Ao longo de 2025, os textos da coluna “O Mundo e o Reino” acompanharam uma igreja chamada a discernir os sinais do tempo em meio a abalos sociais profundos: perseguições, deslocamentos, mudanças demográficas, revolução digital e disputas pela presença pública da fé. Mais do que registrar notícias, a coluna buscou discernir, nesses acontecimentos, um chamado à vigilância, à esperança e à criatividade missionária, para que a igreja aprenda a sofrer, dialogar e inovar sem perder o centro em Cristo.
PERSEGUIÇÃO E RECONCILIAÇÃO
Em 2025, notícias revelaram a falta de segurança dos cristãos mundo afora: aumento global da perseguição, com centenas de milhões sob pressão e violência; ataques como o atentado contra a igreja ortodoxa em Damasco; tensões entre Igreja e Estado, como na Armênia; decisões judiciais e políticas que tanto ameaçaram quanto protegeram a liberdade religiosa. Nesses contextos, a igreja foi lembrada de que a cruz não é exceção, mas marca permanente do discipulado. Deste modo, fomos desafiados a orar pela igreja perseguida e denunciar injustiças como parte da vocação cristã para a atualidade.
A igreja foi lembrada de que a cruz não é exceção, mas marca permanente do discipulado.
Ao mesmo tempo, 2025 testemunhou iniciativas de reconciliação e unidade, como as celebrações dos 500 anos do testemunho anabatista, acompanhadas de pedidos de perdão por perseguições históricas; e as novas parcerias da IPIB com igrejas em Portugal e Angola. Se é verdade que há dor e perseguição no mundo, também é verdade que há gestos de unidade e reconciliação promovidos pelo Reino. Como membros do corpo de Cristo, somos chamados a cultivar comunidades que sofrem com os que sofrem, rompem com a indiferença e resistem a lógica da violência, oferendo sinais concretos do amor de Cristo em meio às feridas do mundo.
TRANSFORMAÇÕES DEMOGRÁFICAS E NOVAS FRONTEIRAS MISSIONÁRIAS
Outro tema recorrente em 2025 foi o impacto das grandes mudanças demográficas como a queda histórica da fertilidade no Brasil, o envelhecimento populacional, e o crescimento expressivo da imigração após décadas de retração. O aumento de migrantes, especialmente venezuelanos, haitianos e bolivianos, bem como a maior presença de idosos e de famílias “pequenas” nas igrejas, tem se mostrado uma oportunidade para que cristãos pratiquem hospitalidade, construam comunidades multiculturais e redescubram a missão “a partir das portas da própria cidade”.
A igreja torna‑se sinal de um Reino que recompõe laços rompidos e promove redes de solidariedade
Tais movimentos demográficos aconteceram em um contexto de queda da confiança social para com os vínculos familiares, comunitários e institucionais – ainda que as comunidades de fé permaneçam entre as instituições mais confiáveis do país. Neste cenário, a vocação da igreja para ser espaço de pertencimento intergeracional, cuidado e acolhimento torna‑se sinal de um Reino que recompõe laços rompidos e promove redes de solidariedade, proclamando que ninguém precisa caminhar sozinho.
DIGITALIZAÇÃO DA VIDA, DISCIPULADO E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O ano de 2025 revelou ainda um mundo em que o digital deixou de ser “acessório” para se tornar ambiente estrutural: adolescentes formam identidade e amizades por meio da tecnologia, fiéis acordam cedo para participar de lives de oração, e a inteligência artificial permeia desde a produção de textos até o consumo de esportes. Neste contexto, empresas demitiram trabalhadores em razão da automação, e igrejas discerniram como usar ou limitar a IA em suas práticas pastorais e comunicacionais.
Para 2026, a tarefa é formar discípulos capazes de viver uma fé encarnada em um mundo mediado por telas
Nesse “amanhecer digital”, “O Mundo e O Reino” destacou tanto as promessas quanto os perigos da tecnologia: personalização de conteúdo, tradução e acessibilidade de um lado; desinformação, polarização e concentração de poder em poucas empresas de outro. Para 2026, a tarefa é formar discípulos capazes de viver uma fé encarnada em um mundo mediado por telas, cultivando jejum digital, ética no uso de dados, cuidado com trabalhadores atingidos pela automação e uso da IA a serviço do florescimento humano, e não da desumanização.
IGREJAS EM CRISE, REINVENÇÃO E PRESENÇA PÚBLICA
Por fim, 2025 revelou histórias de declínio e de renovação: templos históricos nos Estados Unidos precisando fechar ou se reinventar, ao mesmo tempo em que a Igreja da Inglaterra anunciava investimentos recordes para revitalização de igrejas e cuidado com a liderança. Houve relatos do crescimento pentecostal nas periferias brasileiras, com forte capilaridade entre trabalhadores e moradores de regiões vulneráveis, conclamando as tradições protestantes históricas a discernirem como demonstrar, de modo fiel, a vitalidade do Espírito na igreja.
A presença pública da igreja se mostrou ambígua
A presença pública da igreja se mostrou ambígua: de um lado, iniciativas como a Bancada Cristã no Senado e declarações em defesa da liberdade de consciência; de outro, a distorção violenta da linguagem religiosa em fenômenos como o “narcopentecostalismo” associado ao crime organizado. Deste modo, a igreja foi chamada a fortalecer estruturas de governança transparentes, investir em formação bíblica e ética, e exercer presença pública que não confunda evangelho com projeto de poder, mas testemunhe justiça, serviço e humildade em meio à polarização.
Concluindo… e recomeçando
O tempo não pára: 2025 terminou e 2026 já começou. Cada encerramento traz, junto com a saudade e o balanço, um novo envio. Em 2025, “O Mundo e o Reino” buscou discernir os sinais do tempo em um mundo em constante transformação — demográfica, tecnológica, política. O chamado para servir ao Reino permanece: seguir o Cordeiro de Deus em meio às feras do nosso tempo, com mansidão e firmeza.
O ano de 2026 se apresenta como tempo oportuno para que, em comunhão e unidade, a igreja volte a responder com fé: “venha o teu Reino” nas praças e nas telas, nas fronteiras e nas florestas, nas periferias e nos centros de poder – em cada lugar onde Cristo continua a nos encontrar, consolar e enviar.
Feliz e abençoado 2026!








Respostas de 2
Minha oração é que Deus nos dê o discernimento para jamais esquecermos das verdades do Evangelho do Reino
Boa análise dos acontecimentos e fatos de nossa realidade que nos despertam para uma postura de atenção e respostas bíblicas aos desafios que nos apresentam.