Entrevista com a Presbª Márcia Nogueira, 1ª secretária da Assembleia Geral

Muitas mulheres ordenadas, pastoras e presbíteras, não aceitam representar seu Conselho nos concílios superiores alegando não estarem capacitadas para o desenvolvimento de tal responsabilidade.

Muitas mulheres ordenadas, pastoras e presbíteras, não aceitam representar seu Conselho nos concílios superiores alegando não estarem capacitadas para o desenvolvimento de tal responsabilidade.

Foi entrevistada uma mulher que, inicialmente, se sentia despreparada para assumir um cargo na diretoria da Assembleia Geral IPI do Brasil, mas que, com ousadia, bravura e para prestar serviço a Deus e à igreja, aprendeu a enfrentar alguns obstáculos internos e externos.

O que as mulheres podem aprender com ela? Quais os receios, dificuldades e desafios foram enfrentados? 

Vamos conhecer um pouco desta mulher corajosa que desenvolve com alegria o ministério para o qual foi chamada.

Apresente um pouco da sua história.

Meu nome é Márcia Nogueira, sou mulher, esposa, mãe, avó, cunhada, amiga, e exerço o presbiterato na 2ª IPI de Diadema há 22 anos. Tenho 55 anos, casada há 35 anos e tenho os filhos Rafael e Bruna, duas netinhas e um netinho a caminho.

A igreja de que sou membro desde 1988, é, como a maioria da IPI’s, pequena numericamente, localizada na periferia da cidade, mas muito amorosa, onde fiz muitos amigos e amigas, e nela trabalho com afinco, amor e dedicação, pois entendo que podemos fazer a diferença em qualquer lugar que estivermos.

Além de ocupar a 1ª secretaria da Assembleia Geral, sou 2ª secretária do Presbitério ABC.

Como tem sido a sua participação na diretoria da Assembleia Geral?

Não esperava que seria chamada para tal cargo, porém, disse a mim mesma: Vamos lá. É um mundo novo, desafiador, tenho aprendido com as pessoas que estão ao meu lado como funciona toda a estrutura, pois, embora tenha exercido 8 mandatos no Presbitério, participar da diretoria da AG e da Comex nacional tem me enriquecido e dado a oportunidade para me preparar a cada dia para melhor exercer a função atual e outras que poderão vir.

Muito embora a Constituição da IPI do Brasil garanta o direito de as mulheres representarem a igreja local e regional, elas precisam ser mais reconhecidas e estarem mais presentes em todas as instâncias decisórias da igreja. Por isso, penso, sonho e trabalho para que mais mulheres estejam presentes e exerçam toda e qualquer função nos concílios, pois é uma forma de servir a Deus.

O que você teria a dizer para as mulheres que, às vezes, estão receosas de assumir alguma função na igreja ou nos concílios, por se sentirem inseguras e não terem o conhecimento de como funciona o sistema conciliar?

Ao ser convidada para participar da chapa para concorrer à eleição, me assustei e disse que não era pra mim, mas decidi aceitar sem saber exatamente o que me esperava, mas sabendo que poderia aprender, conhecer e colaborar. Continuo aprendendo, conhecendo e colaborando com as decisões que competem à direção da igreja. Penso que desejar aprender, conhecer e saber deve nortear o caminho das mulheres.

A minha palavra para as mulheres é de incentivo. Não vejam como empecilho a necessidade de aprender, não fiquem sozinhas, procurem pessoas que possam informá-las e ajudá-las a compreender como a sua contribuição também é importante para a vida da igreja.

Tenho alguma dificuldade para realizar algo que não domino, como, por exemplo, a escrita de um artigo. Porém, quando fui convidada para escrever para “O Estandarte”, contei com uma amiga que me auxiliou, com pessoas que me incentivaram e, apesar do medo, conclui a tarefa e me senti feliz em começar a vencer tal barreira.

Ouvir quem tem experiência em determinado assunto nos ajuda a corrigir o que for necessário, a firmarmos nossa opinião e a vencer as dificuldades.

Como você organiza a sua vida diante de inúmeras responsabilidades e atribuições?

Eu costumo organizar minhas tarefas domésticas, minhas responsabilidades na igreja local, o tempo com minha família e as reuniões e encontros de que preciso participar com antecedência e realizo com tranquilidade o que é necessário. Tenho o apoio da minha família e, às vezes, minha igreja solicita mais a minha presença, mas tenho responsabilidades que vão além do trabalho local.

Você se sente cobrada pelos outros ou por você mesma?

A minha família não me cobra. Se estou feliz no que realizo, ela também se sente feliz. A igreja local, às vezes, gostaria que eu estivesse mais presente, pois tenho um estilo de trabalho mais proativo, porém, a maior cobrança é de mim mesma, pois tenho tendência a querer tudo com precisão e perfeição.

Como as mulheres da sua igreja e da sua região veem uma mulher ocupando um cargo na Igreja Nacional? E qual o seu sentimento diante de tais olhares?

Para algumas mulheres, estar no lugar em que estou é se tornar orgulhosa, presunçosa, convencida, por não concordarem que a mulher ocupe espaços eminentemente masculinos. E, ainda, há as que pensam que eu deveria estar em situações que não exigem muito, pois julgam que a mulher seja incapaz de exercer toda e qualquer função na igreja ou fora dela como expressão do serviço a Deus.

Penso que, muitas vezes, falta-me o apoio das próprias mulheres, sendo que nós deveríamos nos unir para o fortalecimento mútuo.

Você considera que a mulher ordenada pastora ou presbítera tem o mesmo tratamento de um homem na mesma condição?

Claro que é diferente. A palavra da mulher, seja na igreja local ou no presbitério não tem a mesma aceitação. Quando algum presbítero ou pastor apresentam ideias que contribuem para o andamento de determinada situação, elas são revestidas da “autoridade masculina” e aceitas, ainda que tenham sido apresentadas anteriormente por uma presbítera ou pastora.

Algumas igrejas têm dificuldade para aceitar o pastorado feminino. Qual a sua percepção quanto a essa questão e qual sua opinião quanto à preferência pela maioria das igrejas ao pastorado masculino?

Penso que tem a ver com a cultura em que vivemos e com a interpretação de textos bíblicos isolados. 

O que você poderia dizer às mulheres encorajando-as a valorizar o chamado de Deus para todo e qualquer ministério?

Personagens femininas na Bíblia nem sempre foram valorizadas por viverem em uma cultura que determinava quais seriam os seus papéis. Porém, Deus demonstrou que o seu propósito não depende de restrições impostas. Ele salva a vida do seu povo por intermédio da liderança de Débora que orientava, julgava e tinha consciência do seu chamado. Na história bíblica, muitas outras mulheres cumpriram o chamado de Deus, não obstante, os obstáculos impostos.

Toda mulher pode servir a Deus de diversas maneiras e lugares, basta dizer sim ao propósito de Deus que a capacita, que tira o medo, ainda que, em muitos momentos, haja questionamentos internos e externos.

Diga sim ao seu chamado. Fomos criadas para um propósito. Deus te chama para ser o que ele tem pra você em todo lugar e situação.

Seja sua melhor versão, seja qual for a estação que você esteja vivendo. Procure não se cobrar excessivamente e seja o que Deus tem colocado em seu coração, dizendo sim ao chamado, conforme a vontade do Senhor.

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