h a 28h, dependendo do tipo de embarcação.

O município tem aproximadamente 73.500 habitantes e, apesar da empolgação pela extração de petróleo e gás natural na Província de Urucu, a pobreza ainda é a realidade mais comum.

 

Visita a outras comunidades

Nesta segunda-feira (02/11), os Revs. Sergio Gini e Wellington Camargo, ao lado do Presb. Alcemir, presidente do Presbitério do Amazonas, do Pr. Andreze, Pastor da 3ª IPI de Manaus (igreja responsável pelos dois campos) e do Presb. Messias, tesoureiro do Presbitério, visitaram duas comunidades com trabalhos da IPIB: a Congregação Presbiteriana Independente no Amatari e a Aldeia Limão, da etnia mura.

“Saímos as 7h40min de Manaus. Depois de quase duas horas e meia de viagem, paramos em nossa Congregação Presbiteriana Independente no Amatari, onde já estavam nos aguardando nosso casal de missionários Dionatas Nascimento Pereira e Dara Gonçalves da Conceição. O missionário Dionatas seguiu viagem conosco por mais 40 minutos até a Aldeia Limão da etnia mura, onde temos um templo construído e um trabalho de plantação sendo desenvolvido pelo casal. Após visitarmos a aldeia, retornamos para o Amatari onde almoçamos e depois visitamos algumas famílias membros da congregação. Saímos às 15h30min do Amatari com destino a Manaus, e chegamos em Manaus por volta das 18h”, relata o Presb. Alcemir.

 

DA ESQUERDA PARA A DIREITA: Rev. José Andreze Silva (pastor da 3ª IPI de Manaus, igreja responsável pelos dois campos), Presb. Alcemir (presidente do Presbitério do Amazonas), Presb. Messias (tesoureiro do Presbitério), Rev. Sergio Gini (presidente da IPIB) e Rev. Wellington (secretário executivo da IPIB).

 

IPIB na Aldeia Limão

Visitando a Congregação da IPIB na Aldeia Limão (etnia mura).  E sendo recebidos pela irmã e membro da igreja, a cacique Dina.

O povo mura abrange 1.100 pessoas distribuídas em 13 aldeias; 37 pessoas vivem na Aldeia Limão. O missionário Jonathan é o responsável pelo atendimento aos irmãos da Aldeia Limão. Lá, a IPIB já está construindo um templo, em parceria com a Igreja Presbiteriana Missão, o Presbitério do Amazonas, a Secretaria Nacional de Evangelização e Discipulado, a 3ª IPI de Manaus e a IPI de Dourados.

A Igreja Presbiteriana Missão realizou a etapa estrutural da obra, incluindo telhado, paredes e assoalho. A finalização da construção é conduzida pelo Presbitério Amazonas, pela 3ª IPI de Manaus e por igrejas parceiras, além da IPI de Dourados, da Secretaria de Evangelização, e a continuidade da parceria com a Igreja Presbiteriana Missão. Há recursos disponíveis para compra do material elétrico; a aquisição já está em andamento e o material será levado à aldeia para instalação elétrica.

Uma das líderes que recebeu a visita do grupo de pastores da IPI na aldeia Limão foi a dona Dina, cacique do povo mura na aldeia. Ela se converteu há um ano e trabalha junto com o missionário Jonathan na edificação do povo de Deus.

“Eu quero convidá-lo a orar pelo povo mura, pela Aldeia Limão, pela dona Dina, pelo missionário Jonathan. Que Deus abençoe o trabalho aqui realizado”, conclama o Rev. Gini.

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