Maio e o Ministério da Família da IPI do Itaqui

Maio é tradicionalmente reconhecido como o mês da família e, para celebrar essa data tão significativa, conversamos com membros do Ministério da Família da IPI do Itaqui, em Campo Largo, PR.

Maio é tradicionalmente reconhecido como o mês da família e, para celebrar essa data tão significativa, conversamos com membros do Ministério da Família da IPI do Itaqui, em Campo Largo, PR. 

A comunidade do Itaqui tem se destacado por um trabalho pastoral que vai além dos muros da igreja, alcançando famílias da cidade com ações que unem cuidado espiritual, apoio emocional e parcerias com instituições públicas.

Quem nos conduz nesta conversa é Misael, membro da IPI do Itaqui, que nos apresenta os entrevistados: os Presbs. Sérgio Kazuyuki Caria e Ivan, e suas esposas, Bartira e Neide que, juntos, lideram com dedicação e amor o Ministério da Família.

Conte-nos um pouco sobre a IPI do Itaqui: qual é o contexto da comunidade e quais são os principais focos ministeriais da igreja hoje?

Sérgio: A igreja já tem 135 anos aqui na cidade de Campo Largo. Então, ela está bem inserida na comunidade. Não falo apenas geograficamente, mas porque tem uma caminhada sólida aqui. Ao longo dos anos, temos prestado serviços à comunidade, não apenas como igreja, mas também por meio da Escola Diva Henque, que existe desde 1996. Isso nos alegra, pois também estamos envolvidos com a educação no contexto de Campo Largo.

Misael: A escola é um braço da igreja, um projeto que nasceu dentro dela. Hoje, funciona em dualidade: pertence também ao município, com corpo docente municipal, mas está instalada em um terreno da igreja. A diretora é sempre indicada pelo Conselho.

Sérgio: Hoje, atendemos cerca de 550 crianças, tanto no período diurno quanto no vespertino. À noite, temos projetos da Associação Bethesda, voltados ao contraturno escolar, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade.

A família é uma ênfase constante no evangelho. Como a IPI do Itaqui tem trabalhado o fortalecimento dos relacionamentos familiares no cotidiano da igreja?

Sérgio: Temos vários ministérios voltados ao atendimento familiar, mas o que tem se destacado é o Ministério da Família, liderado pelo Ivan e pela Neide. Eles têm feito um trabalho muito focado nesse aspecto.

Quais são os encontros promovidos pelo Ministério da Família? Vocês trabalham com ações intergeracionais?

Ivan: Dentro do Ministério da Família, promovemos vários eventos: encontros de casais, cursos para casais, cursos para pais, além de jantares para casais. Esses eventos têm também um foco evangelístico, voltado para fora da igreja.

Neide: Temos também o Café das Mulheres, em que acompanhamos de perto as participantes. Para os jovens, há o grupo Hashtag, que realiza atividades aos sábados à noite. O Ministério da Família também busca apoiar os pais desses jovens. Há ainda ações voltadas aos homens, como o “churrasco dos homens”. Nosso foco principal são os casais — homens e mulheres — enquanto os jovens são acompanhados pelo Hashtag.

Como funciona o encontro de casais? É um dos principais eventos do ministério?

Ivan: Esse projeto nasceu de um sonho. Participamos de encontros promovidos por outras igrejas e achamos muito interessante. Quando o Presb. Caria veio para nossa igreja, começamos a sonhar juntos — não apenas com o encontro de casais, mas com todo o Ministério da Família. Nos desafiamos a criar um encontro com o nosso “jeitão”. Começamos com 30 casais, depois 50, 60… chegamos a reunir 80 casais.

A proposta é proporcionar momentos de lazer e cuidado espiritual, promovendo comunhão. A visão é sempre voltada também para fora da igreja. Embora tenhamos iniciado com os irmãos da igreja, hoje o encontro é praticamente dividido entre membros e convidados de fora. Temos alcançado muitos casais.

Como a igreja tem auxiliado a comunidade em momentos de dificuldade, especialmente em parceria com escolas e instituições públicas?

Sérgio: Desde 2006 ou 2007, conversamos sobre como levar os princípios e valores bíblicos à comunidade de Campo Largo. Entendemos que seria necessário produzir um material contextualizado à realidade local. Fizemos alguns cursos em escolas particulares, mas com alcance limitado. Em 2018, conseguimos, por meio da Secretaria Municipal de Educação, acesso a todas as 56 escolas municipais. Fizemos um grupo piloto com diretoras e educadoras, e 12 escolas nos chamaram para aplicar o curso Princípios para uma Família Feliz. Não temos como objetivo trazer pessoas para a igreja, mas, sim, levar os princípios bíblicos às famílias, ajudando-as a viver esses valores em seus lares.

Bartira: Um exemplo bonito foi quando um padre permitiu que fizéssemos um estudo para casais dentro da Igreja Católica. Deixamos claro que não queríamos que as pessoas saíssem da sua igreja, mas, sim, que aplicassem o que estavam aprendendo ali. O mais importante é amar a Deus e às pessoas, independentemente de onde elas estejam.

