Entre peixe e chuvas, uma igreja em festa!

Um relato sobre a visita do presidente da IPIB ao Amazonas

Por volta das 14h, um voo inicia o processo de descida para o pouso em Manaus, na sexta-feira, dia 23 de janeiro de 2026. Os curiosos logo se inclinam para olhar pela janela do avião e contemplar aquele mar de verde que caracteriza a floresta amazônica. Quanto mais perto do chão, mais nítidos ficam os rios que serpenteiam a mata, formando um conjunto de beleza que encanta tantos visitantes. Só quando o avião aponta o nariz para a pista é que começam a aparecer os prédios e a imensa cidade de Manaus, com seus mais de 2 milhões de habitantes.

 

A chegada

Nesse voo em particular vinha o Rev. Sérgio Gini, presidente da Diretoria da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Sua vinda era fruto de um convite especial — ou melhor, de convites —, já que três igrejas, além do Presbitério do Amazonas, estavam aniversariando e queriam – para essa ocasião tão significativa – a presença do presidente da IPI do Brasil como pregador.

Apesar de momentos antes ter chovido na cidade, a chegada foi tranquila. E, para animar o estômago, fomos a um restaurante especializado em peixes regionais, onde pedimos o famoso tambaqui assado, acompanhado de baião de dois, “sem coentro” (risos). O amazonense, quando come muito no almoço, sente logo “uma leseira baré”, e o remédio para isso é deitar-se numa rede. Como o pregador visitante não tem esse costume, o anfitrião, presbítero Alcemir Martins, presidente do Presbitério do Amazonas, o levou para descansar numa cama mesmo, em sua casa. À noite, fomos lanchar na visitadíssima orla da Ponta Negra (sim, irmãos de Natal, também temos uma Ponta Negra, cartão-postal de Manaus!).

 

Sem tapioca, mas com muitos sonhos

No sábado, dia 24, bem cedo e debaixo de muita chuva, fomos “tomar café na estrada”, como dizemos por aqui, quando não vamos à padaria, mas aos “cafés regionais”. Naquele dia, o destino foi Iranduba, município da região metropolitana. O Café Regional Mirante Negro fica à beira do Rio Negro, cercado de árvores centenárias, como a castanheira. Queríamos agradar o pastor com a tradicional tapioca recheada do Amazonas, mas ele preferiu um pão na chapa. Sem problema — comemos nós mesmos a tal tapioca, recheada com banana frita, carne seca, queijo coalho e tucumã.

Enquanto comíamos, e a chuva seguia persistente, conversávamos sobre nossos sonhos para a IPI na região. O Presbitério do Amazonas trabalhou intensamente no último ano, mapeando cidades para a plantação de novas igrejas. Um passo concreto será a reativação da igreja em Itacoatiara agora em fevereiro, fechada a mais de uma década. Além disso, em 2025, assumimos a manutenção do trabalho em Boa Vista (RR), iniciado pelo Rev. Calvino Camargo, em uma parceria com o Presbitério de Campinas que seguirá pelos próximos três anos.

 

Ouvindo histórias

A chuva continuava, mas seguimos viagem para a comunidade Lago do Cacau, ainda em Iranduba. Após um trecho de ramal barrento, fomos recebidos pelo casal de missionários Eraldo e Rita, que estão plantando uma IPI no local. Também estavam presentes o irmão Silvio, sua esposa e outros irmãos, preparando uma caldeirada de tambaqui e bandas de tambaqui assado. O Rev. Gini ouviu as histórias dos irmãos e o testemunho da construção de um espaço em sua propriedade para a reunião da pequena igreja. Ainda não temos um templo para congregar na comunidade — embora já tenhamos dois terrenos ali. O mesmo ocorre em Realidade, comunidade na região de Humaitá, AM, onde nossos irmãos tiveram que sair do local em que se reuniam, e agora lutam para construir um templo no terreno comprado.

Ainda no Lago do Cacau, depois de muita conversa, veio a hora dos tambaquis. Duas opções no cardápio: assado ou caldeirada. Teve quem provasse os dois. Eu preferi o assado com açaí. Depois oramos agradecendo a Deus pela vida dos irmãos, pedindo que o Senhor da Graça abençoasse aquela acolhedora comunidade, fortalecesse o casal de missionários e fizesse o evangelho prosperar por ali.

 

Rev. Gini e líderes fazem o envio dos missionários Alerhandro e Viviane.

Celebrando e enviando missionários

À noite a chuva persistia — agora com menos força. Comemoramos nesse culto celebrativo os 43 anos da 2ª e 3ª IPI de Manaus, os 30 anos da IPI do Coroado e o aniversário do Presbitério do Amazonas. Com a casa cheia, a celebração contou com a dança dos jovens da 7ª IPI e relatos históricos das igrejas. O Rev. Sérgio Gini pregou baseado em Atos 28.16–31, com o tema: “O Evangelho não pode ser parado”. Fomos profundamente encorajados, mesmo em meio as dificuldades, a continuar a pregação na região, tal como Paulo o fez no relato de Lucas. Como resposta ao desafio da mensagem, o pregador teve a oportunidade de fazer a oração de envio do casal missionário Alerhandro e Viviane, que irão reiniciar a IPI no município de Itacoatiara, AM.

Os desafios são grandes. E, sendo clichê, são desafios de dimensões amazônicas. A atuação do Presbitério do Amazonas abrange Amazonas, Roraima e o oeste do Pará. Há, portanto, muitos municípios a alcançar, muitos templos a construir, muitos pastores a formar, muitas lideranças a treinar. Para tudo isso, contamos com as orações e o apoio da IPI do Brasil.

 

Convite

Tenho certeza de que o presidente da AG pôde experimentar um pouco da nossa empolgação e do nosso desejo de ver a IPI crescer na região. Convidamos o pastor Gini para vir e ver; e estendemos o convite aos irmãos de todo o país: venham e vejam o que Deus está fazendo por aqui!

Rev. José Andreze

Pastor na 3ªIPI de Manaus, AM

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Uma resposta

  1. Parabéns ao Presbitério do Amazonas, pelo acolhimento ao Presidente da AG, bem como pela expansão de igrejas â outras cidades e Estados.
    Abraços…
    Presbítero Cleber – Santarém- PA

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