Uma igreja que floresce nas terras áridas de Portugal

A IPI de Guimarães, em Portugal, completa dois anos num contexto cheio de desafios

A IPI de Guimarães, em Portugal, comemorou dois anos de existência no último dia 07 de dezembro num lindo culto com direito a bolo, balões, orações e recebimento de novos membros. O Rev. Alan Litwin, pastor da Igreja Evangélica Lisbonense Presbiteriana, foi o pregador da noite. O momento ganha muito mais importância se consideramos o contexto em que essa igreja floresceu.

 

“Catolicismo dos anos 70”

Guimarães fica no norte de Portugal é uma das regiões onde o catolicismo tradicional é mais forte. “É o catolicismo dos anos 70/80 do Brasil”, resume Rev. Paulo Carra, pastor que lidera a igreja. Além disso, há uma certa resistência com os evangélicos como resultado de outras igrejas com testemunho duvidoso e teologia problemática. De acordo com o Censo 2021, em Portugal, cerca de 80,2% da população (7 milhões) se identifica como católica; os evangélicos são apenas 2,1%.

Segundo pesquisa da Aliança Evangélica Portuguesa, a média de conversões por igreja evangélica em 2023/2024 foi de apenas 27 pessoas. Não houve conversão em 4% das igrejas nos últimos 2 anos. Ao mesmo tempo, há um impulso recente para a evangelização e plantação de novas igrejas. Segundo o mesmo levantamento, 36% das igrejas estão plantando novas igrejas.

 

Impulso brasileiro

Outro dado interessante da Aliança Evangélica Portuguesa é que 65% das igrejas plantadas após 2020 são pastoreadas por missionários brasileiros. É o caso do próprio Pr. Paulo Carra. Ele se mudou para o país em dezembro de 2022 por conta de uma oportunidade de emprego para sua esposa, Thalita, na área de moda. Paulo pediu licença do Presbitério de Osasco e conseguiu uma vaga no Mestrado em Gestão Integrada em Qualidade, Ambiente e segurança (ligada a sua área de atuação profissional). Ele cursou o primeiro ano, mas teve que interromper por conta de algumas documentações.

Ao procurar uma igreja reformada para congregar, o casal descobriu que não havia nenhuma na região. Em diálogo com algumas famílias, eles foram encorajados então a iniciar uma – e assim o fizeram. “Iniciar uma igreja não estava nos planos. Mas o chamado pastoral ligou algumas famílias a nós e assim nasceu o projeto”, diz.

 

Florescendo em terra árida

Como fazer uma igreja florescer nesse contexto? Paulo explica que é o caminho é ensinar e formar líderes. “Nossa estratégia tem sido ensinar e formar líderes para que a igreja continue avançando. Temos o culto dominical e um encontro na semana dedicado para estudo e esclarecimentos de dúvidas. Saber na prática como o evangelho muda a nossa vida, saber identificar as transformações, conhecer e se relacionar com Jesus em todo o tempo e ensinar a importância do posicionamento do cristão são os principais pontos que adotamos. Em paralelo, encontros para aconselhamento, cuidado com os necessitados e acompanhamento das famílias fazem parte da atividade pastoral”.

Com pouco mais de um ano de existência, o chamado missionário da congregação de Guimarães falou alto. “Ainda em dezembro de 2024, tiveram início os primeiros encontros na cidade de Viana do Castelo, primeiramente nos lares. Em maio de 2025, com a locação de um espaço, a jovem congregação iniciou um ponto de pregação naquela cidade. No mesmo mês da inauguração do espaço deste ponto de pregação, nascia na cidade de Fafe, outro ponto de pregação”.

Atualmente, o trabalho conta com três locais de culto: em Guimarães, com 60 membros, em Viana do Castelo e em Fafe (ambas com uma média de 20 pessoas frequentando assiduamente).

 

IPI do Brasil em Portugal

Paulo explica que hoje o trabalho na região é reconhecido e acompanhado pela Secretaria de Evangelização da IPI do Brasil, que os apoia com mentoria, divulgação de algumas atividades e com o apoio institucional. “Recebemos uma ajuda de custo através da parceria com o meu Presbitério (Presbitério de Osasco). Algumas igrejas nos enviam ofertas, algumas de forma recorrente e outras pontualmente, para cobrir necessidades específicas. O trabalho pastoral é realizado de forma voluntária, assim, todo recurso que recebemos é revertido para as igrejas”.
Além do Paulo, há outros dois líderes que auxiliam nas congregações. “Um é missionário não ordenado e membro da nossa igreja em Viana do Castelo. O outro é missionário cedido pela IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) e me auxilia em Fafe e Guimarães”.