Sérgio: É verdade que algumas famílias acabaram vindo para nossa igreja, porque não participavam de nenhuma comunidade. E muitas continuam conosco até hoje.

Misael: O importante é essa visão da igreja voltada à comunidade. Não buscamos apenas atrair pessoas, mas levar o amor de Jesus onde elas estão. As escolas, por serem espaços neutros em termos religiosos, abrem portas para esse tipo de ação. Levamos soluções baseadas em nossos princípios, mas sem exigir conversão ou participação em ritos da nossa fé.

Sérgio: Desde o início, alinhamos com a Secretaria de Educação que o Estado é laico. Por isso, não levamos a “Igreja Presbiteriana Independente do Itaqui”, mas, sim, princípios cristãos. Com o tempo, as pessoas acabam sabendo quem somos, mas nossa abordagem é respeitosa e aberta ao diálogo.

Bartira: Um exemplo disso foi quando, ao final de um curso, perguntaram se havia mais material. Explicamos que tínhamos outro curso voltado a casais da nossa igreja. E uma das participantes sugeriu o salão da Igreja Católica para realizarmos o curso. Assim nasceu essa parceria.

Neide: É importante dizer que nosso trabalho não se limita a Campo Largo. Já atuamos em escolas em Balsa Nova e, atualmente, temos curso para pais acontecendo lá.

Misael: Só contextualizando: Balsa Nova é uma cidade vizinha, colada com Campo Largo.

Neide: Também já estivemos em Araucária, outra cidade próxima. Lá temos grupos pequenos e cursos de casais. Nossa intenção é expandir o trabalho, e não nos restringirmos ao nosso bairro ou cidade.

E como é que têm feito? Vocês falaram que há pessoas de outras igrejas, de outras cidades, de outros estados, que vêm participar do Encontro de Casais. Como é esse contato para alcançá-las e trazê-las para participar do Encontro? Como vocês fazem?

Ivan: Na verdade, a primeira vez aconteceu de forma natural, entre os próprios casais que tinham amigos em outros estados. Por exemplo, temos casais de Brasília que estão conosco há quatro ou cinco encontros; eles vêm todo ano. Mas foi por meio de outros casais da nossa igreja que já tinham participado. E isso vai se difundindo. É engraçado como vai acontecendo. Temos casais de Santa Catarina, de Brasília, de Curitiba, do Norte do Paraná; já tivemos gente de Londrina. Então o pessoal vai vindo justamente por causa da divulgação. Hoje, isso se espalha. Mas o que tem funcionado mesmo é a divulgação boca a boca: eles veem, se interessam, e a gente às vezes até se assusta: “Nossa, esse casal vai vir de tão longe para o Encontro!” – e eles vêm.

Neide: Porque vale a pena vir. A gente recebe esse retorno. Muitos dizem: “Eu não imaginava que fosse assim”. Eles acham que vai ser chato, pesado, “cheio de crente, não quero ir”. Mas, quando chegam lá, quebram essa barreira. A gente entra em contato, mostra como foi, mostra fotos e eles acabam vindo e gostando. E sempre voltam.

Sérgio: Eu acredito que, como estamos no 7º Encontro, o que tem mais impacto é o testemunho da transformação nos casais. Os outros, que estão próximos, veem essa diferença e querem vir para comprovar aquilo que estão vendo na vida do casal que já participou.

Misael: Essa é a melhor forma de divulgar o resultado: é aquilo que já se mostrou eficiente na vida das pessoas.

Sérgio: Mais do que a gente falar sobre o que pode acontecer, o que conta é o que os outros veem na vida dos que já participaram: a transformação, o testemunho.

Neide: Para alguns casais, como vimos neste último encontro, é o único tempo que eles têm para ficarem juntos, sem os filhos. Então já reservam aquele tempo para ir, para curtir o marido, curtir a esposa, sozinhos, sabendo que os filhos também estarão sendo cuidados. Muitos casais já esperam ansiosamente por isso – e vão divulgando para outros.

Misael: E é muito legal que esse Encontro de Casais tem o foco de promover uma renovação para o homem e para a mulher, juntos. Porque eles são a base da família. E, estando fortalecidos um com o outro, vão conseguir conversar melhor sobre os filhos, sobre a educação, as finanças, e sobre os pontos que precisam melhorar no relacionamento – para que toda a família seja renovada e fortalecida também. Isso é muito especial.

