“Honre o passado vivendo a fé com fidelidade”. A frase do Rev. Marcos Nunes em seu sermão no culto de gratidão a Deus pelos 150 anos da IPI de Mogi Mirim (SP) no último sábado (12/09), sintetiza bem a importância da trajetória dessa igreja histórica.
Muitos primeiros
A história da IPI de Mogi Mirim conta com “muitos primeiros” da cidade: a primeira pregação, o primeiro culto, o primeiro pastor, o primeiro convertido… A IPI de Mogi Mirim nasceu provavelmente (a ata n° 1 se perdeu) em setembro de 1876 – apenas 17 anos após a chegada do primeiro missionário presbiteriano ao Brasil, Rev. Ashbel Green Simonton. Seu primeiro pastor foi o Rev. Edward Lane, missionário oriundo dos Estados Unidos. Mas as primeiras pregações e conversões na cidade ocorreram anos antes por meio do Rev. José Manoel da Conceição, um sacerdote que se tornou o primeiro brasileiro a ser ordenado ministro do evangelho (1865).
Conceição era amigo do padre da cidade (Padre José) que, inclusive, contratou o vigário João Soares de Camargo para acompanhar Conceição em uma viagem até o Rio de Janeiro. A viagem a cavalo durou quatro meses, e quando Camargo voltou, já estava convertido ao presbiterianismo, sendo membro da Igreja Presbiteriana de Mogi Mirim.
Em 28 de março de 1881 a Igreja de Mogi Mirim organizou os seus estatutos, que foram publicados na “Imprensa Evangélica” de 15 de novembro do ano seguinte. A reunião foi presidida pelo Rev. John Boyle, e secretariada por Delfino dos Anjos Teixeira. O referido estatuto foi recolhido, reconhecido e aprovado pelo Governo Provincial em 22 de agosto de 1882.
Testemunha ocular da história da IPI do Brasil
No Sínodo em que houve a cisão da Igreja Presbiteriana, a Igreja de Mogi Mirim estava representada pelo presbítero João Garcia Novo.
Em 31 de julho de 1903, (15 presbíteros e 7 pastores) fundaram a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, e a Igreja Presbiteriana de Mogi Mirim aderiu ao movimento que queria uma igreja genuinamente brasileira, passando a ser chamada de Igreja Presbiteriana Independente de Mogi Mirim. Assumiu o seu pastorado o Rev. Bento Ferraz (1903-1905), um dos fundadores da nova Igreja. Por isso a IPI de Mogi Miriam é mais antiga até que a própria denominação Presbiteriana Independente (123 anos).
Celebração pelos 150 anos

O Culto de Ação de Graças pelos 150 anos da Igreja Presbiteriana Independente de Mogi Mirim ocorreu no último sábado(12/09) e teve como pregador convidado o Rev. Marcos Nunes, diretor acadêmico da FATIPI. Seu sermão foi baseado em 1 Pedro 2.9-10, destacando a história, a identidade e a missão da igreja.
“A melhor maneira de homenagear os irmãos e irmãs que fundaram esta igreja há 150 anos não é apenas erguer placas comemorativas, mas manter aceso o mesmo fogo espiritual, a mesma paixão pelas Escrituras Sagradas, a mesma dedicação à oração que eles tiveram e o mesmo testemunho que deram. Honre o passado vivendo a fé com fidelidade!”, enfatizou o pregador.
A liturgia contou com louvores e orações de adoração, gratidão e iluminação. Um momento especialmente emocionante foi quando se leu a história da igreja, destacando como Deus sustentou essa comunidade até hoje.
“O culto foi edificante e emocionante. Ao celebrarmos o Senhor, ouvirmos Sua Palavra e reconhecermos Sua providência e misericórdia para com a Igreja ao longo da história, resgatamos cânticos, hinos e textos que remeteram os membros a momentos vivenciados no passado. Também tivemos o cuidado de convidar crianças, jovens e adultos (homens e mulheres) a participarem do culto, demonstrando a pluralidade e diversidade da nossa comunidade”, resumiu o Rev. Alex dos Santos, pastor titular da IPI de Mogi Mirim.

O segredo invisível
Ao longo de todos esses anos a igreja se consolidou, mudou de local, construiu seu templo, expandiu seus braços para outros bairros e cidades, mas, sobretudo, manteve-se fiel ao chamado de Deus na cidade. Foram muitos os fatos visíveis, mas o Rev. Alex destaca exatamente o que é invisível: a oração.
“A IPI de Mogi Mirim é uma comunidade que se fortalece por meio de suas reuniões de oração, as quais proporcionam um ambiente acolhedor tanto para os membros quanto para os visitantes. Nessas reuniões, intercedemos pelos que estão enfrentando momentos de sofrimento e rendemos ações de graças pelos que compartilham suas alegrias. A simplicidade dessa prática pastoral gera devoção, partilha, unidade e cuidado, fortalecendo a Igreja.”
Talvez esse seja o segredo da fidelidade: fortalecer as raízes por meio da prática da oração, que ninguém vê, mas sustenta toda a árvore.