 

Parceria oficial

Na Assembleia Geral realizada de 29/07 a 03/08/2025, a IPI do Brasil aprovou a parceria oficial com a Igreja Evangélica Lisbonense Presbiteriana – IEL. Naquela ocasião foram recepcionados pela AG o presbítero David Valente, representando o Conselho daquela igreja, e o Rev. Alan Daniel Litwin, pastor do Presbitério Ipiranga e atual pastor daquela comunidade cedido para trabalhar em Lisboa. Com a assinatura do termo de parceria, a AG aprovou também que a IPI do Brasil retribuísse a visita à IEL tão logo fosse possível, o que aconteceu em agosto deste ano.

 

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ENTREVISTA

Confira a seguir uma breve entrevista com o Rev. Paulo Carra:

 

O ESTANDARTE – O que celebrar nesses dois anos?

REV. PAULO CARRA – Temos tantos motivos para celebrar! O crescimento da igreja é reflexo das bênçãos do Senhor! Neste último ano pudemos avançar para duas cidades, ou seja, em dois anos, hoje somos três igrejas. Tudo isso começou em Guimarães. Mesmo ainda jovem, esta é uma igreja que tem o coração missionário. Penso que este seja um motivo de celebração!

O ESTANDARTE – O que aconteceu de especial em 2025?

Rev. Paulo Carra no culto de celebração pelos 2 anos da IPI em Guimarães.

REV. PAULO CARRA – O ano de 2025 foi repleto de realizações e bênçãos de Deus para a congregação da IPI do Jd. Piratininga (Osasco/SP) em Guimarães (Portugal). Ao longo do ano, visitas importantes marcaram presença em terras lusitanas. Em maio, o Rev. Paulo Damião do Presbitério de Presidente Prudente, em agosto o Presidente da AG Rev. Sergio Gini e o Secretário de Evangelização Rev. Caio Batista também conheceram os trabalhos no norte de Portugal. Em setembro, a congregação recebeu o Pastor Victor Fontana, da Comunidade da Vila (IPB). Em outubro o Rev. Valdir Reis, da Closer To God Church (EUA).

Novos membros, conversões, batismos e nascimentos fizeram parte da vida da igreja em 2025 e para celebrar os dois anos, o Reverendo Alan Litwin, pastor da Igreja Evangélica Lisbonense Presbiteriana foi o preletor da noite. Os irmãos se reuniram para agradecer ao Senhor pelo aniversário da igreja e fizeram um lindo culto com direito a recebimento de membros e uma bela e animada festa ao final.

O ESTANDARTE – Há alguma história especial que possa ilustrar o trabalho realizado? Alguma pessoa? Alguma família?

REV. PAULO CARRA – Temos experimentado muitas experiências em nossa igreja. Falar de alguma pessoa ou de alguma situação específica é possível, como duas conversões bastante marcante para nós, mas acredito que o principal é relatar a forma como nossa igreja tem se tornado uma verdadeira família. Num contexto em que a maioria ainda é de imigrantes, pessoas que não têm uma base de apoio próximo, temos cuidado uns dos outros e nos aproximado de forma especial. A igreja cuida uns dos outros (como deveria sempre ser).

O ESTANDARTE – Quais são os principais desafios missionários que você encontra no trabalho aí?

REV. PAULO CARRA – O principal desafio é tornar a igreja conhecida pelos portugueses não como uma igreja de imigrantes, mas como uma igreja para todos. Não sofremos “pressão” para ter uma igreja para portugueses, pois Jesus não mandou separarmos por nacionalidades. Temos superado essa barreira através do testemunho de vida de cada um que frequenta a igreja. Através do nosso viver, os irmãos portugueses começam a chegar. A diferença cultural também exigiu algum esforço no começo, mas agora caminhamos muito melhor neste aspecto.

O ESTANDARTE – Há alguma palavra bíblica específica que os conduz aí?

REV. PAULO CARRA – “Ebenézer”! Até aqui nos ajudou o Senhor! (Este foi o tema deste aniversário).

O ESTANDARTE – Como perseverar?

REV. PAULO CARRA – Assim como a igreja nascente em Atos, perseverar com dedicação de coração ao ensino dos apóstolos, à comunhão, ao partir do pão e à oração.  (Atos 2.42)

 

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Foto de Lissânder Dias do Amaral

Lissânder Dias do Amaral

Membro da 2a IPI de Maringá, PR, e editor interino de O Estandarte

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Respostas de 2

  1. Como missionário em Portugal e membro da direção da Aliança Evangélica Portuguesa, sou testemunha do empenho e cuidado do nosso irmão rev. Carra, na plantação e edificação dessa nova comunidade no nosso país, tão carenciado de irmãos bem preparados como ele se mostra, e mais: interessados em vencer as barreiras sutis existentes entre a cultura vivida hoje em Portugal e que tanto traz estragos na evangelização desse povo amado do país. Que o Senhor continue a dirigir a casa do rev. Carra, a sua comunidade e a IPI para que frutifiquem ainda mais por cá, especialmente.

  2. Parabéns pelo belíssimo trabalho. Que nosso Deus continue abençoando de forma poderosa. Á nós, cabe-nos orar em prol do pastor (líderes) e familiares. Que Deus sustente essa ação!

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