Sérgio: É importante também esclarecer que o Ministério da Família tem esse foco nos casais, por meio do Encontro, mas há também pessoas na igreja que ainda são solteiras, ou que estão separadas, ou viúvas. Por isso existe o Café das Mulheres – para cuidar dessas esposas que já participaram do Encontro, e também de mulheres que não são casadas. E o Churrasco dos Homens, que serve para alcançar outros que não têm como estar num Encontro de Casais. Isso é importante frisar. E outra coisa que vale lembrar: o Ministério da Família da IPI do Itaqui não existiria se não fossem os outros ministérios da igreja. Se existe hoje um grupo pequeno com a demanda de cuidar de alguém com um problema específico, o Ministério da Família está lá para apoiar. Se o Ministério do ItaKids – que cuida das crianças de 2 a 12 anos – identifica algo acontecendo na família daquela criança, o Ministério da Família também está lá para apoiar. Todos os ministérios funcionam em harmonia, justamente porque há essa conexão. Não é um ministério funcionando independentemente dos outros. Todos estão conectados, e é por isso que as coisas acontecem – por causa dessa junção, desse apoio mútuo.

Bartira: Isso acontece porque tem uma coisa muito importante que a gente não esquece: amar a Deus e amar as pessoas. É isso que gera a conexão. A conexão acontece por causa disso. Porque a igreja entendeu que precisamos amar as pessoas como amamos a Deus.

Uma mensagem para deixar para as famílias da IPI do Brasil como um todo. O que vocês acham que pode contribuir ainda mais com essas lideranças e essas famílias? Como essas pessoas podem alcançar famílias que estão passando por problemas semelhantes ou tentar juntar pessoas? Qual é a palavra final que vocês gostariam de deixar para as famílias da IPI do Brasil?

Sérgio: Família é família desde o momento em que Deus criou a humanidade, e os problemas familiares existem desde a queda da humanidade. Mas Deus nos alcança pela sua graça – não apenas para nos libertar do nosso eu pecador, mas para nos levantar, nos chamar, para que possamos, em primeiro lugar, resolver os problemas dentro do nosso lar. E, a partir dessa transformação, olhar com o mesmo amor e graça com que Deus nos alcançou – olhar para os outros. Então, IPI do Brasil, acredite: Deus nos chama para cuidar de famílias. Não importa se elas estão ou não no nosso contexto religioso. O importante é olhar para todos com o mesmo amor, com a mesma graça. Como a Bartira falou: amar a Deus e amar as pessoas. Que todas as igrejas presbiterianas independentes do Brasil tenham esse entendimento. Não somos uma igreja perfeita – temos nossas falhas, temos muito a aprender com a Palavra de Deus, muito a executar. Mas, onde quer que Deus tenha te colocado – no Sul, no Norte, no Nordeste, no Centro-Oeste –, creia: você tem um chamado, você tem um propósito, e a família é a prioridade para que a igreja continue caminhando e alcançando vidas.

Bartira: Eu acho muito importante algo que tem acontecido na nossa igreja, e que é essencial para outras igrejas também: o discipulado. Quando alguém chega para o Caria e fala: “Estou com tal problema”, ele responde: “Vamos caminhar juntos” – e essa caminhada se chama discipulado. Essa é a chave. Era o que Jesus fazia com todos. É isso que acende a chama na pessoa. Ela começa a viver o evangelho de forma real, aquilo entra nela e transforma. Sem discipulado, nada funciona. As pessoas precisam saber o que são para Deus – e quem Deus é para elas. Isso dá sentido à vida.

Ivan: Eu acho que, de forma prática, a própria liderança da igreja local precisa identificar pessoas com potencial, com essa visão, com amor pela família. Toda igreja tem esse amor, mas há pessoas mais voltadas para isso. Então, na prática: identificar, formar ministérios, sonhar. Sonhar os sonhos de Deus, se preparar, ir para cima. As coisas acontecem no tempo de Deus, do jeito dele – mas a gente precisa estar à disposição. E quero dizer também que nós, da IPI do Itaqui, mesmo que você esteja longe – no Nordeste, no Noroeste, não importa onde –, estamos à disposição. Somos uma igreja nacional. Estamos aqui para viver junto com vocês, apoiar vocês de alguma forma com aquilo que temos vivido aqui. Como o Caria falou: temos nossas dificuldades, lutas, mas estamos sonhando os sonhos de Deus. E estamos à disposição para caminhar com vocês.

Neide: E eu queria deixar um recado para os casais – ou até para os pais solos – que estão precisando de ajuda: busquem ajuda. Não é vergonha levantar a mão e dizer: “Estou precisando! Está acontecendo isso”. A base da família são os pais, é o casal. E, se o casal está bem, com certeza os filhos e a família como um todo também estarão bem. Então, busquem ajuda. Chamem a gente se precisarem. Hoje é tão fácil, tem o online, uma ligação pelo WhatsApp… é prático. Não deixem para depois. Se algo está pegando, levante a mão e busque ajuda.

Ivan: E só reforçando: a gente diz que a família é a base da sociedade, da igreja, mas como temos buscado isso de forma real? Tudo isso que falamos aqui, como IPI do Itaqui, é o que temos buscado. Se acreditamos que a família é a base, precisamos trabalhar com ela de maneira concreta. Espero que tenhamos conseguido dar algumas ideias, sugestões que possam ser úteis também na sua região. E, se precisar de ajuda, a IPI do Itaqui está à disposição para levar os princípios cristãos, os princípios de Deus, para qualquer lugar do Brasil e do mundo. Deus nos abençoe.

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