ELAS NÃO SE INTIMIDARAM DIANTE DOS DESAFIOS ENCONTRADOS NO CAMINHO
O tema do serviço é recorrente no ministério de Jesus, pois ele mesmo deixou a sua glória para se apresentar como servo à humanidade que se encontrava distanciada de Deus pelo pecado. Ele nos alertou contra pensamentos e práticas que distanciam da razão de ser da existência da igreja que foi instituída para cumprir a missão de Deus. Como Jesus veio ao mundo para servir, e não para ser servido (Mt 20.28), assim deve ser a vivência da igreja no exercício do serviço.
Mulheres para o serviço
Algumas características da igreja que serve podem ser encontradas em atitudes de várias mulheres mencionadas nos textos do Novo Testamento: obediência, generosidade, devoção e compromisso.
A jovem Maria que, ao se encontrar grávida pelo Espírito Santo, reconhece ser agraciada. Mesmo que tal situação pudesse afastá-la da convivência social e a isolasse do seu noivo, não hesitou em servir com ampla obediência a Deus. A serva engrandece a Deus, seu Salvador por ter sido escolhida para ser mãe daquele que libertaria o seu povo e toda a humanidade. A igreja foi instituída para ser anunciadora da graça de Deus, revelada em Jesus. Em obediência ao mandato, ela não se desvia do cumprimento da missão recebida.
Generosidade para servir a Jesus com os recursos financeiros fez parte na vida de mulheres como Joana, Suzana e várias outras. Elas dedicaram o que possuíam, pois entenderam que Jesus estaria onde elas não poderiam estar. Ao servirem o Mestre, alcançaram pessoas que foram curadas e colaboraram para que a mensagem de esperança e salvação chegasse aos lugares e às pessoas que as instituições religiosas desprezavam. A igreja que serve é uma igreja generosa. A partilha faz parte da dimensão do serviço, pois na generosidade são multiplicadas as possibilidades do alcance do anúncio do amor salvífico de Deus.
Ainda pode ser mencionada a profetiza Ana, que não se afastava do templo e servia a Deus com jejuns e orações, de dia e de noite. Com idade avançada, mas fiel no serviço a Deus. A vida de devoção, de busca constante da presença do seu Senhor a capacitava para cumprir a missão que recebera de transmitir os ensinamentos divinos e de orientar o seu povo. A igreja que serve estuda a Palavra de Deus, se prosta em oração, desenvolve a comunhão em comunidade para que, em tempos difíceis, em situações de incredulidade, em relações egocêntricas, esteja fortalecida pelo Espírito Santo para continuar sendo luz e sal da terra.
Serviço significa compromisso
No momento que Jesus morria, lá estavam as mulheres que o seguiam e o serviam desde a Galileia (dentre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, Salomé e outras que não tiveram seus nomes mencionados). O amor das pessoas que seguiam a Jesus as motivava para o compromisso. Mulheres que não se intimidaram diante dos desafios encontrados no caminho. Presenciaram milagres, ouviram palavras de libertação, sofreram com a incompreensão e com as acusações feitas ao Mestre, mas nada disso foi suficiente para que abandonassem o propósito de seguir ao Senhor. O compromisso com a missão foi a pauta da existência de muitas mulheres que estiveram presentes na morte, e de algumas que receberam a notícia da ressurreição.
Sem assumir o compromisso com a missão de Deus, a igreja corre o risco de adequar-se aos esquemas de opressão e conformar-se com valores e práticas que a distanciam dos ensinamentos de Jesus. Compromisso é uma forma de servir a Deus, à igreja, ao próximo e a toda sociedade para que haja mudança de pensamento, de atitude, de vida, segundo o Senhor da Igreja ensinou.
Ao lado de Jesus ou na formação da igreja cristã, no templo, na igreja nascente, sob a liderança de mulheres que oravam, na ação missionária, no cuidado com as comunidades cristãs nascentes, as mulheres entenderam que o sentido do seguimento a Jesus está no serviço que se presta ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo, e que se estende na razão de ser da existência da Igreja.
Sendo assim, a Igreja que trilha pelo caminho do serviço, cumprirá o chamado de Deus.







