Vivemos em uma geração marcada por constantes transformações, excesso de informação e, paradoxalmente, profunda falta de sentido. Nunca na história um jovem teve acesso ao mundo (na palma da sua mão) e ao mesmo tempo, nunca esteve tão perdido dentro dele.
Nesse cenário, estamos diante de mais uma Páscoa. Este evento – que é o ápice do calendário cristão – precisa urgentemente ser reapresentado à alma (tão carente) da juventude contemporânea!
Ponto de partida
O ponto de partida é lembrar que a mensagem da Páscoa começa com uma verdade que o jovem moderno muitas vezes tenta evitar ou distorcer: o pecado é real e as suas consequências também. A cruz de Cristo não é um mero símbolo decorativo para contemplarmos seus contornos. Aquela cruz fixada no Gólgota é a evidência de que há algo profundamente quebrado em nós. Sim, todas as áreas da vida humana foram comprometidas com a queda e em uma cultura que relativiza tudo, a cruz nos constrange. No fundo, a gente sabe que tem alguma coisa errada dentro da gente. O apóstolo Paulo evidencia isso de maneira muito cristalina ao descrever como o pecado influencia as nossas decisões:
“Porque não faço o bem que eu quero, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Assim, encontro esta lei: quando quero fazer o bem, o mal reside em mim” (Rm 7.19-21).
A cruz de Cristo não é um mero símbolo decorativo para contemplarmos seus contornos. Aquela cruz fixada no Gólgota é a evidência de que há algo profundamente quebrado em nós.
O que nos define
Muitos jovens estão tentando descobrir quem são olhando para dentro de si mesmos, navegando numa profunda crise de identidade. A Palavra de Deus, por sua vez, nos mostra outro caminho: precisamos olhar para o alto. Isto porque nossa identidade não é construída; é redimida, como também afirmou Paulo:
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2.20).
Em Cristo, não somos definidos por nossas falhas, nem pelo que conseguimos fazer, mas pelo sacrifício do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Em Cristo, somos feitos filhos de Deus, por adoção.
Mas a Páscoa não para na cruz. Se ela se resumisse ao madeiro, teríamos apenas motivos para chorar de tristeza. Mas o evangelho avança para o túmulo vazio. A ressurreição de Cristo é o maior anúncio da história da humanidade e a prova definitiva de que a morte não tem a última palavra. Isso produz algo muito especial no coração de uma geração cansada, ansiosa e, muitas vezes, sem esperança.
Resposta ao coração insuficiente
Infelizmente o jovem de hoje convive com inúmeras pressões emocionais, crises existenciais e um sentimento constante de insuficiência. No entanto, a ressurreição proclama algo revolucionário: há vida nova disponível. Não apenas no futuro, mas agora. Assim afirmou Cristo:
“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).
A Páscoa, portanto, oferece aquilo que nenhuma ideologia contemporânea consegue entregar: redenção, identidade e propósito. Além de nos apontar um caminho.
Jesus não ressuscitou apenas para ser admirado – e Ele deixou isso claro quando tentado no deserto. Ele sabia que, sem ele, caminharíamos no escuro. Cristo ressuscitou para ser seguido. Lembre-se: Ele é o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6)!
A Páscoa, portanto, oferece aquilo que nenhuma ideologia contemporânea consegue entregar: redenção, identidade e propósito. Além de nos apontar um caminho.
Uma vida de discipulado
A mensagem da Páscoa chama os jovens a uma vida de discipulado. Em um mundo de seguidores digitais, Cristo nos chama para um seguimento real: “Se você quer vir comigo, esquece esse negócio de seguir seu coração. Pegue a sua cruz e vamos nessa! (Lc 9.23).
Costumo dizer em nossos discipulados que caminhar com Cristo é a melhor aventura que existe. Enquanto muitos jovens estão pensando em superar seus próprios limites, nosso Mestre nos chama para caminhar com Ele, numa trilha que durará a vida toda. Nesse caminho, o nosso individualismo é confrontado, o ego é exposto e as vaidades são tratadas. Dia após dia, somos conformados à imagem de Cristo pela ação do Espírito Santo.
A Páscoa não é sobre viver para si, mas sobre morrer para si e, paradoxalmente, encontrar a verdadeira vida nisso. O sentido da vida é Cristo.
Enquanto muitos enfrentam filas e pagam caro para ver seus ídolos por algumas horas, e outros procuram experiências religiosas cada vez mais “atraentes”, com versões diluídas do evangelho, a verdade é simples:
Cristo morreu.
O sepulcro está vazio.
Ele ressuscitou.
É essa mensagem que confronta e transforma. Cristo veio até nós. Por isso somos chamados ao arrependimento e à esperança.
DESAFIO FINAL
À igreja: parem de subestimar os jovens. Eles não precisam de um evangelho mais leve, mas de um evangelho mais profundo. Precisamos investir em discipulado sério, ensino bíblico consistente e relacionamentos intencionais durante a semana. Não podemos apenas manter relações dominicais. A fé vivida em ambientes formais, não forma discípulos; forma religiosos.
Uma pesquisa global do Barna Group mostra algo interessante: 59% dos jovens criados na igreja abandonam a vida comunitária. Entre os motivos estão a percepção de irrelevância, ausência de profundidade e sensação de que “Deus não está ali”. Isso é muito triste, porque revela algo sério: falhamos por falta de coerência. O discurso não está alinhado com a prática e aí a consequência é desastrosa. Quando a fé se torna superficial, desconectada da vida real, ela perde sua força transformadora.
Aos jovens: não vivam uma fé superficial. Olhem para a cruz e reconheçam sua dependência nEle. Olhem para o túmulo vazio e abracem a nova vida. Sigam a Cristo com seriedade, compromisso e alegria. Porque, no fim das contas, a nossa Páscoa não acontece uma vez por ano. Ela é vivida todos os dias.
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Série “O Mosaico da Páscoa”
Este artigo faz parte da série “O Mosaico da Páscoa” do portal O Estandarte. A série reúne artigos de diversos líderes da IPI do Brasil, trazendo luz a diferentes aspectos da Páscoa para a Igreja hoje. Queremos criar uma jornada ampla de compreensão e aplicação do Evangelho para que, então, possamos celebrar, não apenas um ou dois aspectos da mensagem pascal, mas toda a revelação de Cristo para o povo de Deus nos tempos atuais.








Uma resposta
Excelente reflexão!